Comunicador popular interfere na realidade da favela

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O líder do Coletivo Papo Reto utiliza ferramentas de comunicação, como celular, para o trabalho de vídeo-denúncia contra a violência policial no Complexo da Maré. Raull Santiago fez a primeira simulação de coletiva do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, levantando o interesse dos alunos. Em parceria com moradores locais, o Coletivo questiona a narrativa da mídia hegemônica, o discurso oficial da política e mostra o cotidiano de pessoas comuns na luta pelo direito à existência. O Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística é uma atividade do LECC.

 

“Nós por nós”: a favela pelo olhar dos moradores

 

Por Eliandra Bussinger Rodrigues*

O ativista social Raull Santiago foi o convidado da simulação de entrevista coletiva, realizada na Central de Produção e Multimídia (CPM), dia 10 de novembro. O encontro, com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ, abordou diversos temas referentes às narrativas das favelas do Complexo do Alemão. Raull destacou o papel do coletivo Papo Reto para a democratização da comunicação e a necessidade de um espaço de expressão para os moradores.

Formado por diferentes meios do ativismo e por moradores do Complexo do Alemão, o Papo Reto surgiu no início de 2014. De acordo com o entrevistado, o coletivo é um espaço de denúncia, educação e recurso local de comunicação, que contrapõe a mídia  hegemônica. Raull Santiago ressaltou a importância dos moradores terem espaço para falar sobre sua própria história, independentes das lentes da mídia tradicional que, segundo ele, sempre enfatiza a violência quando fala sobre favelas, desconsiderando toda a expressão cultural presente.

O comunicador popular enfatizou esse ideal com a frase “nós por nós”, esclarecendo que representa a publicidade afirmativa do coletivo: comunicação feita da favela para a favela. Citou como exemplos de atividades oficinas de conhecimentos diversos para o público juvenil e infanto-juvenil, explicação de conceitos e debates de políticas públicas. Para Santiago, o coletivo vê a educação como a principal forma de cidadania, e um modo de capacitar os participantes a se expressarem. Disse que o trabalho realizado pelo coletivo vem sendo internacionalmente reconhecido. O Papo Reto possui parceria com o jornal americano The New York Times e com o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Segundo o entrevistado, o coletivo se mantinha, inicialmente, com recursos pessoais dos próprios integrantes, que intercalavam o emprego com as atividades do Papo Reto. Atualmente, após a nacionalização do coletivo, explicou que alguns grupos de patrocinadores apoiaram o projeto, como o Brazil Foundation e o Open Society Foundation. Para Raull Santiago, a partir da captação de recursos é possível continuar o trabalho de comunicação do coletivo e oferecer as oficinas para os moradores.

*Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Papo Reto” constrói voz periférica e coletiva

 

Joana Dupre*

“O estado dialoga com a gente através da mira do fuzil de um policial.” A afirmação foi feita pelo ativista e comunicador, Raull Santiago, durante simulação de entrevista coletiva, a convite do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ. O evento ocorreu na sexta, 10 de novembro, na Central de Produção Multimídia (CPM), momento em que Santiago discorreu sobre a violência policial nas favelas do Rio de Janeiro e o papel da comunicação neste cenário.

A trajetória de Raull Santiago como comunicador teve início na produção de eventos para o morro do Alemão, onde mora, como um baile para manter aberta a Lan House que havia no local. O entrevistado contou que após ganhar influência entre os moradores, criou um blog para atender a demanda local e, com isso, percebeu que o maior problema era a violência policial. Assim nasceu, em 2014, o coletivo Papo Reto, com frentes de trabalho de comunicação de resistência e publicidade afirmativa, buscando trazer visibilidade à favela, o Rio de Janeiro para além da Copa do Mundo.

Santiago chamou a atenção para a importância da discussão sobre guerra às drogas e sua base racista, em que negros e pobres morrem nas favelas como traficantes, enquanto moradores de bairros nobres são tratados como usuários. Contou que sofre ameaças de diversos policiais, e já teve que passar uma semana fora do Morro do Alemão com a família. Disse que o número de menores de idade no tráfico só aumenta, porque há, na juventude, um ideal de guerrilheiros atrás de vingança.

O coletivo funciona, segundo Santiago, como um meio de denúncia desta realidade. Explicou que conta com os moradores, que mandam vídeos e fotos da violência, e com organizações internacionais parceiras, que geram visibilidade, enquanto a mídia hegemônica brasileira esconde. Disse ainda que o Coletivo desenvolve e mostra o outro lado do Alemão, com o projeto “Nós por nós”, oferecendo oficinas para os jovens e divulgando histórias positivas. Desta forma, afirmou construir, pouco a pouco, a voz que falta às periferias.

*Aluna do 2º período do Curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Todos os dias, eu desacredito”

Kathlen Barbosa da Silva*

 

O comunicador popular Raull Santiago participou da primeira simulação de entrevista coletiva para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, na Escola de Comunicação da UFRJ, dia 10 de outubro. Santiago falou sobre as dificuldades do trabalho como ativista e as motivações para acreditar e fazer do espaço em que vive um lugar melhor.

Raull Santiago é morador do Complexo do Alemão, ativista de direitos humanos e co-fundador do Coletivo Papo Reto, que atua em duas vertentes principais: a comunicação de resistência e a publicidade afirmativa. A primeira, segundo o entrevistado, visa a discutir a violência racial no Alemão, assim como a atuação do Estado na comunidade. Já a segunda, objetiva valorizar e fortalecer o espaço da favela dando visibilidade à fala de quem o habita.

O convidado contou que o coletivo surgiu num momento de intensa segregação, na fase de preparação da cidade do Rio de Janeiro para receber os grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olímpiadas. Segundo Raull Santiago, nesse período, a única política pública do Estado para as favelas vinha da Secretaria de Segurança, por meio da atuação das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadoras). Nesse contexto, disse que a internet se apresentou como uma ferramenta útil para mudar a realidade, além de discutir as violações do Estado, praticadas pela polícia, e o racismo.

Para o comunicador, os policiais são pessoas como as da favela, mas que “passaram por uma lavagem cerebral”, com a imposição ideológica de que naquele espaço todo mundo é inimigo. A partir desse ponto de vista, esclareceu, o policial “viola direitos diversos para garantir sua integridade num ambiente hostil”. Santiago contou ainda que os jovens envolvidos com o tráfico atualmente têm como motivação defender a favela do policial, figura a quem eles consideram inimiga. A justificativa, disse, é um imaginário de revolta criado pela série de abusos que já sofreram.

Sobre o trabalho que realiza para evitar o envolvimento desses jovens com o tráfico, Santiago contou que o coletivo, em parceria com outras instituições ou pessoas, oferece oficinas de conhecimentos diversos. Elas buscam esclarecer questões como direitos, cidadania e usos da comunicação e produção audiovisual como ferramentas de pluralização de vozes. O comunicador popular afirmou que essa iniciativa busca combater a visão que a mídia hegemônica cria sobre a favela.

Por fim, ao ser questionado sobre seus medos e motivações para continuar realizando o trabalho, apesar das ameaças, Santiago exibiu a tatuagem “Acredite”, no braço direito, e afirmou: “todos os dias, eu desacredito”. De acordo com o ativista, a tatuagem é como um lembrete de que “as pessoas são as soluções assim como são os problemas”. Para Raull Santiago, são elas e suas mobilizações que o fazem reacreditar todos os dias. Segundo ele, essa é uma forma de criar coragem para continuar tentando mudar o cenário de desigualdade nas favelas.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

O Complexo do Alemão nunca esteve adormecido

Larissa Esposito*

“Não existe bala perdida se ela tem alvo e lugar”, afirmou Raull Santiago, principal figura do Coletivo Papo Reto. A declaração foi feita durante simulação de coletiva de imprensa para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, na Escola de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dia 10 de novembro. Raull Santiago falou sobre as principais denúncias sociais e organizacionais do Complexo do Alemão, e os investimentos culturais do coletivo. Dentre os principais problemas citou o racismo institucionalizado, o esquema do tráfico de drogas que mata 60 mil jovens por ano, a violência policial, e a estrutura das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora) que, segundo Santiago, foram instaladas já fadadas a ruir.

De acordo com o entrevistado, o objetivo do Papo Reto é construir uma comunicação que envolva ativismo. Santiago disse que o projeto conta com recursos populares, como grupo de Whatsapp e página no Facebook, em que dados podem ser levantados sobre os pontos mais perigosos do Complexo do Alemão, por meio de um conteúdo de informações multimídias, criado pelos próprios moradores.

“O Brasil não quer ser África, o Brasil quer ser Europa”, constatou Raull Santiago. O entrevistado quis mostrar que o cenário específico das favelas – onde a maioria dos habitantes é formada por negros, nordestinos, e de baixa renda – ainda é visto pelas classes média e alta como o inimigo da paz. Para essa elite, de acordo com o convidado, as favelas configuram uma realidade sociocultural que não deve ser seguida, por fugir aos padrões europeus enraizados na sociedade brasileira.

Raull Santiago insistiu que a negligência é majoritariamente governamental. Disse que os reflexos da formação da polícia militar definem o estereótipo de como seria um traficante. Segundo o entrevistado, os abusos e fatalidades consequentes de tal formação policial estão presentes na sensação de guerrilha entre os integrantes da favela e as autoridades. Santiago reconheceu que há policiais honestos e que apoiam as denúncias feitas pelo coletivo, mas ressaltou que eles continuam a ser comandados por aqueles que fazem parte da velha política corrupta de milícias.

Para Raull Santigo, a divulgação das produções artísticas locais também é importante. De acordo com o líder do coletivo, essa vertente busca explorar as manifestações positivas das favelas e tem como meio de propagação a publicidade afirmativa. Deu como exemplo a realização e a produção de documentários seriados com testemunhos de moradores que tentam transformar suas vidas. Finalizou a coletiva, dizendo que investe, igualmente, em oficinas com objetivo de democratizar o conhecimento tecnológico, para impedir um futuro excludente pelo analfabetismo digital.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Midiativismo é a aposta de comunicação do Coletivo Papo Reto

Laura dos Santos Suprani*

O comunicador popular Raull Santiago é ativista de Direitos Humanos nos Complexos do Alemão e da Penha e membro fundador do Coletivo Papo Reto. Fundado em meados de 2014, o coletivo atua como uma tentativa de retomada de narrativa sobre a favela dentro da favela. Em simulação de coletiva para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, da Escola de Comunicação Social da UFRJ (ECO), Santiago falou sobre mídia, violência e esperança. A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM) da ECO, dia 10 de novembro.

Durante o encontro, Santiago lembrou que as operações policiais e a violência aumentaram sugestivamente nas favelas do estado do Rio de Janeiro, com destaque para o Complexo do Alemão, por ocasião dos grandes eventos mundiais, sediados pelo Brasil e pela cidade do Rio, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Disse que esse foi também o momento de forte atuação do Coletivo Papo Reto, com o uso de uma das ferramentas de denúncias, frente aos acontecimentos, a chamada “vídeo como prova”. Segundo Santiago, por meio de registros em imagem de casos de abuso e agressão policial, o coletivo conseguiu gerar mobilizações entre moradores e a sociedade civil, com o objetivo em comum da redução da violência.

O entrevistado esclareceu que, associada à prática do “vídeo como prova”, uma das formas de atuação do coletivo é a chamada “comunicação de resistência”, em que são construídas redes de apoio e denúncia entre os moradores da favela. Contou que as informações sobre tiroteios e operações policiais são divulgadas em tempo real para evitar que pessoas fiquem vulneráveis à violência.

Santiago disse ainda que são promovidos debates sobre racismo estrutural da sociedade, direitos humanos e segurança pública, a partir de conversas com jovens. Para o comunicador popular, o coletivo procura atuar pela conscientização da população, abrindo espaço para que a população fale por si. Santiago observou a importância de ser ter um olhar positivo sobre a favela. Citou como exemplo a necessidade de manter as crianças afastadas do tráfico. Para tanto, acrescentou que o Coletivo Papo Reto é responsável pela divulgação e realização de eventos culturais nos territórios populares, produzindo oficinas entre jovens e crianças.

Raull Santiago declarou que o coletivo incentiva a denúncia e o combate à violência. Em parceria com outros meios de comunicação de organizações internacionais dos Estados Unidos, da Colômbia e da Palestina, disse que o coletivo Papo Reto trabalha na expansão de suas redes, trazendo mais visibilidade ao grupo e suas conquistas.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Raull Santiago discute violência policial durante entrevista coletiva

Lorena Alves Amaro da Costa*

“Não existe bala perdida se ela sempre tem um endereço.” A declaração foi dada pelo ativista social Raull Santiago em simulação de entrevista coletiva. O encontro aconteceu  na Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ (CPM), em 10  novembro de 2017. Essa afirmação denuncia um problema recorrente na cidade do Rio de Janeiro: a violência nas favelas e a consequente morte da população de maioria negra e de baixa renda.

Santiago (27) nasceu e cresceu no Complexo de Favelas do Alemão, na zona norte do  Rio de Janeiro. No final de 2013, junto com outros moradores locais, fundou o Coletivo  Papo Reto – um projeto de comunicação independente voltado para o ativismo. Conforme Santiago afirmou, o grupo trabalha com a comunicação de resistência, que discute a violência do Estado, a questão racial e os direitos humanos nas favelas.

O ativista criticou a omissão do Estado que tem a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) como única política presente no conjunto de favelas. “O Estado dialogava com a gente e até hoje dialoga nos observando a partir da mira de um fuzil de um policial.” Santiago defendeu a criação de políticas públicas no campo da saúde, educação, esporte  cultura para toda a população.

Com o objetivo de observar os conflitos e as violações existentes, o entrevistado contou que o Coletivo criou um grupo no Whatsapp, composto por moradores de diferentes áreas do Complexo do Alemão. Disse que a troca de informações possibilitou reduzir os danos causados pelas “chamadas balas perdidas”, o que viabiliza a identificação dos pontos mais violentos e a atuação com políticas públicas e projetos de arte e cultura nesses locais.

Segundo Santiago, essa rede de informações não foi suficiente para acabar com mortes por balas perdidas. Disse que o coletivo passou a acompanhar a operação policial e flagrou diversas violações de direitos humanos, como extorsões e execuções de pessoas já rendidas. Contou, ainda, que a divulgação dessa cobertura gerou diversas ameaças ao  grupo por parte da polícia, mas também reacendeu a discussão sobre segurança pública o que é algo muito positivo para o futuro do Complexo do Alemão.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

“Crescer sem perder a essência”

Lucas Mathias*

 

“Precisamos ocupar tendo consciência daquilo que a gente é, sem se deixar alienar”, foi o que disse Raull Santiago, um dos articuladores do Coletivo Papo Reto, que é hoje o principal veículo de comunicação comunitária do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Santiago esteve na Escola de Comunicação da UFRJ, dia 10 de novembro, em simulação de coletiva. A entrevista foi para o Laboratório de Comunicação Crítica e os temas abordados foram mídia e direitos humanos na favela.

Fundado em 2014, o Coletivo Papo Reto nasceu com a intenção de fazer um trabalho que há muito já não vinha sendo feito pela mídia hegemônica: noticiar e falar sobre os pontos positivos do Alemão, um dos maiores complexos de favelas do Rio. A proposta era atuar de modo diferente do que mostra a grande mídia. Segundo Raull Santiago, o grupo desejava um veículo de comunicação feito pelos moradores e para os moradores, mostrando a arte e a cultura do local.

O convidado afirmou que a imagem construída pela mídia sobre a favela é diferente da realidade cotidiana dos moradores. Segundo ele, a violência não nasce ali, vem de fora. Citou como exemplo o caso do menino Eduardo, de 10 anos, que brincava com um celular na porta de casa. A polícia pensou que fosse uma arma e atirou contra o garoto.

Raull Santiago contou que a articulação do Papo Reto no caso, levou o Estado a ocupar, pela primeira vez, a posição de réu, o que gerou a devida atenção da mídia. Lembrou que na época chegou a fazer transmissão ao vivo para a Globo News, onde trabalhou por um tempo. Tal exemplo foi crucial para mostrar a importância do Coletivo Papo Reto e da mídia comunitária, apesar do processo contra os policiais ter sido arquivado. Na entrevista, o convidado também falou que a atuação em conjunto com a mídia hegemônica é válida, desde que a essência não seja perdida.

Quando questionado sobre a perda da essência contra-hegemônica no período em que trabalhou para a Globo News, o ativista explicou: “Na perspectiva de vida do Brasil, a Globo é uma empresa em que muita gente quer trabalhar. Sobre violência eu não falo, mas falo sobre positividade dentro da favela. Ao trabalhar lá, você vai ter que peitar certas situações”. O entrevistado complementou que o Papo Reto tem parceiros junto à maioria das mídias hegemônicas, citando inclusive o jornal americano The New York Times. Santiago fez questão de deixar claro que é importante manter o papel de ativista social do lugar de onde veio e se orgulha.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Levante da comunicação surge da periferia

Manuella Caputo Barreto*

 

“Não discutir drogas é que o faz a gente morrer todo dia na periferia”. A declaração é do comunicador e integrante do Coletivo Papo Reto, Raull Santiago, durante uma simulação de coletiva de imprensa. Ele foi convidado pelo Laboratório de Comunicação Crítica para falar aos alunos do curso de Comunicação Social da UFRJ. O encontro aconteceu no dia 10 de novembro, no Centro de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ. Entre os temas debatidos, destacaram-se comunicação, política de drogas e violência na favela.

Comunicador, ativista, rapper e poeta, Raull Santiago atua pelo coletivo desde a criação, em 2014. O Papo Reto é formado por moradores do Complexo do Alemão e da Penha, que combinam comunicação independente e ativismo para produzir notícias pela e para a favela, além de publicidade afirmativa. Trabalhando com o “vídeo como prova”, o entrevistado contou que ele e os integrantes do coletivo já foram alvo de ameaças por parte de um grupo de policiais militares, motivados pelas denúncias de violência policial feitas pelo Papo Reto.

Em 2015, a iniciativa foi tema de uma longa matéria publicada pelo jornal americano, The New York Times, nos Estados Unidos. O comunicador popular contou que esse acontecimento impactou também a mídia no Brasil, que teve a atenção de seus veículos de comunicação voltada para o coletivo. Raull Santiago tem levado sua experiência para a grande mídia, por meio do “Rolezão GloboNews”, um núcleo criado para divulgar a produção realizada pela juventude periférica brasileira.

Durante a coletiva, o entrevistado afirmou que a “guerra às drogas está para o pobre, está para o preto”. Com isso em pauta, Santiago e o coletivo Papo Reto têm trabalhado o tema da política de drogas com os jovens da periferia. O comunicador e ativista integra também o projeto “Movimentos”, lançado no início de setembro no Centro de Artes da Maré. O projeto é constituído por jovens de diversas favelas e periferias do país, que buscam debater violência, racismo, desigualdade social e a política de drogas vigente no Brasil.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

Ameaçado por proteger

Por Maria Clara Farias*

 

O comunicador popular e fundador do Coletivo Papo Reto, Raull Santiago, participou de simulação de coletiva para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A entrevista aconteceu na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 10 de novembro, ocasião em que o convidado falou acerca das ameaças sofridas, após denunciar a violência da polícia militar nas favelas.

Nascido em 2014, o Coletivo Papo Reto, segundo seu fundador, já sabia a que veio. Raull Santigo disse que o Coletivo surgiu com o intuito de divulgar os eventos do Complexo do Alemão, conjunto formado por 16 favelas, como feiras e oficinas, construindo uma cultura afirmativa local. Explicou também que uma das principais funções era fazer comunicação de resistência, com denúncias contra a violência racial, a violência do estado e a falta de políticas públicas no complexo. De acordo com Raull Santiago, desde o início do coletivo, os moradores foram incentivados a denunciarem os crimes, utilizando vídeos para terem provas das atrocidades que viam. Observou que tais atos de violência sempre foram negados pela polícia e pelas autoridades.

Segundo o entrevistado, essa coragem e vontade de denunciar trouxeram algumas situações preocupantes. Relatou que, desde 2015, um grande número de policiais começou a persegui-lo, ameaçando sua vida e a de seus familiares. Raull Santiago contou que certo dia dois homens – que depois foram reconhecidos como policiais – apareceram na escola de seu filho, de nove anos, perguntando se o menino estudava naquela escola. Santiago afirmou ter ficado em choque após receber o telefonema da escola com o relato. Segundo ele, essa foi a ameaça mais preocupante.

Apesar das ameaças, Santiago disse que sua luta é incansável por políticas públicas no Complexo do Alemão. Finalizou a coletiva, afirmando que é nascido da guerra e não sabe o que é paz. Para o entrevistado, a ação do Coletivo Papo Reto fez com que os crimes cometidos pela polícia nas favelas começassem a ser vistos pela mídia e não fossem mais ignorados.

*Aluna do 2º período do Curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

 

Um morador de favela que faz história

 

Pr Anelise Gonçalves*

Com tranças rastafari, camisa de um coletivo negro e um enorme sorriso no rosto. Assim se apresentou o ativista Raull Santiago, na tarde do dia 10 de novembro, convidado pelo Laboratório de Comunicação Crítica da UFRJ. A simulação de entrevista coletiva levou os estudantes a conhecerem mais sobre o trabalho do comunicador, que também escreve e compõe raps. Por meio da mediação da professora Zilda Martins, cada futuro jornalista levantou sua questão, treinando a desenvoltura em entrevistas.

Raull Santiago é morador desde a infância do Complexo do Alemão e falou sobre seu cotidiano. Disse que está engajado em diversos programas sociais e na produção de matérias para plataformas digitais. Recentemente inaugurou seu vlog no Youtube “Fala Tú”, no qual são entrevistados empreendedores, oriundos de favelas cariocas. Durante a coletiva, o comunicador popular levantou questões sobre o racismo estrutural, a pobreza e o descaso do Estado.

Ao ser questionado sobre constantes ameaças, cessou o riso. Pai de um filho pequeno, Santiago contou que já tentaram extrair informações do menino, quando estava na escolinha. O escritor e rapper falou ainda sobre as provocações policiais que sofre, agravadas após declarar em TV nacional que não gostava da Polícia Militar. Santiago relatou que já precisou ficar uma semana fora de casa porque estava cercada. Disse que sempre ao adentrar a favela, inicia uma transmissão ao vivo via Facebook, como prova caso haja algum atentado contra sua vida.

Ativista assíduo contra as mídias dominantes, o convidado também falou sobre a aparente contradição de trabalhar com a GloboNews, uma gigante no atual cenário midiático. Segundo Santiago, o panorama encontrado na emissora foi totalmente diferente do que imaginava. Disse que na emissora, se recusou a fomentar o estereótipo da favela violenta e, sim, mostrar a cultura periférica. Contou que, por meio desse veículo, foi possível estabelecer conexões, angariar patrocínio e deixar um ganho para as periferias documentadas pelo programa.

O comunicador falou ainda sobre as relações com outros movimentos internacionais, como o Black Lives Matter (Vidas negras importam), movimento negro estadunidense. Relacionou a violência policial do Rio Janeiro à ocorrida em Medellín, na Colômbia, e estabeleceu um diálogo entre movimentos de comunicação do Brasil (cariocas) e movimentos de comunicação da Palestina, que está, oficialmente, em guerra. Ao final, o convidado agradeceu a oportunidade da participação na coletiva, deixando um convite aos futuros profissionais para conhecerem melhor seu trabalho e participarem de seu engajamento.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

Raull Santiago vai à luta

Por Thales Mariz*

Em entrevista com alunos da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), o comunicador popular Raull Santiago, do coletivo Papo Reto, contou as dificuldades e a resistência de se viver e fazer comunicação no Complexo do Alemão. O entrevistado, que também é ativista contra a violência policial e pelos direitos dos moradores locais, falou sobre o cotidiano e as ferramentas usadas para denunciar o abuso das narrativas dominantes sobre a favela. Santiago foi convidado pelo Laboratório de Comunicação Crítica da ECO para simulação de coletiva de imprensa com jovens estudantes de jornalismo. O encontro ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 10 de novembro.

O entrevistado disse que um dos objetivos do Coletivo Papo Reto é mostrar os fatos como eles são, uma realidade para além da violência revelada pela mídia tradicional. Santiago informou que uma das ferramentas usadas pelo Coletivo é um celular, por meio de vídeo-denúncia, e o conhecimento empírico de um morador nascido e criado no Alemão. Aliado ao poder das redes sociais, afirmou que vem conseguindo divulgar sua causa e o coletivo só faz crescer.

Raull Santiago lembrou que foi convidado pela GloboNews para ser repórter de favelas. Contou que anteriormente já havia falado mal da emissora, mesmo para a própria Globo, mas depois se viu lá dentro, como uma daquelas ironias da vida. Do tempo da GloboNews, relatou a experiência de conviver com jornalistas de classe média de pensamento elitizado e distantes da realidade. Disse que sua proposta era tentar desconstruir o discurso dominante sobre a favela e que ficou na emissora por um curto período, até perceber que o caminho seguido pelo canal não permitia mais falar da violência na cidade por ser ano de olimpíada.

Santiago também relatou o ativismo do Coletivo contra a opressão de policiais e que a Unidade Pacificadora de Política (UPP) já nasceu equivocada. Observou que filmar desmandos e crimes da polícia tem seu preço. Segundo o entrevistado, ele próprio e sua família, inclusive o filho pequeno na escola, já sofreram diversas ameaças. Disse que nas horas de perigo, o celular e testemunhas na rua são suas defesas. De acordo com Santiago as dificuldades não o enfraquecem, nem o afastam de seus ideais e sua luta por mais direitos e menos opressão para os moradores do Alemão. Ao concluir a coletiva, mostrou uma tatuagem no braço direito que diz ‘Acredite’. Contou que sempre que passa por momentos de dificuldade, olha para a tatuagem como fonte de inspiração e ganha força para seguir em frente na luta.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

2 pensamentos sobre “Comunicador popular interfere na realidade da favela

  1. […] via Comunicador popular interfere na realidade da favela — LECC – UFRJ […]

  2. Marcia disse:

    Parabéns pela iniciativa. Parabéns ao entrevistado. Quem dera em cada periferia, em cada comunidade excluída, tivesse um trabalho como este do Papo Reto. Em cada cidade deste país…. o nosso país seria um lugar de harmonia e menos violência.

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