Comunicadora defende a tecnologia como enfrentamento da desigualdade social

Imagem1.jpgA comunicadora e jornalista Silvana Bahia fechou o semestre de 2017 no Laboratório de Comunicação Crítica com uma coletiva sobre a importância da conquista de espaços de poder. Também ativista política, a convidada dirige o Olabi, projeto de laboratório de tecnologia, numa perspectiva de inclusão digital. A proposta é contemplar a população negra, a fim de reduzir o analfabetismo na área. Silvana explicou aos alunos que na contemporaneidade, a tecnologia representa um instrumento de transformação social e, de acordo com o uso, de redução das desigualdades sociais e raciais.

 

Representatividade subverte espaços de opressão

 

Eliandra Bussinger*

A jornalista e pesquisadora Silvana Bahia foi a segunda convidada para simulação de coletiva de imprensa do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ. Durante entrevista, ocorrida dia 8 de dezembro, Silvana contou sua trajetória no meio da comunicação e do ativismo. Destacou projetos como KBELA e PretaLab, iniciativas que marcam sua carreira e demonstram circulação em diferentes meios da comunicação, tecnologia e ativismo.

De origem baiana e paraense, Silvana disse ser a primeira graduada da família. Destacou a vivência nos setores da comunicação como um predominantemente branco, elitista e heteronormativo. Segundo a entrevistada, foi nesse contexto que percebeu a necessidade de subverter a lógica opressora. Contou que o KBELA, curta metragem sobre transição capilar e aceitação, foi uma das primeiras atuações no ativismo negro. A jornalista destacou esse trabalho como um dos melhores exemplos de seu papel comocomunicadora. Disse que a estreia do filme, no Cine Odeon, Rio de Janeiro, em 2015, marcou a primeira vez em que ingressos foram esgotados para a exibição de um curta metragem.

 

Com a repercussão do KBELA, Silvana contou que teve a oportunidade de alcançar outros meios e grupos, frequentar novos espaços e ocupar lugares que antes eram restritos a uma pequena classe. Ao participar do meio audiovisual brasileiro, a jornalista disse ter percebido a importância de tornar mais representativo outros segmentos, dando início ao PretaLab. A organização, segundo ela, busca coletar dados sobre mulheres negras e indígenas no meio tecnológico, e destacar a pluralidade na tecnologia, que muitas vezes é apagada ou desestimulada.

O projeto, como afirma Silvana, se articula em dois braços. O primeiro ponto de articulação são as pesquisas colaborativas para geração de dados. A jornalista contou que é preciso levantar esses dados para apontar um problema: o apagamento da ação feminina negra e indígena no meio tecnológico. Disse que o segundo ponto são as questões referenciais. “Nesse tópico busca-se entender quem são essas mulheres e a razão de poucas se inserirem nesse meio.” A proposta, segundo ela, é trazer referências de lideranças femininas que ocupam esse espaço, para que mais mulheres se sintam estimuladas a participarem. O PretaLab, mencionou Silvana, possibilitou as mulheres a se posicionarem, e finalizou: “A tecnologia tem que servir como instrumento para transformação social.”

*Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Projeto de desenvolvimento tecnológico luta por inserção digital

 

Joana Dupre*

“O digital está no centro do poder.” A afirmação foi dada pela ativista e jornalista Silvana Bahia, durante simulação de entrevista coletiva, realizada na Central de Produção Multimídia (CPM). Convidada pelo Laboratório de Comunicação Crítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Silvana falou sobre a importância da produção de tecnologia por mulheres, principalmente por mulheres negras, tradicionalmente excluídas. O evento ocorreu na sexta-feira, 8 de dezembro.

Silvana contou que foi a primeira pessoa da família a cursar o ensino superior. Trabalhou durante cinco anos no Observatório das favelas, organização responsável pelo reconhecimento de seu papel na luta pelos direitos humanos. Hoje é diretora do Olabi, um projeto de laboratórios de produção de tecnologia, e coordenadora do PretaLab, um desses laboratórios, voltado para as mulheres negras. Além disso, é facilitadora do RodadaHacker, que promove oficinas de empoderamento tecnológico feminino e foi co-coordenadora do plano de comunicação do curta KBela, sobre transição capilar.

 

A proposta, segundo Silvana, é reduzir o analfabetismo digital, qualificando o acesso às tecnologias. Na opinião da jornalista, é necessária a entrada de vozes das minorias nesse domínio, considerando ser a tecnologia o maior instrumento de transformação social na atualidade. Para ratificar esta necessidade, explicou que o PretaLab está fazendo um estudo de coleta de dados acerca das mulheres negras no mundo digital, a fim de perceber as carências. “Sem os dados, o problema não existe”.

Silvana disse ainda que os laboratórios são responsáveis por redesenhar a ideia de gambiarra, e inseri-la no ideal de cultura maker (faça você mesmo), notando como inovações, sendo mais uma face da tecnologia, desta vez fornecida pelas periferias. Segundo ela, essa cultura funciona como um meio de gerar reconhecimento do poder das minorias, inserindo-as em um ambiente dominado pela maioria.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Jornalista fala de crise de identidade profissional a alunos de Comunicação

 

João Carlos Martins*

“É sempre bom estar numa universidade”, disse a jornalista Silvana Bahia como forma de boa tarde aos alunos que assistiam a coletiva de imprensa do Laboratório de Comunicação Crítica, disciplina da Escola de Comunicação da UFRJ. A entrevista aconteceu na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Dentre os assuntos abordados, a entrevistada falou sobre a crise de identidade profissional.

Silvana é formada em Comunicação Social/Jornalismo e fez mestrado na UFF, em Niterói, com pesquisa sobre a ocupação do espaço público por arte urbana. De família baiana e paraense, a entrevistada disse ter se inspirado na mãe e na avó para continuar os estudos.Afirmou que o próximo objetivo é fazer Doutorado em Comunicação na UFRJ.

 

“Comunicação para mim é fazer um texto onde a minha avó vai entender e o diretor da Ford vai entender”, afirmou a entrevistada que, apesar da paixão pela área, enfrentou e ainda enfrenta dificuldades em se encontrar profissionalmente: “Hoje em dia, eu vivo uma crise de identidade profissional porque eu não me sinto jornalista.”

Silvana contou que às vezes se pergunta qual a sua profissão, para responder, em seguida, que não sabe. “Eu entrei em jornalismo muito pelo romantismo. Não sabia o que eu queria fazer, mas, dentre os cursos da faculdade, o que eu mais gostava era comunicação. Amava as matérias teóricas (de jornalismo), mas preferia as práticas de rádio”, lembrou.

 

A entrevistada contou que muitas vezes foi reprovada em seleções de estágio devido à cor da pele, o estilo de cabelo e as roupas coloridas. Segundo Silvana, a reprovação acontecia na entrevista, depois de ter passado em todas as etapas, o que a deixou frustrada com o jornalismo. “Hoje eu não me vejo muito como jornalista, porque eu publico muito pouco. Nessa minha crise, eu me vejo mais como articuladora das coisas e sujeito político”, concluiu.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Uma vida da Lagoa tem valor diferente da vida da Maré”

 

Kathlen Barbosa*

A jornalista, ativista e comunicadora popular Silvana Bahia esteve presente na Escola de Comunicação da UFRJ para simulação de coletiva junto aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, dia 8 de dezembro. Durante a entrevista, Silvana contou sobre o trabalho como coordenadora do projeto Pretalab e diretora do Olabi, que tratam de temas acerca da desigualdade social, direitos humanos e, principalmente, empoderamento negro e feminino, a partir de uma perspectiva tecnológica.

A entrevistada explicou o Olabi como um projeto que visa à democratização da produção de tecnologia, buscando incluir mulheres negras e indígenas nesse processo de inovação. Quanto ao Pretalab, Silvana esclareceu que o projeto atua em duas vertentes principais. A primeira é uma pesquisa colaborativa de abrangência nacional, ainda em curso, que tem por objetivo gerar dados sobre o acesso e a presença ativa de mulheres negras e indígenas na tecnologia. Já a segunda, esclareceu a convidada, é voltada para a “questão das referências”, uma das principais causas de contenção desse processo de democratização, aliada à “questão do acesso”.

 

Silvana contou que nos anos 1970/80, as mulheres dominavam a programação. “Nessa época, os homens falavam que a programação era a cozinha da computação, porque era lugar de mulher. Quando isso ganha outro status econômico, as mulheres são arrancadas desse processo”. A entrevistada esclareceu ainda que a geração de dados da qual se encarrega o Pretalab é muito importante porque não existe estatística no setor. Justifica, dizendo ser necessário quantificar a exclusão feminina, negra e indígena do processo de inovação tecnológica. Para Silvana, uma consequência importante desse processo de quantificação é que, a partir do momento em que os dados passam a existir, o problema da falta de democratização se materializa e “torna-se existente”.

Ao ser questionada sobre o papel da comunicação no processo de invisibilização da população negra, tanto no cenário de inclusão tecnológica, quanto no cenário social brasileiro como um todo, Silvana Bahia destacou a desigualdade racial no Brasil. “Uma vida da Lagoa tem valor diferente da vida da Maré”. A convidada abordou dados alarmantes sobre a violência contra jovens negros no país e afirmou que quando se reconheceu dentro de sua profissão, como jornalista negra e competente, percebeu que o jornalismo é uma ferramenta de transformação social. Silvana Bahia finalizou a coletiva falando sobre a importância das iniciativas que coordena. Na sua opinião, a tecnologia tem que servir para a transformação social, tentando provocar mudanças no cenário de desigualdade e privilégios no qual vivemos.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Quem são as mulheres high-tech?”

 

Laís Jannuzzi*

Mulher, negra, ativista e a primeira da família a ter um diploma do ensino superior, a jornalista Silvana Bahia conversou com alunos de comunicação da UFRJ. A coletiva foi realizada na Central de Produção e Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Na ocasião, a entrevistada falou sobre machismo, racismo e analfabetismo digital, temas abordados por projetos sob sua liderança. Também diretora do Olabi, organização de luta pela democratização tecnológica, Silvana justifica o engajamento: “Eu acho que muito do que eu faço tem a ver com o fato de ter nascido na era das mídias digitais”.

A entrevistada contou que ao coordenar a assessoria de imprensa do curta metragem “KBELA”, esbarrou com a programação de computadores. Segundo ela, o desejo de fazer um site para o filme independente fez com que participasse do evento “RodAda Hacker”, focado no ensino da linguagem de computação para mulheres. Segundo Silvana, esse primeiro contato foi decisivo para o direcionamento da carreira profissional. “Aquilo ali me empoderou de um jeito que… É aquilo, você nunca acha que pode fazer, e de repente fica pronto e isso é muito bom”.

 

A entrevistada disse que foi tendo cada vez mais intimidade com o universo das ciências da computação e que logo percebeu a ausência de mulheres negras e indígenas. Para Silvana, esse vazio não traduzia um desinteresse dessa parcela da população. Disse que muita gente como ela, que vive em favelas e áreas periféricas, tem interesse nas novas plataformas digitais e on-line.

 

De acordo com a entrevistada, dessa percepção surgiu o PretaLab, iniciativa que busca coletar informações para realizar o primeiro levantamento sobre a quantidade de mulheres negras e indígenas protagonistas no mundo tecnológico. Silvana disse que essa informação, depois de pronta, será o primeiro passo para a ressignificação e referência das mulheres negras e indígenas. “Se você não vê alguém parecido com você em um lugar, pode logo pensar que aquilo não é pra você”.

Ao ser questionada por um dos alunos sobre os próximos passos do PretaLab, a coordenadora respondeu: “Experimentação é tudo numa batalha das minorias. Eu não tenho como falar sobre isso agora, mas o relatório é o primeiro passo para acentuar essa disputa”.

*Aluna do 8º período do curso de Comunicação Social da Eco/UFRJ

 

Lugar de mulheres negras é no centro das decisões de poder

 

Larissa Esposito*

Comunicadora e ativista, Silvana Bahia participou de simulação de coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, no Centro de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Durante o evento, a convidada falou sobre as organizações que coordena como pontes para a inclusão digital de minorias, tradicionalmente excluídas das atividades tecnológicas, como as mulheres negras.

Silvana é diretora do Olabi e coordenadora do PretaLab, laboratórios que oferecem alfabetização digital a mulheres negras e indígenas. A entrevistada ressaltou que, a despeito dos avanços no setor de tecnologia, os aparatos digitais não contribuíram para diminuir a desigualdade. “Esse universo tecnológico é muito branco, masculino, heteronormativo e classista”, disse, alegando ser este o motivo que a faz articular o trabalho às militâncias negra e feminista.

A ativista afirmou que se identificar como uma pessoa negra requer reflexão sobre essa identidade, consciência racial. Silvana chamou a atenção para os dados que revelam que jovens negros são assassinados a cada 23 minutos no Brasil. A causa disso, segundo a convidada, é a insensibilidade da sociedade diante da realidade dos negros. “A polícia mata, mas a sociedade enterra”, declarou.

 

A comunicadora incentiva a conquista de espaços em que negros são minorias, como a universidade e o ambiente tecnológico. Coordenadora do filme KBELA, que lida com a aceitação da beleza natural e da transição capilar, Silvana Bahia disse que também se mobiliza para que mulheres negras tenham mais destaque na carreira audiovisual. Ela colaborou para a criação da plataforma Afroflix, que disponibiliza filmes com pelo menos uma negra como realizadora.

Quando perguntada sobre a militância feminista no Facebook, a convidada disse ser a favor, e que tal manifestação é importante. “As redes sociais é a sociedade”. Por esse motivo, de acordo com Silvana, a comunicação do ativismo deve ser feita de maneira acessível para que tanto avós quanto patrões possam entender o movimento e, assim, ser

mais difundido.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

A (des)invisibilização da negritude pelo audiovisual

 

Laura dos Santos Suprani*

A jornalista Silvana Bahia participou de simulação de coletiva como atividade do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, e falou sobre sua trajetória e projetos na militância negra. A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de novembro. Silvana é formada em Comunicação Social e trabalha com iniciativas de tecnologia e inovação, e inserção digital para mulheres negras.

Silvana foi responsável pela comunicação do filme KBela, que trata do fenômeno da transição capilar e da conscientização da negritude. Feito por e para mulheres negras, o curta teve a direção de Yasmin Thainá e, na definição da entrevistada, aconteceu graças às “redes sociais e ao afeto”. A entrevistada disse ainda que o filme pode ser rodado e exibido no Cine Odeon, no Rio de Janeiro, a partir da ajuda de voluntários e contribuintes.

Segundo Silvana, KBela entrou para a história como o primeiro curta que esgotou os ingressos para exibição. Contou que o filme foi divulgado principalmente pela internet e fez grande sucesso entre o público. Apesar disso, não recebeu indicações para festivais nacionais e nem foi reconhecido pelos círculos tradicionais de cinema. O reconhecimento veio posteriormente, por parte de organizações internacionais como a AMAA (Africa Movie Academy Awards), que premiou KBela com o título de “Melhor Curta Metragem da Diáspora Africana”.

 

Quando questionada sobre o tema, Silvana declarou que o campo do audiovisual é muito elitizado, e que a produção foi marginalizada, sendo considerado fruto de movimento social e não vista como cinema. A jornalista afirmou também que um reflexo dessa realidade pode ser vista na pouca participação de negros no cinema nacional de grande bilheteria; apenas 4% de mulheres negras, por exemplo, (dado de pesquisa realizada pela UERJ).

A Afroflix é outro projeto que conta com a participação de Silvana e é uma possibilidade de reverter esse quadro. Ela explica tratar-se de uma Plataforma de streaming semelhante à Netflix, reunindo títulos que contenham, pelo menos, um realizador negro. Disse que no momento o projeto está parado, mas a proposta nasceu como uma ponte entre essas produções e sua distribuição, grande obstáculo encontrado pelos cineastas.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Comunicadora debate representatividade e inclusão

 

Lorena Alves da Costa*

Jornalista e mestre pela UFF, Silvana Bahia é diretora do Olabi – espaço de apropriação de novas tecnologias – e coordenadora do PretaLab, projeto que busca estimular mulheres negras e indígenas no campo tecnológico. Em entrevista coletiva realizada no Centro de Produção Multimídia (CPM), em dezembro de 2017, falou à turma do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) sobre sua carreira, projetos e vida pessoal.

Silvana é filha de nordestinos, mora na cidade do Rio de Janeiro, e disse ser a primeira da família a obter um título de graduação. A comunicadora contou que sua carreira teve inicio em um estágio de cinco anos no Observatório de Favelas da Maré. A instituição, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, desenvolve pesquisas e se dedica à proposição de políticas públicas voltadas para superação de desigualdade social nas favelas.

 

De acordo com Silvana, foi ainda no período de estágio no Observatório que iniciou a produção do filme KBela, em 2013, que trata da relação da mulher negra com o cabelo crespo. Contou que o curta-metragem estreou em 2015 e teve lotação máxima no cinema Odeon. Por trabalhar na área de comunicação do filme, Bahia relatou a experiência com a tecnologia ao se propor desenvolver o site de divulgação do curta.

Segundo Silvana, a participação no Olabi, a partir de 2016, permitiu que ela circulasse em espaços de inovação e tecnologias e percebesse a ausência de mulheres negras na área. A comunicadora relatou que esse cenário a motivou a desenvolver o PretaLab, projeto que integra as mulheres negras e indígenas ao campo tecnológico. Disse que a organização faz levantamentos sobre essas mulheres que trabalham com inovação no Brasil e seus relatos tornam-se uma referência para as outras.

A entrevistada explicou que para despertar o interesse por tecnologia nessas mulheres é importante mostrar que essa realidade não está distante delas, como muitas acreditam. Contou também que as empresas de tecnologia precisam ser mais inclusivas e investir em diversidade. Para a comunicadora, as tecnologias carregam as ideologias de seus desenvolvedores e por isso, é preciso que haja diversidade e que este seja um espaço democrático.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Luta pela democratização do acesso à tecnologia

 

Lucas Mathias*

“Comunicação, para mim, é fazer um texto que minha avó entenda, e o diretor da Ford também”, disse a jornalista Silvana Bahia, em simulação de entrevista coletiva na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). Silvana, que também é ativista e diretora do Olabi, organização de democratização da produção de tecnologia, esteve no Laboratório de Comunicação Crítica da ECO, dia 8 de dezembro, e falou sobre seus projetos de inclusão tecnológica e a atuação das mulheres negras na sociedade.

Da família baiana e paraense, Silvana contou que foi a primeira a entrar numa graduação e mestrado. De acordo com ela, ajudada por bolsa concedida pela empresa em que trabalhava, iniciou muito bem a faculdade de jornalismo, mas logo viu sua vida tomar caminhos inesperados, quando começou a trabalhar com tecnologia. Para a entrevistada, trabalhar com esse tema é essencial, já que parte considerável da sociedade não tem acesso à tecnologia a fundo. “Isso causa uma grande bola de neve, que acaba afastando uma parcela marginalizada da população do meio tecnológico, até por falta de referências”, ressaltou.

 

A entrevistada disse que o Olabi foi criado com o objetivo de aproximar a população negra da tecnologia, principalmente as mulheres, mais afetadas por essa falta de referências. “Muita gente acha que a internet é só o Facebook. O que a gente pensa no Olabi é como aproximar as pessoas de conteúdos high tech. Você pode subverter a lógica, mas primeiro tem que entender a lógica. O que é tecnologia para a gente?” De acordo com Silvana, a organização estimula a chamada cultura maker (faça você mesmo), algo já inerente ao brasileiro: “A cultura maker já acontece no Brasil há muito tempo. O baleiro do trem, o meu avô que constrói casas, já são makers”.

Outro tema da entrevista foi o crescimento dos movimentos sociais, principalmente do movimento negro. Silvana ressaltou as conquistas, como o avanço trazido pelas cotas  as universidades, ainda batendo nessa tecla das referências: “A geração da minha mãe cresceu sem nenhuma referência. Mas a minha geração, e as que virão, a partir do ingresso na universidade, se movimentam mais.” De acordo com Silvana, até mesmo a imersão dos jovens negros na universidade traz maior embasamento teórico ao movimento e maior autoridade. “Todas as teorias que a gente aprende e estuda, são coisas do mundo”, disse.

 

Silvana ressaltou ainda a aproximação da tecnologia junto aos movimentos e questões sociais: “O que é inovação afinal? A tecnologia não tem que ser só pela tecnologia, tem que ser de transformação social. Tem que resolver problemas. Comunicação, para mim, é fazer um texto que minha avó entenda, assim como o diretor da Ford.” A ativista ressaltou a importância de sua luta, e valorizou o uso da internet nesse processo: “A cada 23 minutos é assassinado um jovem negro no Brasil. A polícia mata, mas quem sustenta é a sociedade. Eu acho que a militância do Facebook é fundamental. Não exclui a militância fora da internet”, concluiu.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social de ECO/UFRJ

 

Era das redes digitais conta com a inovação tecnológica de estrelas além de seu tempo

 

Manuella Caputo Barreto*

Inovação tecnológica, inclusão social e representatividade negra foram os temas debatidos com a comunicadora e pesquisadora Silvana Bahia, durante simulação de coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). Silvana é diretora do makerspace Olabi e coordena o “PretaLab” – iniciativa que busca examinar a presença de meninas e mulheres negras e indígenas no campo tecnológico. A entrevista aconteceu no Centro de Produção Multimídia (CPM), dia 08 de dezembro 2017.

A convidada disse que começou como coordenadora de comunicação do Olabi. Hoje é diretora da organização que tem por objetivo democratizar o acesso aos meios, utilizando ferramentas cruciais para o avanço tecnológico na era das redes digitais. Com sede em Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro, Silvana contou que a empresa é regida por quatro frentes de atuação: problemas urbanos, educação para o século 21, empoderamento feminino e inovação para a sustentabilidade. De acordo com a entrevistada, o Olabi, idealizado no contexto da “cultura maker”, é um espaço não só de criação, mas também de troca e aprendizagem, ocupado tanto por profissionais quanto por amadores da área digital.

 

Durante a coletiva, Silvana falou também sobre outro projeto que busca o empoderamento feminino no espaço tecnológico, dessa vez, focado na atuação de mulheres negras e indígenas: o PretaLab. Sobre seu surgimento, a comunicadora contou que foi em decorrência da sua experiência pessoal de circular nos espaços de criação tecnológica e perceber que eles são majoritariamente ocupados por homens brancos, contando com uma baixa representatividade tanto de homens quanto de mulheres negras, mas também de mulheres no geral.

Tal como o filme “Estrelas Além do Tempo” (2017) trouxe para o cinema histórias de brilhantes cientistas negras, que apesar dos desafios da desigualdade social, tornaram-se pioneiras em diferentes áreas da tecnologia, o PretaLab procura registrar a ação de mulheres negras e indígenas que são referências na inovação tecnológica hoje. Para 2018, a entrevistada compartilhou que o PretaLab irá divulgar os dados das pesquisas realizadas em 2017, e a partir daí, promover iniciativas para que a presença feminina, negra e indígena seja ainda mais forte no campo tecnológico.

* Aluna do 2º período de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Jornalista hackeia e transforma tecnologias

 

Thales Mariz*

O Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) recebeu a jornalista Silvana Bahia para simulação de coletiva. A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 8 de dezembro. Na ocasião, a convidada contou sua história, trajetória profissional e luta pelo acesso à democratização da tecnologia. Silvana é diretora do Olabi, coordena a PretaLab e colabora com a plataforma Afroflix. A entrevistada disse que foi facilitadora da RodAda Hacker, trabalhou com a parte de comunicação do filme KBELA.

Além de líder de projetos sociais, Silvana é integrante do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ. A entrevista contou que vem de uma família baiana e paraense, mas foi nascida e criada no Rio de Janeiro. Para ela, as maiores referências de sua vida são a mãe e a avó, mulheres fortes que a inspiram. Disse ter sido a primeira mulher da família a entrar para a universidade, fazendo graduação em jornalismo e mestrado no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da UFF.

 

Silvana falou que suas atividades como um todo sempre se relacionaram com direitoshumanos. Contou que começou como ativista no Observatório de Favelas da Maré, para posteriormente desenvolver outros projetos. Para ela, a saída do Observatório não representou uma mudança brusca, mas foi uma saída natural para as atividades e o ativismo que desenvolve hoje, como a PretaLab.

Segundo Silvana, a luta é pela democratização do acesso à tecnologia. “É extremamente importante que as pessoas tenham uma noção básica de tecnologia”. A entrevistada contou que foi partindo deste ponto que surgiu o Olabi, para oferecer o conhecimento de tecnologias, dos mais variados tipos. “Tecnologias, segundo a abordagem do Olabi, não se restringem apenas em computadores e softwares, como talvez a maioria das pessoas pensaria em um primeiro momento”. A entrevistada esclareceu que no Olabi, o estímulo de aprendizado e uso de tecnologias é usado como instrumento de transformação social para as pessoas.

 

Silvana Bahia falou sobre a ausência de mulheres nas áreas de tecnologias, e mais ainda de mulheres negras e indígenas. Disse que dessa ausência, surgiu a PretaLab, iniciativa do Olabi, com o objetivo de desenvolver e estimular o protagonismo de mulheres negras e indígenas nos setores de tecnologia, como forma de transformação social. Silvana concluiu afirmando que nunca se imaginou no ramo da tecnologia, que não gostava, mas que atualmente se assume como produtora de tecnologia, preparada para expandir os projetos.

*aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

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