Arquivo da tag: Comunicação Comunitária

Raquel Paiva e João Paulo Malerba ministram novo curso para mestrado e doutorado

A Prof.ª Dr.ª Raquel Paiva e o Prof. Dr. João Paulo Malerba irão ministrar o curso Da Comunidade ao Comum: por uma epistemologia da Comunicação Comunitária no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola de Comunicação da UFRJ. As aulas terão início no próximo dia 15 de agosto e serão realizadas às quartas-feiras, de 12h30 às 14h30 no auditório da CPM.

O curso está concentrado na discussão em torno da ideia da Comunicação Comunitária: conceito e experiência. A perspectiva arqueológica e revisionista fundamenta-se inicialmente na celebração dos 20 anos da publicação d’O Espírito Comum e da criação do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária (LECC). O curso pretende realizar uma revisão crítica e histórica da Comunicação Comunitária em busca de uma epistemologia, considerando as atuais mutações tecnopolíticas que desafiam seus limites teóricos e metodológicos. A estruturação desse campo de pesquisa tem se dado pari passu ao desenvolvimento de seu próprio objeto. Há quem localize o surgimento das mídias comunitárias em meados do século XX, na América Latina, quando era mais comum nomeá-las populares e alternativas. Nascidas da organização política de movimentos sociais e minorias diversas, originalmente elas se caracterizavam pelo uso mais politizado de meios de comunicação analógicos (impresso, rádios e TVs de baixa potência). Já no alvorecer do século XXI, após a redemocratização dos países latino-americanos e a complexificação de sua sociedade civil, vimos as mídias comunitárias se diversificarem buscando adequação às pautas e comunidades diversas, ligadas ou não a movimentos sociais e de base. Atualmente, suas ações pulverizam-se em uma multiplicidade de práticas e modos de ser que refletem os desafios tecnopolíticos da midiatização, da convergência midiática e das novas tecnologias de informação e comunicação.

Bibliografia básica:

HARDT, M. e NEGRI, A. Multidão. Rio de Janeiro: Record, 2012.

LAVAL, C. e DARDOT, P.. Comum – Ensaio Sobre a Revolução no Século XXI. São Paulo: Boitempo, 2017.

PAIVA, R. (org.). O retorno da comunidade: os novos caminhos do social. Rio de Janeiro: Mauad X,

2007

____. O espírito comum: comunidade, mídia e globalismo. Petrópolis: Vozes, 1998.

SODRÉ, M. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2014.

YAMAMOTO, Eduardo Yuji. A questão da comunidade na era da midiatização. Orientador: Muniz Sodré. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação, Rio de Janeiro, 2014.

Diretrizes Básicas: o curso tem 15 aulas e é permitida a presença de ouvintes.

Linha: Mídia e Mediações Socioculturais

Profs.: Raquel Paiva e João Paulo Malerba

Horário: quartas de 12h30 as 14h30

Carga Horária: 60 horas/aula

Créditos: 4.0

Curso: Mestrado e Doutorado – Eletiva

Local: auditório da CPM

Início: 15 de agosto de 2018

Etiquetado , ,

20º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação

Estão quase encerradas as inscrições para o 20º Curso Anual do NPC. O máximo de vagas permitidas nesse ano é de 200 pessoas e, até o dia 17/10, já havia cerca de 140 inscritos.

10710849_749247565125138_1442006633717313892_n

Tema do curso: “Comunicação dos Trabalhadores e Hegemonia”

Data: 5 a 8 de novembro

Local: Centro do Rio

Confira a programação completa no link: http://migre.me/m9M9S

Ficha de inscrição: http://migre.me/mkjsW

Para mais informações, entre em contato pelos telefones (21) 2220-5618 ou (21) 99628-5022 e pelo email npiratininga@piratininga.org.br.

Etiquetado ,

Criminalização da favela no noticiário continua – por Leo Custódio

FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed819_criminalizacao_da_favela_no_noticiario_continua

Uma das maneiras de diminuir a criminalização das favelas no noticiário policial é a diversificação as fontes. Ouvir moradores com mais frequência ajudaria a quebrar o estigma de que favelas são apenas territórios de medo e conivência controlados por facções criminosas. Por isso a popularização das redes sociais na periferia criou uma expectativa de mudança da representação das favelas e bairros pobres na cobertura jornalística do cotidiano.

No Rio, por exemplo, milhares de moradores – em anonimato ou “botando a cara” – se fazem ouvir diariamente narrando, analisando e contextualizando o que acontece nas favelas. Está claro que jornalistas da grande mídia ouvem as vozes online. Mas a criminalização das favelas e vitimização dos moradores continua. Como vimos na primeira semana de outubro, não adianta ter acesso à mais fontes se não há disposição ou interesse para criar novas narrativas.

No momento em que o governador Luiz Fernando Pezão afirmava em debate (ver aqui) que seu governo tinha libertado mais de 450 mil moradores com as UPPs, tiroteios intensos aconteciam em favelas “pacificadas” do Complexo do Alemão, Mangueira e em áreas ocupadas por militares na Maré. A pauta estava pronta: o discurso oficial não se reflete na realidade. Prato cheio para a imprensa colocar o governo contra a parede. Só que não.

Nas matérias e notas publicadas online entre 1/10 e 3/10 pelos jornais O Globo e Extra, a voz do morador só aparece para ilustrar o drama da violência dos confrontos. “Nas redes sociais, várias pessoas relataram terem escutado disparos na comunidade. ‘A troca de tiros é intensa em diversas áreas do Complexo do Alemão. Trabalhadores acordando assustados com o barulho de tiros’”, descreve o Globo (ver aqui). No jornal O Dia, no mesmo período, não há indício de que redes sociais tenham sido usadas para ouvir moradores.

Qual a desculpa hoje?

Tanto em O Globo/Extra quanto em O Dia, as fontes principais são policiais militares e a cúpula da segurança pública do estado. Como sempre. E como sempre fica a sensação de que moradores são uma plateia apavorada e silenciada que só usa as redes sociais para descrever o terror que sofre em tempos de conflito. Mas não é bem assim. Há alguns anos, vários moradores de favelas usam as redes sociais não só para avisar outros moradores de conflitos e denunciar casos de violência, mas também para fazer análises e abrir discussões críticas sobre a relação dos governos com a população de favelas e da periferia.

Páginas como Maré Vive, Ocupa Alemão, O Cidadão da Maré, Favela Fiscal e tantas outras mostram o quanto a paz está distante do cotidiano das áreas “pacificadas”. Nessas páginas, moradores questionam e confrontam a versão oficial do Estado diariamente. E talvez por também questionarem as próprias narrativas da imprensa corporativa, elas não apareçam como fontes em matérias sobre a violência nas favelas e na periferia do Rio de Janeiro. O que é uma pena. Pois se mais vozes críticas e menos descritivas das favelas fossem ouvidas, talvez tivéssemos um jornalismo que fizesse mais diferença na sociedade.

Do jeito que a cobertura policial é feita hoje, o jornalismo corporativo só usa vozes de moradores para dramatizar sem criticar ou questionar o que o governo diz. O que dá margem para as tantas acusações de cumplicidade entre o governo e as empresas jornalísticas.

Em um estudo publicado em 2007 (ver aqui), jornalistas admitiram que a cobertura jornalística contribuía para a criminalização e a criação de estereótipos das favelas e periferias. Uma das razões era a dificuldade de jornalistas terem contato direto e a confiança de moradores. Hoje, as redes sociais facilitam esse diálogo, mas as narrativas continuam as mesmas. Qual seria a desculpa dos jornalistas hoje, sete anos depois do estudo, para continuar reforçando a criminalização e estigmatização das favelas, periferias e seus moradores?

Etiquetado

Chile lança manual para Rádios Comunitárias

A Subsecretaria de Telecomunicações(Subtel) do governo chileno apresentou um guia sobre os passos necessários para solicitar a concessão de uma freqüência de rádio comunitária. A publicação fornece orientação para, entre outros, sindicatos, comunidades esportivas e comunidades agrícolas poderem participar de concursos públicos para o início da transmissão do conteúdo de mensagem de cívica, social e cultural.

No Chile as rádios comunitárias operam de acordo com a Lei n º 20.433, de 2010, pela qual os serviços comunitários e o serviço público de radiodifusão para o ar livre foram criados. As concessionárias podem ser pessoas jurídicas privadas sem fins lucrativos (exceto empresas municipais e fundações), universidades e pessoas coletivas, de acordo com a Lei 19.638.

As rádios devem ter uma potência máxima de 25 watts a 40 watts em áreas de fronteira com a população rural dispersa e até 30 watts no caso de rádios que procurem fortalecer as identidades culturais dos povos indígenas e suas línguas nativas. As concessões serão válidas por 10 anos e não é permitida a transferência, cessão, arrendamento ou concessão do direito de uso, nem o estabelecimento de cadeias. No que respeita às antenas, estes não podem exceder os 18 metros de altura.

Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação

Etiquetado ,
%d blogueiros gostam disto: