Pesquisadora do LECC fala sobre o mundo rural

image1Os alunos do Curso de Comunicação Crítica do primeiro semestre de 2016 tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho jornalístico em diferentes versões. Foram convidados três profissionais para simular coletiva de imprensa. A primeira entrevista teve como foco o jornalismo comunitário, a segunda, o mercado de trabalho. Já a terceira trouxe a pesquisa acadêmica, com a doutoranda Patrícia da Veiga, falando sobre o mundo rural no Rio de Janeiro. O Laboratório de Comunicação Critica é uma atividade do LECC – Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária e é ministrado pela professora Zilda Martins.

 

Desdobramentos de uma migrante no Rio de Janeiro

Carolina Ana*

Olhar sereno, assim se apresentou Patrícia da Veiga, doutoranda em Comunicação da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) para falar da tese de doutorado e do recorte sobre a ruralidade do Rio de Janeiro. A pesquisadora concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO, na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 15 de julho. Carioca, criada em Goiânia, Patrícia possui graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), especialização em Jornalismo Literário e mestrado em Comunicação também pela UFG.

“Narrativas entre campo e cidade: as dimensões do rural no Rio de Janeiro”, é o tema da tese de Patrícia, que desperta curiosidade e demonstra diferentes caminhos de pesquisa no campo da comunicação. Ligada às feiras orgânicas, a entrevistada descreveu como se encontrou na Feira de Olaria e na Feira do Grotão, e que achava as feiras da zona sul “plastificadas”.

Segundo a entrevistada, com esse tema desbravou o Rio de Janeiro. Disse que viajou para o interior, para atuar como pesquisadora observante e que absorveu muito, pessoalmente e academicamente. Quando retornou à capital, mergulhou nas feiras orgânicas, seu objeto de estudo.

Para a jornalista, a ruralidade urbana é “uma construção coletiva, construção de vida na cidade” que vai além do campo. Explicou que “a agricultura urbana é aquela que planta nos limites da cidade.” Disse ainda que procurando entender “nossa relação com o rural, não percebemos, mas essa é muito presente devido ao fato de o Brasil ser um país agrícola.”

Afastada por um tempo do jornalismo literário, Patrícia esclareceu que o reencontrou no doutorado, utilizando da descrição como um dos métodos de escrita. Em seus artigos é possível encontrar trechos da literatura brasileira em conexão com seus discursos. Sempre focada no presente, a pesquisadora disse que sua primeira prioridade é viver. Em segundo lugar, deseja terminar a tese.

Encantada pelo caminho da errância, Patrícia têm o interesse de estudar, no futuro, os andarilhos, por acreditar que “caminhar sem rumo nos faz perceber detalhes da cidade”. Pretende voltar para Goiânia e futuramente para as salas de aula como professora.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Pesquisadora retrata o meio rural em tese de doutorado

Fabiano Silveira*

Em simulação de coletiva de imprensa aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), a jornalista Patrícia da Veiga contou como transformou sua paixão pelas pessoas e histórias do mundo rural em pesquisa de doutorado. A entrevistada disse que sua experiência de trabalhar em uma rádio popular de Goiânia, antes de se formar na área, foi muito importante e despertou a vontade de lidar diretamente com o publico. Patrícia é jornalista e mestre pela Universidade Federal de Goiás e veio para o Rio com o objetivo de estudar o mundo rural do estado, em especial, o da capital.

A pesquisadora esclareceu que se deparou com muitas feiras na cidade, e esse ambiente a fez discorrer sobre aspectos e diferenças entre o agricultor rural e o agricultor urbano. Para a jornalista foi somente ao encontrar a Feira Orgânica de Olaria, a primeira desse gênero no subúrbio, que começou a ter o verdadeiro contato com agricultores e os demais trabalhadores. Contou que a feira era constituída de um espaço comum para tais pessoas, um local onde os trabalhadores podiam conviver e debater assuntos do interesse geral. Patrícia relatou que ao entrevistar mais de 30 feirantes percebeu uma vontade mútua de se ajudarem, de construírem algo juntos.

A jornalista discorreu sobre a importância de dar voz a essas pessoas que não aparecem muito no jornalismo e quando aparecem são retratadas de forma estereotipada. “O mundo rural se relaciona com a prática social. O rural não é só aquilo que está no campo, é algo que as pessoas constroem juntas”, observou.

Patrícia, que trabalha há mais de 10 anos em uma universidade pública, disse que buscou seguir mais de uma corrente teórica para embasar sua pesquisa, por isso mesclou conceitos da Escola de Frankfurt e do Marxismo. Afirmou que a vida pode se encaixar perfeitamente com os textos, mas também pode ser mais dinâmica do que eles. E ressaltou que após a conclusão do doutorado quer voltar a ouvir e conhecer as pessoas. “Pesquisa é uma forma de compreender o mundo e como o mundo transcende a própria pesquisa”, concluiu.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Jornalista explora vida rural no Rio de Janeiro

Gabriela Morgado*

A jornalista e pesquisadora Patrícia da Veiga, 33 anos, compareceu à terceira simulação de coletiva para alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 15 de julho. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás, Patrícia veio para o Rio de Janeiro, onde trabalha a tese de doutorado definida por ela mesma como um estudo do mundo rural na cidade do Rio.

Para a entrevistada, a pesquisa acadêmica é uma forma de compreender o mundo, mas, ao mesmo tempo, observar que esse transcende o próprio estudo e suas bases teóricas. De acordo com Patrícia, apesar de a academia ser “fechada”, ou seja, a produção científica se encontrar por vezes restrita, foi por meio da pesquisa que conseguiu realizar o que desejava há muito tempo: observar e ouvir as pessoas. No jornalismo, disse, muitas falas são cortadas e nem sempre todos têm oportunidade de se expressar.

A pesquisadora contou que a partir da observação e da escuta decidiu realizar sua tese como uma “etno-reportagem”: um modo etnográfico de se produzir. Disse que anda pela cidade, vai atrás das pessoas, ouve suas histórias com a devida atenção. O resultado é que acabou conhecendo vários lugares diferentes do Rio e se interessou, particularmente, pelas histórias dos vendedores de uma feira orgânica do subúrbio.

Disse também que cada feirante entrevistado tinha noção do que era o “rural” e do relacionamento para a construção de uma comunidade, de uma vida melhor. “Existe um esforço das pessoas de cultivar a vida. Esse esforço, que existe na cidade, no sertão, nas ruas, nas montanhas, é justamente um elemento do mundo rural que a gente ainda carrega”. A hipótese da pesquisadora é que o mundo rural contemporâneo é algo construído pelas pessoas, a partir de suas experiências de vida e de influências externas, como da mídia, por exemplo.

Patrícia contou ainda que lendo sobre sociologia e mundo rural, acabou se interessando pelo assunto da errância. Explicou que muitos autores defendem que o “andar sem rumo” só é possível dentro do meio urbano, o que a indignou. Confessou que pretende contrapor essa visão em uma pesquisa futura, falando sobre os andarilhos do campo, mostrando quem são e sua diversidade. No entanto, a pesquisadora mostrou não ter pressa. Quando perguntada sobre seus planos futuros, respondeu que seu segundo objetivo do momento é concluir a tese de doutorado e o “objetivo número um é viver”, frase que ouviu de uma bailarina e que, desde então, usa quando questionada sobre seus objetivos.

* Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Pesquisadora fala sobre o mundo rural contemporâneo

Julio Cesar Lyra*

A jornalista e doutoranda Patrícia da Veiga concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). O tema da coletiva foi a tese de doutorado. Interessada em Comunicação Popular, Patrícia contou que apesar de ter passado por outras áreas, como a docência, mergulhou verdadeiramente no mundo rural. A conversa foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), dia 15 de julho de 2016.

Nascida no Rio de Janeiro e criada em Goiás, Patrícia contou que fez o caminho contrário. Seu primeiro trabalho foi na docência. Deu aulas durante três anos na Universidade Federal de Rondônia, mas afirmou que ainda sentia necessidade de estudar. A jornalista observou que a atividade de docente requer do profissional muito trabalho de troca e vontade de aprender. Disse que tem interesse em retornar à sala de aula.

Filha de agrônomo, Patrícia observou que o meio rural sempre lhe chamou atenção, e que já trabalhou como comunicadora popular de uma feira de agricultores familiares. Ao vir para o Rio de Janeiro, segundo ela, uma cidade estereotipada quanto à existência de um espaço rural, se sentiu atraída pelas feiras orgânicas. A entrevistada contou que inicialmente achou as feiras orgânicas da zona sul “sem vida”, plastificadas, apesar do aspecto saudável e bonito. Depois de um tempo, descobriu uma feira de orgânicos no subúrbio.

Foi da feira do subúrbio, especialmente, que a pesquisadora conseguiu seu objeto de estudo. Disse que o principal ponto de sua pesquisa é dimensionar o que é “rural” no contemporâneo, o mundo rural que dialoga com a cidade. Segundo a entrevistada, por meio desse grupo, iniciado no bairro de Olaria, percebeu a existência de uma forte relação entre a noção de rural das pessoas e a questão do afeto, construção do ‘estar junto’, e chamou isso de “cultivo do comum”.

Para o futuro, além do retorno às salas de aula na função de professora, a jornalista contou que tem como projeto conhecer quem são os andarilhos do campo que fazem “errâncias” e caminham sem rumo, para identificar detalhes que passam despercebidos no cotidiano.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Jornalista une pesquisa e afeto

Kariny Leal*

A jornalista e doutoranda Patrícia da Veiga, em entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), contou como uniu paixão pessoal à tese de doutorado. Após iniciar vida acadêmica em Goiás e Rondônia disse que escolheu o Rio de Janeiro como sede da pesquisa. Ao responder as perguntas dos estudantes, a entrevistada explicou como foram essas experiências e falou das perspectivas para o futuro.

Patrícia é especializada em Jornalismo Literário. “O jornalismo me ajudou a descobrir que eu queria ouvir as pessoas”. A entrevistada disse que ouvir as pessoas sempre foi sua maior paixão desde a graduação. No trabalho da tese de doutorado acrescentou que conseguiu unir essa atração às obrigações acadêmicas.

Segundo a jornalista, sua trajetória foi marcada por diferentes funções que ajudaram muito a avançar em direção aos próprios sonhos. Entre emissora de rádio, assessoria de imprensa e jornal impresso, a pesquisadora contou que nenhuma dessas modalidades era suficiente para satisfazer a vontade de aprofundamento das questões. Afirmou que encontrou na pesquisa a oportunidade que esperava. “Pesquisar é uma forma de observar o mundo e ver que ela transcende os textos”.

Também docente, Patrícia acrescentou que sua insatisfação com os veículos tradicionais da mídia se deu por conta do tratamento dado aos relatos dos entrevistados. A crítica da jornalista é que nem as revistas, nem os jornais, nem as emissoras de televisão, em sua maioria, dão espaço ao público, quando esse espaço é cedido, as falas são editadas, as ideias não circulam na íntegra.

Quando questionada sobre seus planos para o futuro, Patrícia, de forma bastante descontraída, disse que agora só está pensando em terminar o doutorado. Depois de concluído, a entrevistada disse que gostaria muito de prosseguir no campo da pesquisa e, da próxima vez, pretende saber com mais profundidade sobre a vida dos andarilhos do campo. O ato de andar como método de observação é, segundo ela, a base de seus estudos.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Da paixão pela observação ao mergulho rural na cidade

A jornalista Patrícia da Veiga, hoje pesquisadora, chegou no mundo rural enquanto caminhava rumo a um maior contato com o público pela profissão.

Marcella Falcao*

A forma de observar o mundo adotada no âmbito da pesquisa ganhou o coração da jornalista e doutoranda Patrícia da Veiga. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, no ano de 2004, especializou-se em Jornalismo Literário, mas enveredou pelo caminho acadêmico. Teve curta experiência no “mercado da notícia” ao passar por rádio, jornal impresso e assessoria de imprensa, na cidade natal, Goiânia. A pesquisadora concedeu entrevista coletiva aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) na sexta, 15 de julho, e confessou duas paixões, uma pela observação, a outra pela vida rural.

Patrícia declarou que encontrou na academia o lugar ideal para fugir dos limites editoriais e poder investir na busca de contato com as pessoas, estabelecendo uma relação de maior proximidade. Segundo a jornalista, sua vida profissional começou pelo caminho inverso: a docência, um trabalho que exige muito, mas que envolve muita troca. Quando passou a divulgar feiras locais, em Goiânia, contou que se aproximou do mundo da agricultura, e se sentiu atraída pela forma como o campo traz a novidade para a cidade grande.

A entrevistada disse que a partir da percepção de que a pesquisa transcende os textos mergulhou de cabeça no mundo rural, dando início a intenção de fazer com que a ciência una vida, cotidiano e teoria. "A pesquisa dá mais espaço às pessoas, mas não retorna à elas de maneira tão eficaz. Já o jornalismo não dá o espaço devido e não retrata a pessoa de maneira fidedigna", afirmou. A tese de doutorado de Patrícia é sobre a ruralidade do Rio de Janeiro e os agricultores urbanos. No início, a pesquisadora visitou as feiras orgânicas da Zona Sul da cidade, mas disse que foi em Olaria que se encontrou. Além de visitas e observações, a doutoranda entrevistou 36 pessoas, entre produtores, vendedores e apreciadores.

A entrevistada, que tinha deixado o jornalismo literário de lado durante a carreira, disse que o trouxe de volta pela etno-reportagem. No trabalho de tese, a pesquisadora explicou que a entrevista e escrita do jornalismo literário vem pontuando o mundo rural na cidade do Rio de Janeiro, além daquele espalhado por alguns municípios, assim como o ruralismo presente no campo e na cidade. De acordo com Patrícia, ela vem descobrindo o mundo rural no Rio de Janeiro e quebrando estigmas construídos pela mídia. A pesquisadora disse, ainda, que está aprendendo a lidar com o bônus e o ônus de viver na cidade, desenvolvendo em si seu próprio conceito de “cultivo do comum”.

Para o futuro, a jornalista pensa em procurar os andarilhos do campo, os que usam a caminhada como procedimento de descoberta de pessoas e lugares. Aqueles que caminham sem rumo para enxergar os detalhes que não se conhecem, que são vistos e não percebidos. Busca a prova de que estes habitam também o campo, e que há muito de novo para se observar no mundo rural.

* Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Pesquisadora apresenta o “rural no Rio”

Mariana Martins*

Em entrevista a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), a doutoranda Patrícia da Veiga relatou seu percurso como jornalista e pesquisadora do “mundo rural” no Rio de Janeiro. A coletiva foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), na sexta, 15 de julho.

Especializada em Jornalismo Literário e formada em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás, Patrícia atuou como professora durante três anos em Rondônia. No mercado, a jornalista exerceu suas atividades, por curto período de tempo, em assessoria de imprensa, rádio e jornal impresso. Patrícia confessou que sentia um vazio, uma sensação de que faltava alguma coisa ao estar longe da academia. “O jornalismo me mostrou que eu queria trabalhar ouvindo as pessoas”.

De acordo com a entrevistada, a rapidez do mundo jornalístico e a falta de proximidade com as pessoas contribuíram para que optasse pela pesquisa. Afirmou também ter maior interesse pela academia em função da disponibilidade de mais tempo para fazer contato com os indivíduos e ler vários autores na tentativa de compreender como aplicar a teoria à realidade.

A jornalista contou que em 2011 passou a trabalhar como comunicadora popular em uma feira de agricultores e desde então aborda o assunto. Disse ter feito um extenso trabalho de observação para a tese, em sua busca pelo “rural do Rio de Janeiro”. “Eu tive que andar na cidade, procurar pessoas, conhecê-las, ouvir suas histórias, pra achar o rural em suas vidas”.

Segundo Patrícia, na feira orgânica de Olaria, por um período de dois anos, estudou as relações interpessoais e conheceu a história de cada grupo estabelecido ali. Relatou ainda que a partir dessa experiência aprofundou o conhecimento sobre o “rural do Rio”, visitando locais como Magé, Petrópolis, Tinguá e favelas de que só ouvia falar quando vivia em Goiânia.

A doutoranda acrescentou que o interesse por conhecer e ouvir pessoas, além de buscar diferentes abordagens sobre determinados assuntos, são suas motivações para querer continuar estudando. Patrícia comentou ainda que muitas classes sociais aparecem de maneira estereotipadas nos jornais e seu objetivo é garantir espaço na academia para falar sobre as pessoas como elas são, sem ideias pré-concebidas.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

Feira orgânica do subúrbio cultiva carinho

Mathias Felipe*

A jornalista e doutoranda Patrícia da Veiga foi a última entrevistada do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), do primeiro semestre de 2016. Patrícia falou sobre sua pesquisa, descreveu os caminhos que a levaram a fazer escolhas, dentre eles a presença da agronomia na sua vida, a necessidade de ouvir as pessoas e as experiências com o mundo rural no Rio de Janeiro.

Filha de agrônomo, a jornalista teve contato com o mundo da agricultura desde cedo. Durante sua carreira, trabalhou em rádio e jornalismo impresso, mas disse que faltava algo. Sabia que gostava de ouvir a história de vida das pessoas e sentia que o mercado nem sempre tinha espaço para elas, o que acabava gerando falas cortadas e estereotipadas.

Patrícia acabou encontrando o jornalismo literário, momento em que foi apresentada pelo professor Edvaldo Pereira Lima ao trabalho do novo jornalismo americano. Dentre os diversos autores, disse que se apaixonou pelo trabalho de Joseph Mitchell, um dos nomes fundamentais da revista New Yorker e que contou histórias de pessoas anônimas ou excêntricas para abordar casos reais.

Segundo a pesquisadora, esse era um modo afetivo de escrever sobre o real. Na sua avaliação, a academia poderia ser uma forma de desenvolver esse trabalho, o que pretendia fazer na tese de doutorado. Contou que na Escola de Comunicação encontrou autores que já havia estudado no mestrado, como Raquel Paiva e Muniz Sodré, e que estes exercem forte influência sobre seu trabalho de pesquisa, desenvolvido na ECO.

A ruralidade no Rio de Janeiro é o tema central da tese de Patrícia. Ela explicou que a quantidade de feira orgânicas na cidade chamou sua atenção e procurava entender o que estava por trás desses mercados. Disse que após algumas visitas a muitas feiras, principalmente as da região sul onde se concentrava a maior parte, percebeu que eram muito “plastificadas” e pareciam até industrializadas.

Inquieta e ainda sem uma proposta, Patrícia acabou encontrando na internet propaganda sobre “a primeira feira orgânica do subúrbio em Olaria”. Contou que aquilo lhe causou curiosidade e resolveu fazer uma visita, o que a surpreendeu. A feira que acontece em uma praça era uma forma que a população local encontrou para conviver e consumir juntos.

Segundo Patrícia, o amor e apreço pela feira eram tão grandes que a população local, diante de um pequeno número de vendas, decidiu fazer campanha para ajudar nas vendas e promover o interesse pelas visitas, tornando-se a mais visitada pelos moradores de regiões próximas. A doutoranda passou a frequentar a feira e a realizar pesquisas com os participantes e percebeu que sua observação não estava errada. Entre os objetivos citados como motivos que levaram a feira, eles citaram aproximação com a natureza, alimentação saudável e criação de laços.

A jornalista continua no seu processo de descobertas, e afirmou que as teorias da comunicação fazem sentido nesse processo e na vida real. Patrícia também comentou que cultivar a vida como elemento do mundo rural traz um novo frescor para a vida urbana.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO.

 

O campo vem para a cidade contar história

Yasmin Santos*

“Cada fruta é um universo, cada semente é um mundo”, disse Patrícia da Veiga, última convidada do primeiro semestre de 2016, pelo Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). Jornalista e doutoranda, a entrevistada falou sobre sua pesquisa acerca dos agricultores urbanos e as ruralidades na cidade do Rio de Janeiro, onde estuda e mora atualmente.

Criada em Goiás, Patrícia não sabia o que esperar da Cidade Maravilhosa ao iniciar, em 2013, o doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ela, tinha medo de tudo o que não aparecia na televisão, de tudo que não era Zona Sul. A doutoranda, que também faz parte do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária (LECC – ECO/UFRJ), disse que acabou percebendo seu objeto de estudo para além da metrópole em si. Focou a pesquisa nas zonas interioranas, nos subúrbios e nas favelas do Rio.

A jornalista contou também que foi atrás de feiras urbanas e descobriu que esse espaço não proporcionava apenas uma troca de produtos, mas todo um conjunto de ideias. Na percepção da pesquisadora, as feiras unem as pessoas, constroem vínculos entre elas. Nesses mesmos ambientes, Patrícia chegou a fazer 36 entrevistas e, por meio delas, conseguia enxergar uma vontade mútua de se ajudarem e construírem algo juntos.

A partir das feiras, a doutoranda enfrentou o medo, midiaticamente construído, e se aventurou a conhecer regiões menos privilegiadas da cidade. A Feira Orgânica de Olaria, também conhecida como feira do subúrbio, simbolizou o seu primeiro contato com o outro lado do Rio. Patrícia observou que cada barraca traz uma história e muitas vozes, pouco ou nunca ouvidas. Enquanto jornalista, acredita que sua profissão serve sobretudo para “ouvir vozes muitas vezes ignoradas ou estereotipadas”.

*Aluna do 2º período de Comunicação Social na ECO/UFRJ

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