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Comunicadora defende a tecnologia como enfrentamento da desigualdade social

Imagem1.jpgA comunicadora e jornalista Silvana Bahia fechou o semestre de 2017 no Laboratório de Comunicação Crítica com uma coletiva sobre a importância da conquista de espaços de poder. Também ativista política, a convidada dirige o Olabi, projeto de laboratório de tecnologia, numa perspectiva de inclusão digital. A proposta é contemplar a população negra, a fim de reduzir o analfabetismo na área. Silvana explicou aos alunos que na contemporaneidade, a tecnologia representa um instrumento de transformação social e, de acordo com o uso, de redução das desigualdades sociais e raciais.

 

Representatividade subverte espaços de opressão

 

Eliandra Bussinger*

A jornalista e pesquisadora Silvana Bahia foi a segunda convidada para simulação de coletiva de imprensa do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ. Durante entrevista, ocorrida dia 8 de dezembro, Silvana contou sua trajetória no meio da comunicação e do ativismo. Destacou projetos como KBELA e PretaLab, iniciativas que marcam sua carreira e demonstram circulação em diferentes meios da comunicação, tecnologia e ativismo.

De origem baiana e paraense, Silvana disse ser a primeira graduada da família. Destacou a vivência nos setores da comunicação como um predominantemente branco, elitista e heteronormativo. Segundo a entrevistada, foi nesse contexto que percebeu a necessidade de subverter a lógica opressora. Contou que o KBELA, curta metragem sobre transição capilar e aceitação, foi uma das primeiras atuações no ativismo negro. A jornalista destacou esse trabalho como um dos melhores exemplos de seu papel comocomunicadora. Disse que a estreia do filme, no Cine Odeon, Rio de Janeiro, em 2015, marcou a primeira vez em que ingressos foram esgotados para a exibição de um curta metragem.

 

Com a repercussão do KBELA, Silvana contou que teve a oportunidade de alcançar outros meios e grupos, frequentar novos espaços e ocupar lugares que antes eram restritos a uma pequena classe. Ao participar do meio audiovisual brasileiro, a jornalista disse ter percebido a importância de tornar mais representativo outros segmentos, dando início ao PretaLab. A organização, segundo ela, busca coletar dados sobre mulheres negras e indígenas no meio tecnológico, e destacar a pluralidade na tecnologia, que muitas vezes é apagada ou desestimulada.

O projeto, como afirma Silvana, se articula em dois braços. O primeiro ponto de articulação são as pesquisas colaborativas para geração de dados. A jornalista contou que é preciso levantar esses dados para apontar um problema: o apagamento da ação feminina negra e indígena no meio tecnológico. Disse que o segundo ponto são as questões referenciais. “Nesse tópico busca-se entender quem são essas mulheres e a razão de poucas se inserirem nesse meio.” A proposta, segundo ela, é trazer referências de lideranças femininas que ocupam esse espaço, para que mais mulheres se sintam estimuladas a participarem. O PretaLab, mencionou Silvana, possibilitou as mulheres a se posicionarem, e finalizou: “A tecnologia tem que servir como instrumento para transformação social.”

*Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Projeto de desenvolvimento tecnológico luta por inserção digital

 

Joana Dupre*

“O digital está no centro do poder.” A afirmação foi dada pela ativista e jornalista Silvana Bahia, durante simulação de entrevista coletiva, realizada na Central de Produção Multimídia (CPM). Convidada pelo Laboratório de Comunicação Crítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Silvana falou sobre a importância da produção de tecnologia por mulheres, principalmente por mulheres negras, tradicionalmente excluídas. O evento ocorreu na sexta-feira, 8 de dezembro.

Silvana contou que foi a primeira pessoa da família a cursar o ensino superior. Trabalhou durante cinco anos no Observatório das favelas, organização responsável pelo reconhecimento de seu papel na luta pelos direitos humanos. Hoje é diretora do Olabi, um projeto de laboratórios de produção de tecnologia, e coordenadora do PretaLab, um desses laboratórios, voltado para as mulheres negras. Além disso, é facilitadora do RodadaHacker, que promove oficinas de empoderamento tecnológico feminino e foi co-coordenadora do plano de comunicação do curta KBela, sobre transição capilar.

 

A proposta, segundo Silvana, é reduzir o analfabetismo digital, qualificando o acesso às tecnologias. Na opinião da jornalista, é necessária a entrada de vozes das minorias nesse domínio, considerando ser a tecnologia o maior instrumento de transformação social na atualidade. Para ratificar esta necessidade, explicou que o PretaLab está fazendo um estudo de coleta de dados acerca das mulheres negras no mundo digital, a fim de perceber as carências. “Sem os dados, o problema não existe”.

Silvana disse ainda que os laboratórios são responsáveis por redesenhar a ideia de gambiarra, e inseri-la no ideal de cultura maker (faça você mesmo), notando como inovações, sendo mais uma face da tecnologia, desta vez fornecida pelas periferias. Segundo ela, essa cultura funciona como um meio de gerar reconhecimento do poder das minorias, inserindo-as em um ambiente dominado pela maioria.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Jornalista fala de crise de identidade profissional a alunos de Comunicação

 

João Carlos Martins*

“É sempre bom estar numa universidade”, disse a jornalista Silvana Bahia como forma de boa tarde aos alunos que assistiam a coletiva de imprensa do Laboratório de Comunicação Crítica, disciplina da Escola de Comunicação da UFRJ. A entrevista aconteceu na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Dentre os assuntos abordados, a entrevistada falou sobre a crise de identidade profissional.

Silvana é formada em Comunicação Social/Jornalismo e fez mestrado na UFF, em Niterói, com pesquisa sobre a ocupação do espaço público por arte urbana. De família baiana e paraense, a entrevistada disse ter se inspirado na mãe e na avó para continuar os estudos.Afirmou que o próximo objetivo é fazer Doutorado em Comunicação na UFRJ.

 

“Comunicação para mim é fazer um texto onde a minha avó vai entender e o diretor da Ford vai entender”, afirmou a entrevistada que, apesar da paixão pela área, enfrentou e ainda enfrenta dificuldades em se encontrar profissionalmente: “Hoje em dia, eu vivo uma crise de identidade profissional porque eu não me sinto jornalista.”

Silvana contou que às vezes se pergunta qual a sua profissão, para responder, em seguida, que não sabe. “Eu entrei em jornalismo muito pelo romantismo. Não sabia o que eu queria fazer, mas, dentre os cursos da faculdade, o que eu mais gostava era comunicação. Amava as matérias teóricas (de jornalismo), mas preferia as práticas de rádio”, lembrou.

 

A entrevistada contou que muitas vezes foi reprovada em seleções de estágio devido à cor da pele, o estilo de cabelo e as roupas coloridas. Segundo Silvana, a reprovação acontecia na entrevista, depois de ter passado em todas as etapas, o que a deixou frustrada com o jornalismo. “Hoje eu não me vejo muito como jornalista, porque eu publico muito pouco. Nessa minha crise, eu me vejo mais como articuladora das coisas e sujeito político”, concluiu.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Uma vida da Lagoa tem valor diferente da vida da Maré”

 

Kathlen Barbosa*

A jornalista, ativista e comunicadora popular Silvana Bahia esteve presente na Escola de Comunicação da UFRJ para simulação de coletiva junto aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, dia 8 de dezembro. Durante a entrevista, Silvana contou sobre o trabalho como coordenadora do projeto Pretalab e diretora do Olabi, que tratam de temas acerca da desigualdade social, direitos humanos e, principalmente, empoderamento negro e feminino, a partir de uma perspectiva tecnológica.

A entrevistada explicou o Olabi como um projeto que visa à democratização da produção de tecnologia, buscando incluir mulheres negras e indígenas nesse processo de inovação. Quanto ao Pretalab, Silvana esclareceu que o projeto atua em duas vertentes principais. A primeira é uma pesquisa colaborativa de abrangência nacional, ainda em curso, que tem por objetivo gerar dados sobre o acesso e a presença ativa de mulheres negras e indígenas na tecnologia. Já a segunda, esclareceu a convidada, é voltada para a “questão das referências”, uma das principais causas de contenção desse processo de democratização, aliada à “questão do acesso”.

 

Silvana contou que nos anos 1970/80, as mulheres dominavam a programação. “Nessa época, os homens falavam que a programação era a cozinha da computação, porque era lugar de mulher. Quando isso ganha outro status econômico, as mulheres são arrancadas desse processo”. A entrevistada esclareceu ainda que a geração de dados da qual se encarrega o Pretalab é muito importante porque não existe estatística no setor. Justifica, dizendo ser necessário quantificar a exclusão feminina, negra e indígena do processo de inovação tecnológica. Para Silvana, uma consequência importante desse processo de quantificação é que, a partir do momento em que os dados passam a existir, o problema da falta de democratização se materializa e “torna-se existente”.

Ao ser questionada sobre o papel da comunicação no processo de invisibilização da população negra, tanto no cenário de inclusão tecnológica, quanto no cenário social brasileiro como um todo, Silvana Bahia destacou a desigualdade racial no Brasil. “Uma vida da Lagoa tem valor diferente da vida da Maré”. A convidada abordou dados alarmantes sobre a violência contra jovens negros no país e afirmou que quando se reconheceu dentro de sua profissão, como jornalista negra e competente, percebeu que o jornalismo é uma ferramenta de transformação social. Silvana Bahia finalizou a coletiva falando sobre a importância das iniciativas que coordena. Na sua opinião, a tecnologia tem que servir para a transformação social, tentando provocar mudanças no cenário de desigualdade e privilégios no qual vivemos.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Quem são as mulheres high-tech?”

 

Laís Jannuzzi*

Mulher, negra, ativista e a primeira da família a ter um diploma do ensino superior, a jornalista Silvana Bahia conversou com alunos de comunicação da UFRJ. A coletiva foi realizada na Central de Produção e Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Na ocasião, a entrevistada falou sobre machismo, racismo e analfabetismo digital, temas abordados por projetos sob sua liderança. Também diretora do Olabi, organização de luta pela democratização tecnológica, Silvana justifica o engajamento: “Eu acho que muito do que eu faço tem a ver com o fato de ter nascido na era das mídias digitais”.

A entrevistada contou que ao coordenar a assessoria de imprensa do curta metragem “KBELA”, esbarrou com a programação de computadores. Segundo ela, o desejo de fazer um site para o filme independente fez com que participasse do evento “RodAda Hacker”, focado no ensino da linguagem de computação para mulheres. Segundo Silvana, esse primeiro contato foi decisivo para o direcionamento da carreira profissional. “Aquilo ali me empoderou de um jeito que… É aquilo, você nunca acha que pode fazer, e de repente fica pronto e isso é muito bom”.

 

A entrevistada disse que foi tendo cada vez mais intimidade com o universo das ciências da computação e que logo percebeu a ausência de mulheres negras e indígenas. Para Silvana, esse vazio não traduzia um desinteresse dessa parcela da população. Disse que muita gente como ela, que vive em favelas e áreas periféricas, tem interesse nas novas plataformas digitais e on-line.

 

De acordo com a entrevistada, dessa percepção surgiu o PretaLab, iniciativa que busca coletar informações para realizar o primeiro levantamento sobre a quantidade de mulheres negras e indígenas protagonistas no mundo tecnológico. Silvana disse que essa informação, depois de pronta, será o primeiro passo para a ressignificação e referência das mulheres negras e indígenas. “Se você não vê alguém parecido com você em um lugar, pode logo pensar que aquilo não é pra você”.

Ao ser questionada por um dos alunos sobre os próximos passos do PretaLab, a coordenadora respondeu: “Experimentação é tudo numa batalha das minorias. Eu não tenho como falar sobre isso agora, mas o relatório é o primeiro passo para acentuar essa disputa”.

*Aluna do 8º período do curso de Comunicação Social da Eco/UFRJ

 

Lugar de mulheres negras é no centro das decisões de poder

 

Larissa Esposito*

Comunicadora e ativista, Silvana Bahia participou de simulação de coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, no Centro de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Durante o evento, a convidada falou sobre as organizações que coordena como pontes para a inclusão digital de minorias, tradicionalmente excluídas das atividades tecnológicas, como as mulheres negras.

Silvana é diretora do Olabi e coordenadora do PretaLab, laboratórios que oferecem alfabetização digital a mulheres negras e indígenas. A entrevistada ressaltou que, a despeito dos avanços no setor de tecnologia, os aparatos digitais não contribuíram para diminuir a desigualdade. “Esse universo tecnológico é muito branco, masculino, heteronormativo e classista”, disse, alegando ser este o motivo que a faz articular o trabalho às militâncias negra e feminista.

A ativista afirmou que se identificar como uma pessoa negra requer reflexão sobre essa identidade, consciência racial. Silvana chamou a atenção para os dados que revelam que jovens negros são assassinados a cada 23 minutos no Brasil. A causa disso, segundo a convidada, é a insensibilidade da sociedade diante da realidade dos negros. “A polícia mata, mas a sociedade enterra”, declarou.

 

A comunicadora incentiva a conquista de espaços em que negros são minorias, como a universidade e o ambiente tecnológico. Coordenadora do filme KBELA, que lida com a aceitação da beleza natural e da transição capilar, Silvana Bahia disse que também se mobiliza para que mulheres negras tenham mais destaque na carreira audiovisual. Ela colaborou para a criação da plataforma Afroflix, que disponibiliza filmes com pelo menos uma negra como realizadora.

Quando perguntada sobre a militância feminista no Facebook, a convidada disse ser a favor, e que tal manifestação é importante. “As redes sociais é a sociedade”. Por esse motivo, de acordo com Silvana, a comunicação do ativismo deve ser feita de maneira acessível para que tanto avós quanto patrões possam entender o movimento e, assim, ser

mais difundido.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

A (des)invisibilização da negritude pelo audiovisual

 

Laura dos Santos Suprani*

A jornalista Silvana Bahia participou de simulação de coletiva como atividade do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, e falou sobre sua trajetória e projetos na militância negra. A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de novembro. Silvana é formada em Comunicação Social e trabalha com iniciativas de tecnologia e inovação, e inserção digital para mulheres negras.

Silvana foi responsável pela comunicação do filme KBela, que trata do fenômeno da transição capilar e da conscientização da negritude. Feito por e para mulheres negras, o curta teve a direção de Yasmin Thainá e, na definição da entrevistada, aconteceu graças às “redes sociais e ao afeto”. A entrevistada disse ainda que o filme pode ser rodado e exibido no Cine Odeon, no Rio de Janeiro, a partir da ajuda de voluntários e contribuintes.

Segundo Silvana, KBela entrou para a história como o primeiro curta que esgotou os ingressos para exibição. Contou que o filme foi divulgado principalmente pela internet e fez grande sucesso entre o público. Apesar disso, não recebeu indicações para festivais nacionais e nem foi reconhecido pelos círculos tradicionais de cinema. O reconhecimento veio posteriormente, por parte de organizações internacionais como a AMAA (Africa Movie Academy Awards), que premiou KBela com o título de “Melhor Curta Metragem da Diáspora Africana”.

 

Quando questionada sobre o tema, Silvana declarou que o campo do audiovisual é muito elitizado, e que a produção foi marginalizada, sendo considerado fruto de movimento social e não vista como cinema. A jornalista afirmou também que um reflexo dessa realidade pode ser vista na pouca participação de negros no cinema nacional de grande bilheteria; apenas 4% de mulheres negras, por exemplo, (dado de pesquisa realizada pela UERJ).

A Afroflix é outro projeto que conta com a participação de Silvana e é uma possibilidade de reverter esse quadro. Ela explica tratar-se de uma Plataforma de streaming semelhante à Netflix, reunindo títulos que contenham, pelo menos, um realizador negro. Disse que no momento o projeto está parado, mas a proposta nasceu como uma ponte entre essas produções e sua distribuição, grande obstáculo encontrado pelos cineastas.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Comunicadora debate representatividade e inclusão

 

Lorena Alves da Costa*

Jornalista e mestre pela UFF, Silvana Bahia é diretora do Olabi – espaço de apropriação de novas tecnologias – e coordenadora do PretaLab, projeto que busca estimular mulheres negras e indígenas no campo tecnológico. Em entrevista coletiva realizada no Centro de Produção Multimídia (CPM), em dezembro de 2017, falou à turma do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) sobre sua carreira, projetos e vida pessoal.

Silvana é filha de nordestinos, mora na cidade do Rio de Janeiro, e disse ser a primeira da família a obter um título de graduação. A comunicadora contou que sua carreira teve inicio em um estágio de cinco anos no Observatório de Favelas da Maré. A instituição, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, desenvolve pesquisas e se dedica à proposição de políticas públicas voltadas para superação de desigualdade social nas favelas.

 

De acordo com Silvana, foi ainda no período de estágio no Observatório que iniciou a produção do filme KBela, em 2013, que trata da relação da mulher negra com o cabelo crespo. Contou que o curta-metragem estreou em 2015 e teve lotação máxima no cinema Odeon. Por trabalhar na área de comunicação do filme, Bahia relatou a experiência com a tecnologia ao se propor desenvolver o site de divulgação do curta.

Segundo Silvana, a participação no Olabi, a partir de 2016, permitiu que ela circulasse em espaços de inovação e tecnologias e percebesse a ausência de mulheres negras na área. A comunicadora relatou que esse cenário a motivou a desenvolver o PretaLab, projeto que integra as mulheres negras e indígenas ao campo tecnológico. Disse que a organização faz levantamentos sobre essas mulheres que trabalham com inovação no Brasil e seus relatos tornam-se uma referência para as outras.

A entrevistada explicou que para despertar o interesse por tecnologia nessas mulheres é importante mostrar que essa realidade não está distante delas, como muitas acreditam. Contou também que as empresas de tecnologia precisam ser mais inclusivas e investir em diversidade. Para a comunicadora, as tecnologias carregam as ideologias de seus desenvolvedores e por isso, é preciso que haja diversidade e que este seja um espaço democrático.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Luta pela democratização do acesso à tecnologia

 

Lucas Mathias*

“Comunicação, para mim, é fazer um texto que minha avó entenda, e o diretor da Ford também”, disse a jornalista Silvana Bahia, em simulação de entrevista coletiva na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). Silvana, que também é ativista e diretora do Olabi, organização de democratização da produção de tecnologia, esteve no Laboratório de Comunicação Crítica da ECO, dia 8 de dezembro, e falou sobre seus projetos de inclusão tecnológica e a atuação das mulheres negras na sociedade.

Da família baiana e paraense, Silvana contou que foi a primeira a entrar numa graduação e mestrado. De acordo com ela, ajudada por bolsa concedida pela empresa em que trabalhava, iniciou muito bem a faculdade de jornalismo, mas logo viu sua vida tomar caminhos inesperados, quando começou a trabalhar com tecnologia. Para a entrevistada, trabalhar com esse tema é essencial, já que parte considerável da sociedade não tem acesso à tecnologia a fundo. “Isso causa uma grande bola de neve, que acaba afastando uma parcela marginalizada da população do meio tecnológico, até por falta de referências”, ressaltou.

 

A entrevistada disse que o Olabi foi criado com o objetivo de aproximar a população negra da tecnologia, principalmente as mulheres, mais afetadas por essa falta de referências. “Muita gente acha que a internet é só o Facebook. O que a gente pensa no Olabi é como aproximar as pessoas de conteúdos high tech. Você pode subverter a lógica, mas primeiro tem que entender a lógica. O que é tecnologia para a gente?” De acordo com Silvana, a organização estimula a chamada cultura maker (faça você mesmo), algo já inerente ao brasileiro: “A cultura maker já acontece no Brasil há muito tempo. O baleiro do trem, o meu avô que constrói casas, já são makers”.

Outro tema da entrevista foi o crescimento dos movimentos sociais, principalmente do movimento negro. Silvana ressaltou as conquistas, como o avanço trazido pelas cotas  as universidades, ainda batendo nessa tecla das referências: “A geração da minha mãe cresceu sem nenhuma referência. Mas a minha geração, e as que virão, a partir do ingresso na universidade, se movimentam mais.” De acordo com Silvana, até mesmo a imersão dos jovens negros na universidade traz maior embasamento teórico ao movimento e maior autoridade. “Todas as teorias que a gente aprende e estuda, são coisas do mundo”, disse.

 

Silvana ressaltou ainda a aproximação da tecnologia junto aos movimentos e questões sociais: “O que é inovação afinal? A tecnologia não tem que ser só pela tecnologia, tem que ser de transformação social. Tem que resolver problemas. Comunicação, para mim, é fazer um texto que minha avó entenda, assim como o diretor da Ford.” A ativista ressaltou a importância de sua luta, e valorizou o uso da internet nesse processo: “A cada 23 minutos é assassinado um jovem negro no Brasil. A polícia mata, mas quem sustenta é a sociedade. Eu acho que a militância do Facebook é fundamental. Não exclui a militância fora da internet”, concluiu.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social de ECO/UFRJ

 

Era das redes digitais conta com a inovação tecnológica de estrelas além de seu tempo

 

Manuella Caputo Barreto*

Inovação tecnológica, inclusão social e representatividade negra foram os temas debatidos com a comunicadora e pesquisadora Silvana Bahia, durante simulação de coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). Silvana é diretora do makerspace Olabi e coordena o “PretaLab” – iniciativa que busca examinar a presença de meninas e mulheres negras e indígenas no campo tecnológico. A entrevista aconteceu no Centro de Produção Multimídia (CPM), dia 08 de dezembro 2017.

A convidada disse que começou como coordenadora de comunicação do Olabi. Hoje é diretora da organização que tem por objetivo democratizar o acesso aos meios, utilizando ferramentas cruciais para o avanço tecnológico na era das redes digitais. Com sede em Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro, Silvana contou que a empresa é regida por quatro frentes de atuação: problemas urbanos, educação para o século 21, empoderamento feminino e inovação para a sustentabilidade. De acordo com a entrevistada, o Olabi, idealizado no contexto da “cultura maker”, é um espaço não só de criação, mas também de troca e aprendizagem, ocupado tanto por profissionais quanto por amadores da área digital.

 

Durante a coletiva, Silvana falou também sobre outro projeto que busca o empoderamento feminino no espaço tecnológico, dessa vez, focado na atuação de mulheres negras e indígenas: o PretaLab. Sobre seu surgimento, a comunicadora contou que foi em decorrência da sua experiência pessoal de circular nos espaços de criação tecnológica e perceber que eles são majoritariamente ocupados por homens brancos, contando com uma baixa representatividade tanto de homens quanto de mulheres negras, mas também de mulheres no geral.

Tal como o filme “Estrelas Além do Tempo” (2017) trouxe para o cinema histórias de brilhantes cientistas negras, que apesar dos desafios da desigualdade social, tornaram-se pioneiras em diferentes áreas da tecnologia, o PretaLab procura registrar a ação de mulheres negras e indígenas que são referências na inovação tecnológica hoje. Para 2018, a entrevistada compartilhou que o PretaLab irá divulgar os dados das pesquisas realizadas em 2017, e a partir daí, promover iniciativas para que a presença feminina, negra e indígena seja ainda mais forte no campo tecnológico.

* Aluna do 2º período de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Jornalista hackeia e transforma tecnologias

 

Thales Mariz*

O Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) recebeu a jornalista Silvana Bahia para simulação de coletiva. A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Na ocasião, a convidada contou sua história, trajetória profissional e luta pelo acesso à democratização da tecnologia. Silvana é diretora do Olabi, coordena a PretaLab e colabora com a plataforma Afroflix. A entrevistada disse que foi facilitadora da RodAda Hacker, trabalhou com a parte de comunicação do filme KBELA.

Além de líder de projetos sociais, Silvana é integrante do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ. A entrevista contou que vem de uma família baiana e paraense, mas foi nascida e criada no Rio de Janeiro. Para ela, as maiores referências de sua vida são a mãe e a avó, mulheres fortes que a inspiram. Disse ter sido a primeira mulher da família a entrar para a universidade, fazendo graduação em jornalismo e mestrado no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da UFF.

 

Silvana falou que suas atividades como um todo sempre se relacionaram com direitoshumanos. Contou que começou como ativista no Observatório de Favelas da Maré, para posteriormente desenvolver outros projetos. Para ela, a saída do Observatório não representou uma mudança brusca, mas foi uma saída natural para as atividades e o ativismo que desenvolve hoje, como a PretaLab.

Segundo Silvana, a luta é pela democratização do acesso à tecnologia. “É extremamente importante que as pessoas tenham uma noção básica de tecnologia”. A entrevistada contou que foi partindo deste ponto que surgiu o Olabi, para oferecer o conhecimento de tecnologias, dos mais variados tipos. “Tecnologias, segundo a abordagem do Olabi, não se restringem apenas em computadores e softwares, como talvez a maioria das pessoas pensaria em um primeiro momento”. A entrevistada esclareceu que no Olabi, o estímulo de aprendizado e uso de tecnologias é usado como instrumento de transformação social para as pessoas.

 

Silvana Bahia falou sobre a ausência de mulheres nas áreas de tecnologias, e mais ainda de mulheres negras e indígenas. Disse que dessa ausência, surgiu a PretaLab, iniciativa do Olabi, com o objetivo de desenvolver e estimular o protagonismo de mulheres negras e indígenas nos setores de tecnologia, como forma de transformação social. Silvana concluiu afirmando que nunca se imaginou no ramo da tecnologia, que não gostava, mas que atualmente se assume como produtora de tecnologia, preparada para expandir os projetos.

*aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

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Dr. Raquel Paiva em entrevista para revista ÂNCORA

Confira a entrevista da Dr. Raquel Paiva de Araújo Soares para o Laboratório de Jornalismo e Editoração e a Revista ÂNCORA, parte do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFPB, em livro junto a outras treze entrevistas com pesquisadores do Brasil, Portugal e Colômbia que refletem as complexidades do jornalismo no contexto das mídias e do próprio campo comunicacional.

Confira o livro no link abaixo:

LIVRO_ESCUTAS_JORNALISMO_UFPB

 

Entrevistados: Antonio FAUSTO NETO, Carlos Eduardo FRANCISCATO, Claudia Irene de QUADROS, Demétrio de Azeredo SOSTER, Eduardo Campos PELLANDA, Eduardo MEDITSCH, Geneton MORAES NETO (in memorian) , João CANAVILHAS, Juliana COLUSSI, Marcos PALACIOS, Mirna TONUS, Raquel Paiva de Araujo SOARES, Rogério CHRISTOFOLETTI e Wellington PEREIRA.

Comunicador popular interfere na realidade da favela

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O líder do Coletivo Papo Reto utiliza ferramentas de comunicação, como celular, para o trabalho de vídeo-denúncia contra a violência policial no Complexo da Maré. Raull Santiago fez a primeira simulação de coletiva do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, levantando o interesse dos alunos. Em parceria com moradores locais, o Coletivo questiona a narrativa da mídia hegemônica, o discurso oficial da política e mostra o cotidiano de pessoas comuns na luta pelo direito à existência. O Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística é uma atividade do LECC.

 

“Nós por nós”: a favela pelo olhar dos moradores

 

Por Eliandra Bussinger Rodrigues*

O ativista social Raull Santiago foi o convidado da simulação de entrevista coletiva, realizada na Central de Produção e Multimídia (CPM), dia 10 de novembro. O encontro, com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, abordou diversos temas referentes às narrativas das favelas do Complexo do Alemão. Raull destacou o papel do coletivo Papo Reto para a democratização da comunicação e a necessidade de um espaço de expressão para os moradores.

Formado por diferentes meios do ativismo e por moradores do Complexo do Alemão, o Papo Reto surgiu no início de 2014. De acordo com o entrevistado, o coletivo é um espaço de denúncia, educação e recurso local de comunicação, que contrapõe a mídia  hegemônica. Raull Santiago ressaltou a importância dos moradores terem espaço para falar sobre sua própria história, independentes das lentes da mídia tradicional que, segundo ele, sempre enfatiza a violência quando fala sobre favelas, desconsiderando toda a expressão cultural presente.

O comunicador popular enfatizou esse ideal com a frase “nós por nós”, esclarecendo que representa a publicidade afirmativa do coletivo: comunicação feita da favela para a favela. Citou como exemplos de atividades oficinas de conhecimentos diversos para o público juvenil e infanto-juvenil, explicação de conceitos e debates de políticas públicas. Para Santiago, o coletivo vê a educação como a principal forma de cidadania, e um modo de capacitar os participantes a se expressarem. Disse que o trabalho realizado pelo coletivo vem sendo internacionalmente reconhecido. O Papo Reto possui parceria com o jornal americano The New York Times e com o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Segundo o entrevistado, o coletivo se mantinha, inicialmente, com recursos pessoais dos próprios integrantes, que intercalavam o emprego com as atividades do Papo Reto. Atualmente, após a nacionalização do coletivo, explicou que alguns grupos de patrocinadores apoiaram o projeto, como o Brazil Foundation e o Open Society Foundation. Para Raull Santiago, a partir da captação de recursos é possível continuar o trabalho de comunicação do coletivo e oferecer as oficinas para os moradores.

*Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Papo Reto” constrói voz periférica e coletiva

 

Joana Dupre*

“O estado dialoga com a gente através da mira do fuzil de um policial.” A afirmação foi feita pelo ativista e comunicador, Raull Santiago, durante simulação de entrevista coletiva, a convite do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ. O evento ocorreu na sexta, 10 de novembro, na Central de Produção Multimídia (CPM), momento em que Santiago discorreu sobre a violência policial nas favelas do Rio de Janeiro e o papel da comunicação neste cenário.

A trajetória de Raull Santiago como comunicador teve início na produção de eventos para o morro do Alemão, onde mora, como um baile para manter aberta a Lan House que havia no local. O entrevistado contou que após ganhar influência entre os moradores, criou um blog para atender a demanda local e, com isso, percebeu que o maior problema era a violência policial. Assim nasceu, em 2014, o coletivo Papo Reto, com frentes de trabalho de comunicação de resistência e publicidade afirmativa, buscando trazer visibilidade à favela, o Rio de Janeiro para além da Copa do Mundo.

Santiago chamou a atenção para a importância da discussão sobre guerra às drogas e sua base racista, em que negros e pobres morrem nas favelas como traficantes, enquanto moradores de bairros nobres são tratados como usuários. Contou que sofre ameaças de diversos policiais, e já teve que passar uma semana fora do Morro do Alemão com a família. Disse que o número de menores de idade no tráfico só aumenta, porque há, na juventude, um ideal de guerrilheiros atrás de vingança.

O coletivo funciona, segundo Santiago, como um meio de denúncia desta realidade. Explicou que conta com os moradores, que mandam vídeos e fotos da violência, e com organizações internacionais parceiras, que geram visibilidade, enquanto a mídia hegemônica brasileira esconde. Disse ainda que o Coletivo desenvolve e mostra o outro lado do Alemão, com o projeto “Nós por nós”, oferecendo oficinas para os jovens e divulgando histórias positivas. Desta forma, afirmou construir, pouco a pouco, a voz que falta às periferias.

*Aluna do 2º período do Curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Todos os dias, eu desacredito”

Kathlen Barbosa da Silva*

 

O comunicador popular Raull Santiago participou da primeira simulação de entrevista coletiva para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, na Escola de Comunicação da UFRJ, dia 10 de outubro. Santiago falou sobre as dificuldades do trabalho como ativista e as motivações para acreditar e fazer do espaço em que vive um lugar melhor.

Raull Santiago é morador do Complexo do Alemão, ativista de direitos humanos e co-fundador do Coletivo Papo Reto, que atua em duas vertentes principais: a comunicação de resistência e a publicidade afirmativa. A primeira, segundo o entrevistado, visa a discutir a violência racial no Alemão, assim como a atuação do Estado na comunidade. Já a segunda, objetiva valorizar e fortalecer o espaço da favela dando visibilidade à fala de quem o habita.

O convidado contou que o coletivo surgiu num momento de intensa segregação, na fase de preparação da cidade do Rio de Janeiro para receber os grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olímpiadas. Segundo Raull Santiago, nesse período, a única política pública do Estado para as favelas vinha da Secretaria de Segurança, por meio da atuação das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadoras). Nesse contexto, disse que a internet se apresentou como uma ferramenta útil para mudar a realidade, além de discutir as violações do Estado, praticadas pela polícia, e o racismo.

Para o comunicador, os policiais são pessoas como as da favela, mas que “passaram por uma lavagem cerebral”, com a imposição ideológica de que naquele espaço todo mundo é inimigo. A partir desse ponto de vista, esclareceu, o policial “viola direitos diversos para garantir sua integridade num ambiente hostil”. Santiago contou ainda que os jovens envolvidos com o tráfico atualmente têm como motivação defender a favela do policial, figura a quem eles consideram inimiga. A justificativa, disse, é um imaginário de revolta criado pela série de abusos que já sofreram.

Sobre o trabalho que realiza para evitar o envolvimento desses jovens com o tráfico, Santiago contou que o coletivo, em parceria com outras instituições ou pessoas, oferece oficinas de conhecimentos diversos. Elas buscam esclarecer questões como direitos, cidadania e usos da comunicação e produção audiovisual como ferramentas de pluralização de vozes. O comunicador popular afirmou que essa iniciativa busca combater a visão que a mídia hegemônica cria sobre a favela.

Por fim, ao ser questionado sobre seus medos e motivações para continuar realizando o trabalho, apesar das ameaças, Santiago exibiu a tatuagem “Acredite”, no braço direito, e afirmou: “todos os dias, eu desacredito”. De acordo com o ativista, a tatuagem é como um lembrete de que “as pessoas são as soluções assim como são os problemas”. Para Raull Santiago, são elas e suas mobilizações que o fazem reacreditar todos os dias. Segundo ele, essa é uma forma de criar coragem para continuar tentando mudar o cenário de desigualdade nas favelas.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

O Complexo do Alemão nunca esteve adormecido

Larissa Esposito*

“Não existe bala perdida se ela tem alvo e lugar”, afirmou Raull Santiago, principal figura do Coletivo Papo Reto. A declaração foi feita durante simulação de coletiva de imprensa para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, na Escola de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dia 10 de novembro. Raull Santiago falou sobre as principais denúncias sociais e organizacionais do Complexo do Alemão, e os investimentos culturais do coletivo. Dentre os principais problemas citou o racismo institucionalizado, o esquema do tráfico de drogas que mata 60 mil jovens por ano, a violência policial, e a estrutura das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora) que, segundo Santiago, foram instaladas já fadadas a ruir.

De acordo com o entrevistado, o objetivo do Papo Reto é construir uma comunicação que envolva ativismo. Santiago disse que o projeto conta com recursos populares, como grupo de Whatsapp e página no Facebook, em que dados podem ser levantados sobre os pontos mais perigosos do Complexo do Alemão, por meio de um conteúdo de informações multimídias, criado pelos próprios moradores.

“O Brasil não quer ser África, o Brasil quer ser Europa”, constatou Raull Santiago. O entrevistado quis mostrar que o cenário específico das favelas – onde a maioria dos habitantes é formada por negros, nordestinos, e de baixa renda – ainda é visto pelas classes média e alta como o inimigo da paz. Para essa elite, de acordo com o convidado, as favelas configuram uma realidade sociocultural que não deve ser seguida, por fugir aos padrões europeus enraizados na sociedade brasileira.

Raull Santiago insistiu que a negligência é majoritariamente governamental. Disse que os reflexos da formação da polícia militar definem o estereótipo de como seria um traficante. Segundo o entrevistado, os abusos e fatalidades consequentes de tal formação policial estão presentes na sensação de guerrilha entre os integrantes da favela e as autoridades. Santiago reconheceu que há policiais honestos e que apoiam as denúncias feitas pelo coletivo, mas ressaltou que eles continuam a ser comandados por aqueles que fazem parte da velha política corrupta de milícias.

Para Raull Santigo, a divulgação das produções artísticas locais também é importante. De acordo com o líder do coletivo, essa vertente busca explorar as manifestações positivas das favelas e tem como meio de propagação a publicidade afirmativa. Deu como exemplo a realização e a produção de documentários seriados com testemunhos de moradores que tentam transformar suas vidas. Finalizou a coletiva, dizendo que investe, igualmente, em oficinas com objetivo de democratizar o conhecimento tecnológico, para impedir um futuro excludente pelo analfabetismo digital.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Midiativismo é a aposta de comunicação do Coletivo Papo Reto

Laura dos Santos Suprani*

O comunicador popular Raull Santiago é ativista de Direitos Humanos nos Complexos do Alemão e da Penha e membro fundador do Coletivo Papo Reto. Fundado em meados de 2014, o coletivo atua como uma tentativa de retomada de narrativa sobre a favela dentro da favela. Em simulação de coletiva para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, da Escola de Comunicação Social da UFRJ (ECO), Santiago falou sobre mídia, violência e esperança. A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM) da ECO, dia 10 de novembro.

Durante o encontro, Santiago lembrou que as operações policiais e a violência aumentaram sugestivamente nas favelas do estado do Rio de Janeiro, com destaque para o Complexo do Alemão, por ocasião dos grandes eventos mundiais, sediados pelo Brasil e pela cidade do Rio, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Disse que esse foi também o momento de forte atuação do Coletivo Papo Reto, com o uso de uma das ferramentas de denúncias, frente aos acontecimentos, a chamada “vídeo como prova”. Segundo Santiago, por meio de registros em imagem de casos de abuso e agressão policial, o coletivo conseguiu gerar mobilizações entre moradores e a sociedade civil, com o objetivo em comum da redução da violência.

O entrevistado esclareceu que, associada à prática do “vídeo como prova”, uma das formas de atuação do coletivo é a chamada “comunicação de resistência”, em que são construídas redes de apoio e denúncia entre os moradores da favela. Contou que as informações sobre tiroteios e operações policiais são divulgadas em tempo real para evitar que pessoas fiquem vulneráveis à violência.

Santiago disse ainda que são promovidos debates sobre racismo estrutural da sociedade, direitos humanos e segurança pública, a partir de conversas com jovens. Para o comunicador popular, o coletivo procura atuar pela conscientização da população, abrindo espaço para que a população fale por si. Santiago observou a importância de ser ter um olhar positivo sobre a favela. Citou como exemplo a necessidade de manter as crianças afastadas do tráfico. Para tanto, acrescentou que o Coletivo Papo Reto é responsável pela divulgação e realização de eventos culturais nos territórios populares, produzindo oficinas entre jovens e crianças.

Raull Santiago declarou que o coletivo incentiva a denúncia e o combate à violência. Em parceria com outros meios de comunicação de organizações internacionais dos Estados Unidos, da Colômbia e da Palestina, disse que o coletivo Papo Reto trabalha na expansão de suas redes, trazendo mais visibilidade ao grupo e suas conquistas.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Raull Santiago discute violência policial durante entrevista coletiva

Lorena Alves Amaro da Costa*

“Não existe bala perdida se ela sempre tem um endereço.” A declaração foi dada pelo ativista social Raull Santiago em simulação de entrevista coletiva. O encontro aconteceu  na Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ (CPM), em 10  novembro de 2017. Essa afirmação denuncia um problema recorrente na cidade do Rio de Janeiro: a violência nas favelas e a consequente morte da população de maioria negra e de baixa renda.

Santiago (27) nasceu e cresceu no Complexo de Favelas do Alemão, na zona norte do  Rio de Janeiro. No final de 2013, junto com outros moradores locais, fundou o Coletivo  Papo Reto – um projeto de comunicação independente voltado para o ativismo. Conforme Santiago afirmou, o grupo trabalha com a comunicação de resistência, que discute a violência do Estado, a questão racial e os direitos humanos nas favelas.

O ativista criticou a omissão do Estado que tem a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) como única política presente no conjunto de favelas. “O Estado dialogava com a gente e até hoje dialoga nos observando a partir da mira de um fuzil de um policial.” Santiago defendeu a criação de políticas públicas no campo da saúde, educação, esporte  cultura para toda a população.

Com o objetivo de observar os conflitos e as violações existentes, o entrevistado contou que o Coletivo criou um grupo no Whatsapp, composto por moradores de diferentes áreas do Complexo do Alemão. Disse que a troca de informações possibilitou reduzir os danos causados pelas “chamadas balas perdidas”, o que viabiliza a identificação dos pontos mais violentos e a atuação com políticas públicas e projetos de arte e cultura nesses locais.

Segundo Santiago, essa rede de informações não foi suficiente para acabar com mortes por balas perdidas. Disse que o coletivo passou a acompanhar a operação policial e flagrou diversas violações de direitos humanos, como extorsões e execuções de pessoas já rendidas. Contou, ainda, que a divulgação dessa cobertura gerou diversas ameaças ao  grupo por parte da polícia, mas também reacendeu a discussão sobre segurança pública o que é algo muito positivo para o futuro do Complexo do Alemão.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Crescer sem perder a essência”

Lucas Mathias*

 

“Precisamos ocupar tendo consciência daquilo que a gente é, sem se deixar alienar”, foi o que disse Raull Santiago, um dos articuladores do Coletivo Papo Reto, que é hoje o principal veículo de comunicação comunitária do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Santiago esteve na Escola de Comunicação da UFRJ, dia 10 de novembro, em simulação de coletiva. A entrevista foi para o Laboratório de Comunicação Crítica e os temas abordados foram mídia e direitos humanos na favela.

Fundado em 2014, o Coletivo Papo Reto nasceu com a intenção de fazer um trabalho que há muito já não vinha sendo feito pela mídia hegemônica: noticiar e falar sobre os pontos positivos do Alemão, um dos maiores complexos de favelas do Rio. A proposta era atuar de modo diferente do que mostra a grande mídia. Segundo Raull Santiago, o grupo desejava um veículo de comunicação feito pelos moradores e para os moradores, mostrando a arte e a cultura do local.

O convidado afirmou que a imagem construída pela mídia sobre a favela é diferente da realidade cotidiana dos moradores. Segundo ele, a violência não nasce ali, vem de fora. Citou como exemplo o caso do menino Eduardo, de 10 anos, que brincava com um celular na porta de casa. A polícia pensou que fosse uma arma e atirou contra o garoto.

Raull Santiago contou que a articulação do Papo Reto no caso, levou o Estado a ocupar, pela primeira vez, a posição de réu, o que gerou a devida atenção da mídia. Lembrou que na época chegou a fazer transmissão ao vivo para a Globo News, onde trabalhou por um tempo. Tal exemplo foi crucial para mostrar a importância do Coletivo Papo Reto e da mídia comunitária, apesar do processo contra os policiais ter sido arquivado. Na entrevista, o convidado também falou que a atuação em conjunto com a mídia hegemônica é válida, desde que a essência não seja perdida.

Quando questionado sobre a perda da essência contra-hegemônica no período em que trabalhou para a Globo News, o ativista explicou: “Na perspectiva de vida do Brasil, a Globo é uma empresa em que muita gente quer trabalhar. Sobre violência eu não falo, mas falo sobre positividade dentro da favela. Ao trabalhar lá, você vai ter que peitar certas situações”. O entrevistado complementou que o Papo Reto tem parceiros junto à maioria das mídias hegemônicas, citando inclusive o jornal americano The New York Times. Santiago fez questão de deixar claro que é importante manter o papel de ativista social do lugar de onde veio e se orgulha.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Levante da comunicação surge da periferia

Manuella Caputo Barreto*

 

“Não discutir drogas é que o faz a gente morrer todo dia na periferia”. A declaração é do comunicador e integrante do Coletivo Papo Reto, Raull Santiago, durante uma simulação de coletiva de imprensa. Ele foi convidado pelo Laboratório de Comunicação Crítica para falar aos alunos do curso de Comunicação Social da UFRJ. O encontro aconteceu no dia 10 de novembro, no Centro de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ. Entre os temas debatidos, destacaram-se comunicação, política de drogas e violência na favela.

Comunicador, ativista, rapper e poeta, Raull Santiago atua pelo coletivo desde a criação, em 2014. O Papo Reto é formado por moradores do Complexo do Alemão e da Penha, que combinam comunicação independente e ativismo para produzir notícias pela e para a favela, além de publicidade afirmativa. Trabalhando com o “vídeo como prova”, o entrevistado contou que ele e os integrantes do coletivo já foram alvo de ameaças por parte de um grupo de policiais militares, motivados pelas denúncias de violência policial feitas pelo Papo Reto.

Em 2015, a iniciativa foi tema de uma longa matéria publicada pelo jornal americano, The New York Times, nos Estados Unidos. O comunicador popular contou que esse acontecimento impactou também a mídia no Brasil, que teve a atenção de seus veículos de comunicação voltada para o coletivo. Raull Santiago tem levado sua experiência para a grande mídia, por meio do “Rolezão GloboNews”, um núcleo criado para divulgar a produção realizada pela juventude periférica brasileira.

Durante a coletiva, o entrevistado afirmou que a “guerra às drogas está para o pobre, está para o preto”. Com isso em pauta, Santiago e o coletivo Papo Reto têm trabalhado o tema da política de drogas com os jovens da periferia. O comunicador e ativista integra também o projeto “Movimentos”, lançado no início de setembro no Centro de Artes da Maré. O projeto é constituído por jovens de diversas favelas e periferias do país, que buscam debater violência, racismo, desigualdade social e a política de drogas vigente no Brasil.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Ameaçado por proteger

Por Maria Clara Farias*

 

O comunicador popular e fundador do Coletivo Papo Reto, Raull Santiago, participou de simulação de coletiva para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A entrevista aconteceu na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 10 de novembro, ocasião em que o convidado falou acerca das ameaças sofridas, após denunciar a violência da polícia militar nas favelas.

Nascido em 2014, o Coletivo Papo Reto, segundo seu fundador, já sabia a que veio. Raull Santigo disse que o Coletivo surgiu com o intuito de divulgar os eventos do Complexo do Alemão, conjunto formado por 16 favelas, como feiras e oficinas, construindo uma cultura afirmativa local. Explicou também que uma das principais funções era fazer comunicação de resistência, com denúncias contra a violência racial, a violência do estado e a falta de políticas públicas no complexo. De acordo com Raull Santiago, desde o início do coletivo, os moradores foram incentivados a denunciarem os crimes, utilizando vídeos para terem provas das atrocidades que viam. Observou que tais atos de violência sempre foram negados pela polícia e pelas autoridades.

Segundo o entrevistado, essa coragem e vontade de denunciar trouxeram algumas situações preocupantes. Relatou que, desde 2015, um grande número de policiais começou a persegui-lo, ameaçando sua vida e a de seus familiares. Raull Santiago contou que certo dia dois homens – que depois foram reconhecidos como policiais – apareceram na escola de seu filho, de nove anos, perguntando se o menino estudava naquela escola. Santiago afirmou ter ficado em choque após receber o telefonema da escola com o relato. Segundo ele, essa foi a ameaça mais preocupante.

Apesar das ameaças, Santiago disse que sua luta é incansável por políticas públicas no Complexo do Alemão. Finalizou a coletiva, afirmando que é nascido da guerra e não sabe o que é paz. Para o entrevistado, a ação do Coletivo Papo Reto fez com que os crimes cometidos pela polícia nas favelas começassem a ser vistos pela mídia e não fossem mais ignorados.

*Aluna do 2º período do Curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Um morador de favela que faz história

 

Pr Anelise Gonçalves*

Com tranças rastafari, camisa de um coletivo negro e um enorme sorriso no rosto. Assim se apresentou o ativista Raull Santiago, na tarde do dia 10 de novembro, convidado pelo Laboratório de Comunicação Crítica da UFRJ. A simulação de entrevista coletiva levou os estudantes a conhecerem mais sobre o trabalho do comunicador, que também escreve e compõe raps. Por meio da mediação da professora Zilda Martins, cada futuro jornalista levantou sua questão, treinando a desenvoltura em entrevistas.

Raull Santiago é morador desde a infância do Complexo do Alemão e falou sobre seu cotidiano. Disse que está engajado em diversos programas sociais e na produção de matérias para plataformas digitais. Recentemente inaugurou seu vlog no Youtube “Fala Tú”, no qual são entrevistados empreendedores, oriundos de favelas cariocas. Durante a coletiva, o comunicador popular levantou questões sobre o racismo estrutural, a pobreza e o descaso do Estado.

Ao ser questionado sobre constantes ameaças, cessou o riso. Pai de um filho pequeno, Santiago contou que já tentaram extrair informações do menino, quando estava na escolinha. O escritor e rapper falou ainda sobre as provocações policiais que sofre, agravadas após declarar em TV nacional que não gostava da Polícia Militar. Santiago relatou que já precisou ficar uma semana fora de casa porque estava cercada. Disse que sempre ao adentrar a favela, inicia uma transmissão ao vivo via Facebook, como prova caso haja algum atentado contra sua vida.

Ativista assíduo contra as mídias dominantes, o convidado também falou sobre a aparente contradição de trabalhar com a GloboNews, uma gigante no atual cenário midiático. Segundo Santiago, o panorama encontrado na emissora foi totalmente diferente do que imaginava. Disse que na emissora, se recusou a fomentar o estereótipo da favela violenta e, sim, mostrar a cultura periférica. Contou que, por meio desse veículo, foi possível estabelecer conexões, angariar patrocínio e deixar um ganho para as periferias documentadas pelo programa.

O comunicador falou ainda sobre as relações com outros movimentos internacionais, como o Black Lives Matter (Vidas negras importam), movimento negro estadunidense. Relacionou a violência policial do Rio Janeiro à ocorrida em Medellín, na Colômbia, e estabeleceu um diálogo entre movimentos de comunicação do Brasil (cariocas) e movimentos de comunicação da Palestina, que está, oficialmente, em guerra. Ao final, o convidado agradeceu a oportunidade da participação na coletiva, deixando um convite aos futuros profissionais para conhecerem melhor seu trabalho e participarem de seu engajamento.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

Raull Santiago vai à luta

Por Thales Mariz*

Em entrevista com alunos da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), o comunicador popular Raull Santiago, do coletivo Papo Reto, contou as dificuldades e a resistência de se viver e fazer comunicação no Complexo do Alemão. O entrevistado, que também é ativista contra a violência policial e pelos direitos dos moradores locais, falou sobre o cotidiano e as ferramentas usadas para denunciar o abuso das narrativas dominantes sobre a favela. Santiago foi convidado pelo Laboratório de Comunicação Crítica da ECO para simulação de coletiva de imprensa com jovens estudantes de jornalismo. O encontro ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 10 de novembro.

O entrevistado disse que um dos objetivos do Coletivo Papo Reto é mostrar os fatos como eles são, uma realidade para além da violência revelada pela mídia tradicional. Santiago informou que uma das ferramentas usadas pelo Coletivo é um celular, por meio de vídeo-denúncia, e o conhecimento empírico de um morador nascido e criado no Alemão. Aliado ao poder das redes sociais, afirmou que vem conseguindo divulgar sua causa e o coletivo só faz crescer.

Raull Santiago lembrou que foi convidado pela GloboNews para ser repórter de favelas. Contou que anteriormente já havia falado mal da emissora, mesmo para a própria Globo, mas depois se viu lá dentro, como uma daquelas ironias da vida. Do tempo da GloboNews, relatou a experiência de conviver com jornalistas de classe média de pensamento elitizado e distantes da realidade. Disse que sua proposta era tentar desconstruir o discurso dominante sobre a favela e que ficou na emissora por um curto período, até perceber que o caminho seguido pelo canal não permitia mais falar da violência na cidade por ser ano de olimpíada.

Santiago também relatou o ativismo do Coletivo contra a opressão de policiais e que a Unidade Pacificadora de Política (UPP) já nasceu equivocada. Observou que filmar desmandos e crimes da polícia tem seu preço. Segundo o entrevistado, ele próprio e sua família, inclusive o filho pequeno na escola, já sofreram diversas ameaças. Disse que nas horas de perigo, o celular e testemunhas na rua são suas defesas. De acordo com Santiago as dificuldades não o enfraquecem, nem o afastam de seus ideais e sua luta por mais direitos e menos opressão para os moradores do Alemão. Ao concluir a coletiva, mostrou uma tatuagem no braço direito que diz ‘Acredite’. Contou que sempre que passa por momentos de dificuldade, olha para a tatuagem como fonte de inspiração e ganha força para seguir em frente na luta.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Pesquisadores do LECC são contemplados com prêmio CAPES

É com grande honra e satisfação que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) outorga a JOÃO PAULO CARRERA MALERBA, Menção Honrosa do Prêmio Capes de Tese 2016 da área de COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO pela tese “RÁDIOS COMUNITÁRIAS NO LIMITE: CRISE NA POLÍTICA E DISPUTA PELO COMUM NA ERA DA CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA”, defendida no ano de 2016, sob a orientação de RAQUEL PAIVA DE ARAÚJO SOARES, do Programa de Pós-Graduação em COMUNICAÇÃO da UFRJ.

 

O resultado foi publicado no Diário Oficial da União de 10 de outubro de 2017, seção 1, páginas 9 a 14, Portaria n° 199, de 06 de outubro de 2017, disponível no link http://capes.gov.br/CECOL/PortariaOutorgaPCT2017.pdf. A Menção Honrosa constitui-se de certificado, conforme especificado no Edital nº 18/2017, publicado no DOU de 17/05/2017.

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