Monopólio impõe linha editorial única como verdade

Segunda simulação de entrevista coletiva do Laboratório de Comunicação Crítica traz o jornalista e radialista Jota Carlos com sua larga experiência de cerca de 40 anos de profissão. Uma das falas mais contundentes do convidado foi a crítica ao monopólio dos meios de comunicação, que reduz a linha editorial dos jornais ao pensamento único, voltado para o mercado. O Laboratório de Comunicação Crítica é uma atividade do LECC, ministrado pela professora Zilda Martins, e tem por objetivo aproximar os alunos da realidade da profissão de jornalista, nas vertentes comunicação comunitária, mercado e pesquisa.

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Jota Carlos – Coletiva de imprensa

“Jota Carlos, o repórter que fareja a notícia” compartilha experiência

Gabriela Morgado*

O jornalista, radialista e produtor cultural Jota Carlos já trabalhou nas rádios Jornal do Brasil, MEC, AM/FM, e nas emissoras do Sistema Globo de Rádio, CBN e Rádio Mundial (pertencente hoje à Igreja Mundial do Poder de Deus). Nessa última, ganhou a fama de “o repórter que fareja a notícia” – apelido que, segundo ele, foi inventado por um amigo de redação para ser usado no programa “Agente 860” da emissora. Essas e outras histórias foram contadas pelo jornalista em simulação de coletiva, concedida a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). A entrevista foi realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), sexta-feira, dia 1º de julho.

No encontro, o radialista discorreu sobre vários aspectos do jornalismo, afirmando ser uma profissão sedutora. Observou que o profissional trabalha com a notícia antes ir a público, que lida com o humano e com o imponderável. Tudo pode virar notícia, disse, e o jornalismo pode acontecer em qualquer lugar. Jota acrescentou que os profissionais precisam ter consciência da responsabilidade sobre a notícia: devem apurar sua veracidade, pensar no impacto que a publicação irá gerar e ser isento sempre. Essa característica da isenção foi repetida muitas vezes durante a entrevista. Quando perguntado se é possível para um jornalista ser 100% isento, respondeu: “Ter ideologia e ser isento profissionalmente são coisas diferentes. A isenção faz parte da natureza do jornalista”.

Jota ressaltou que a questão das linhas editoriais é um problema relativo à ideologia. Lembrou que antigamente existia diversidade de jornais e de linhas editoriais, o que ajudava na formação dos profissionais e da população em si. Afirmou que se podia ver a diferença de tratamento dada à determinada notícia. Segundo o entrevistado, hoje o jornalismo ficou restrito a grandes empresas em pequena quantidade. “Isso é perigoso, porque você não tem comparação, passa a ser verdade o que O Globo ou a Folha [de São Paulo] publica”, acrescentou.

Segundo Jota, atuar em empresas que visam lucro, porque não são públicas, torna-se mais difícil para o jornalista. Na opinião do entrevistado, a barreira mercadológica inviabiliza a pesquisa e o cuidado maior na elaboração das matérias, considerando que tudo deve ser rápido, imediato. O convidado ponderou: “O interesse de mercado sempre existiu, principalmente em emissoras que são particulares, mas ainda acredito que o compromisso em dar a notícia, como da CBN, por exemplo, é válido”. Considerou ainda que o jornalista deve ser fiel à notícia, independente de concordar ou não com ela.

Ao falar sobre o jornalismo de rádio, Jota criticou a falta de compromisso com o setor de comunicação, principalmente no que tange a uma reformulação estrutural. Afirmou ser necessária a criação de uma lei séria no Brasil relativa a esse setor e suas concessões: “Acho que o rádio tem seu lugar, não tem a menor dúvida, mas está engessado. Para mudar, você depende de uma série de leis e medidas que devem ser aprovadas. Aprovar isso na área de comunicação é barra pesada. Sobre comunicação no nosso país, estou achando um momento muito complicado, porque há uma exacerbação. Os jornalistas já tiveram importância, hoje não. É uma profissão que se deteriorou”.

* Aluna do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Jota Carlos aborda o futuro do jornalismo

Mathias Felipe*

Jornalista e radialista, Jota Carlos trabalhou por 18 anos na Rádio CBN, do grupo Globo, e 10 anos na Rádio Jornal do Brasil. Ao todo, tem cerca de 40 anos de profissão. Conhecido pelo bordão “Jota Carlos, o repórter que fareja a notícia”, o profissional esteve na Central de Produção Multimídia (CPM/UFRJ), sexta, 1º de julho, para simulação de coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica. Falou sobre sua experiência profissional, contou histórias e apontou os desafios de ser jornalista nos dias de hoje. Jota também deu dicas que considera importantes para quem pretende seguir na profissão.

Questionado sobre o futuro do rádio no Brasil, a onda de aquisição desses veículos por religiosos, como a Radio Nativa de Minas, agora nas mãos de evangélicos, Jota se mostrou desanimado. “Não há lei séria para regulamentar.” Disse que ter uma lei forte que regulamente a concessão é a chave do sucesso. Ele acredita que a sociedade pode mudar esse cenário, e cita o exemplo da Islândia que conseguiu a demissão de todo o sistema político, com a força da sociedade.

Mesmo com uma visão pouco promissora, Jota não acredita no fim do rádio. “O rádio não para.” Apesar do cenário “barra pesada”, a sociedade precisa do veículo para disseminar a notícia e a informação. O entrevistado vê como positivo o projeto de transformar o sistema AM de rádios em rádio digital, e acredita que isso possa ser uma solução para disseminar o uso do rádio atualmente.

Para Jota não adianta apenas criar leis, é preciso valorizar a profissão. “Hoje a profissão do jornalista está desvalorizada, como a do professor”, comentou. O entrevistado deu como exemplo o acúmulo de funções. “Hoje jornalista é editor, repórter, fotógrafo e ainda tem que se preocupar com a notícia just in time”. Outro ponto apontado pelo profissional foi a vaidade. “Eles [os jornalistas] querem aparecer mais que a notícia e também acham que estão acima do bem e do mal”, completou.

O radialista acredita que a renovação de profissionais é necessária, mas salienta que é importante a isenção ao reportar um fato, porque existe uma linha muito tênue entre a manipulação e a verdade. Jota citou nomes de novos jornalistas que fazem bom trabalho atualmente, como André Trigueiro, da Globo News, e Pedro Vêdova, correspondente da Globo em Londres. Segundo o entrevistado, o que eles buscam fazer diferente é a forma de se expressar, observando a experiência de vida, que permite abordagens diferentes e de qualidade.

Na opinião de Jota, a experiência prática é importante para qualquer jornalista. Disse que ser repórter é fundamental na formação de um bom profissional, porque prepara para o imprevisto e os desafios diários da profissão. Afirmou que o jornalista precisa de um olhar específico como o do fotógrafo, que sabe observar um bom local para uma fotografia. Outros pontos importantes a um bom jornalista, segundo Jota, são observar tudo e desconfiar de tudo, ler e escrever uma matéria de diversas formas, a fim de evoluir e de se tornar um profissional completo. “Jornalismo é paixão”, concluiu o radialista.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação Social da ECO.

O Jornalismo acontece na rua

Yasmin Santos*

O Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) recebeu o jornalista, radialista e produtor cultural Jota Carlos em entrevista coletiva, na sexta, 1º de julho. Com quase quarenta anos de atividade jornalística, o entrevistado falou sobre sua experiência profissional e fez questão de afirmar que jornalismo não é apenas vocação, mas prática e paixão.

Jota começou a carreira estagiando no jornal Diário de Notícias e disse que lá entendeu do que se tratava a profissão. Apesar de ter iniciado os estudos em Jornalismo, o entrevistado trocou as salas de aula pelas ruas e pela redação assim que soube da lei que beneficiava quem já tivesse experiência profissional, independentemente do diploma.

Entre a redação e as ruas, o jornalista contou que sempre preferiu a primeira, mas que ambas são experiências essenciais para a formação do profissional. Para ele, inclusive, é na rua, na busca direta pelos fatos, que o jornalista “aprende a dar a volta por cima”. Disse que as principais habilidades que devem ser adquiridas por um bom repórter não se encontram nos computadores da redação, mas no contato direto com as pessoas e os acontecimentos.

“Além da informação básica, é preciso que o jornalista se prepare”, ressaltou o entrevistado. Para Jota, embora Jornalismo implique observação contínua, só isso não é suficiente para sustentá-lo. Entre as características inerentes a um bom profissional, o entrevistado apontou a pesquisa, a desconfiança no trato com aquilo que é lido como verdade, a acessibilidade do repórter ao público e a notícia, e também a humildade.

Apesar de receber muitas críticas, o jornalismo atual, segundo o radialista, não é e nem pode ser o mesmo de trinta ou quarenta anos atrás: cada tempo reflete um modo de fazer jornalístico diferente. “O modelo just in time é real. Hoje em dia o jornalista não tem tempo para elaborar uma notícia, para colocar nela a sua criatividade”. Segundo Jota, há uma sede por velocidade e por imediatismo, que é capaz de montar uma emboscada para o próprio jornalista: “é preciso não cair na tentação de se apurar de menos para fornecer informação o mais rápido possível.”

O jornalista reconhece que antigamente o leitor tinha maior independência para interpretar a informação. Observou que havia diversidade no tratamento da notícia que permitia a percepção da linha editorial de cada jornal e a falta de imparcialidade presente neles. O Jornalismo é motivado por interesses e cada veículo defende os seus. “Hoje, como o tratamento dado às notícias é muito similar, o leitor pode cair na armadilha de enxergar o que é dito por um veículo como a única verdade possível”, alertou.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO.

Ex-radialista discorre sobre o cenário do jornalismo atual

 Fabiano Silveira*

“O texto é sedução. Jornalismo é sedução”. Afirmou o jornalista, radialista e produtor cultural, Jota Carlos em simulação de coletiva de imprensa aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). O entrevistado discorreu sobre o papel do jornalista na sociedade contemporânea, apontando diferenças da profissão entre as décadas passadas e o cenário atual. Explicou de que maneira as novas tecnologias influenciaram na área e como o rádio foi perdendo espaço no Brasil.

A diversidade de linhas de pensamento entre o jornalismo atual e aquele praticado há algumas décadas foi uma das grandes diferenças apontadas pelo radialista. Segundo Jota, era fácil para os leitores identificarem a linha editorial de cada periódico, percebendo a falta de imparcialidade, o que resultava em maior independência e senso crítico na leitura. O jornalista explicou que hoje em dia a linha editorial dos jornais são muito parecidas, levando o leitor a pensar que existe uma única verdade, de modo que os interesses de quem controla a mídia é sempre privilegiado e colocado como único. “Não é à toa que a comunicação é vista como o quarto poder. Eles [aqueles que detém o poder midiático] sabem o que querem e sabem como fazer o que querem”, completou.

Com cerca de 40 anos de atividade jornalística, Jota observou que um ponto não mudou durante esse tempo, a prática. Disse que um bom jornalista não se mantém preso a teoria, vai atrás da notícia, apura. O entrevistado criticou a pressa de se publicar uma notícia, o que faz com que o jornalista pesquise menos. O ex-radialista dá outras dicas para quem quer seguir a carreira, como sempre desconfiar do que é falado em uma coletiva, mesmo que a pessoa seja a autoridade máxima no assunto não se pode levar tudo que é dito como verdade. Para Jota, é preciso se manter isento, colocar a notícia como mais importante, sem aparecer mais do que o fato. “Jornalismo não é só a própria vocação, é paixão” disse o atual free-lancer.

Outro ponto criticado foi a atual situação das rádios, como diversas emissoras que estão se tornando religiosas. O jornalista observou que muitas estão nas mãos de políticos e proprietários de empresas que se apropriaram desse meio por interesses particulares. O resultado disso, segundo Jota, é o rádio sob o domínio de pessoas não capacitadas, o que faz com que esse meio caia cada vez mais no esquecimento. O mesmo acontece com as rádios AM’s, que buscam passar para o formato digital, mas também são controladas por pessoas sem capacitação, finalizou Jota Carlos.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social

Jota Carlos critica falta de variedade dos jornais

Kariny Leal*

O jornalista e radialista Jota Carlos foi o segundo convidado do Laboratório de Comunicação Crítica, da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), para simulação de coletiva. Também produtor cultural, Jota concedeu entrevista aos alunos na Central de Produção Multimídia (CPM), sexta, 1º de julho e fez duras críticas à mídia.

Jornalista com cerca de 40 anos de experiência profissional, Jota chamou atenção para a falta de variedade de temas dos jornais e comparou com o extinto Jornal do Brasil: “O JB era crítico, não fazia jogos de verdade com o leitor; diferente dos jornais de hoje que parecem ser todos iguais”. Acrescentou que havia também diferentes linhas editoriais com o fim de atrair um público mais amplo.

Grande defensor da verdade jornalística acima de tudo, Jota fez questão de pontuar a importância e a responsabilidade do jornalista na sociedade. Ele defende que, como formador de opinião, o profissional de jornalismo deve trabalhar o fato e, sem distorcê-lo, fazer com que vire notícia.

Fascinado pela instantaneidade do rádio e da TV, Jota observou que essa característica não pode ser mais importante do que a notícia em si. Disse que a pressa em divulgar uma notícia acaba provocando inverdades. E completou: “Jornalismo é observação e desconfiança”. Disse ainda que o jornalista deve ser sempre isento, não pode desejar ser mais importante do que o fato que escreve, e deve tentar ao máximo não levar estresse ao público.

Jota passou por grandes rádios como Globo, CBN e Rádio Jornal do Brasil, esta como editor, vivenciando desafios cotidianos, que exigiam criatividade. O profissional notou certo despreparo nos jornalistas em formação. Apontou que muitos estagiários de jornalismo que teve contato apresentavam vaidade, se colocavam mais importantes que a notícia, o que, na sua opinião, não deve acontecer.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO.

Jota Carlos critica monopólio das comunicações

Carolina Ana*

O jornalista e radialista, Jota Carlos, concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), sexta, 1º de julho. Jota falou sobre a própria experiência, as mudanças nas redações e a diminuição da diversidade de notícias nos veículos, causada pelo monopólio midiático.

Com cerca de 40 anos de experiências no mercado, o entrevistado passou por jornais como o Jornal do Brasil, já extinto, a Rádio JB – onde permaneceu por 10 anos e considera terem sido os melhores da vida – e as Rádios CBN e Mundial, do Sistema Globo de Rádio. Apesar das dificuldades profissionais, Jota afirma que o jornalismo é uma profissão sedutora, porque “se trabalha com a notícia antes da coletividade tomar conhecimento e isso gera impacto e grande responsabilidade.”

O jornalista defendeu o cuidado com a veracidade da informação a ser publicada como parte essencial da atividade profissional e afirmou que atualmente, com o sucateamento das redações, os novos jornalistas tendem a cometer mais erros. Explicou que isso ocorre porque a pressa pela notícia leva o repórter a não pesquisar antes da divulgação. Disse que o jornalista deve sempre se recordar da sua responsabilidade social e se comprometer com a informação.

Jota criticou o senso comum das linhas editoriais e disse que a empresa jornalística visa ao lucro, o que a faz seguir “uma conduta ideológica, política e de mercado”. Desse modo, disse, o veículo pode “apoiar determinada corrente política ou não, isso faz parte, porque as vezes determinadas empresas são beneficiadas com verbas oficiais de propaganda e verbas particulares.”

O jornalista explicou que o monopólio da notícia vigente no país, por conta da crise na área da comunicação, diminuiu a diversidade. Segundo Jota, o que vemos nos dias de hoje é que “grandes empresas, em quantidades menores – conglomerados como a Folha, o Estadão e o Globo” passam a ser os únicos parâmetros. São lidos como “verdade, lei absoluta, o que é muito perigoso, não só para o jornalista, mas também para o leitor, aquele que consome a notícia”, declarou.

De acordo com o entrevistado, a ética no exercício da profissão e o respeito aos leitores devem sempre ser lembrados, sobretudo por aqueles que desejam seguir a profissão, fazendo referência aos alunos, futuros intermediários entre o acontecimento e o público. Jota acrescentou que o jornalismo, apesar de difícil e complicado, é, ao mesmo tempo, sedutor e apaixonante.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO.

Além do que se vê: o que é jornalismo, segundo Jota Carlos

Mariana Martins*

O jornalista e radialista Jota Carlos, em entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), falou sobre a vida profissional e a percepção do que é ser jornalista. Com bom humor e 40 anos de experiência na área, Jota levou seu público de volta ao passado e foi categórico ao afirmar: “O jornalismo mudou muito, mas, no que diz respeito a sua essência, é uma profissão sedutora. O profissional da área trabalha com a notícia antes de todos tomarem consciência”.

Para o entrevistado, os dez melhores anos de sua vida no trabalho foram na Rádio Jornal do Brasil, mais conhecida como Rádio JB. Nesse veículo, ele exerceu as funções de editor e produtor cultural. Jota lembra que a emissora trabalhava com um jornalismo de apuração, contestador; isso tornou sua passagem por lá emblemática. O jornalista também foi âncora na rádio CBN e afirmou que, apesar de gostar do jornal impresso, é fascinado pelo rádio, devido a instantaneidade da notícia e a participação do público.

O produtor cultural apontou nuances entre o jornalismo de 30 anos atrás e o que é feito hoje. Disse que antigamente existiam diferenças básicas de critérios entre os jornais, com um tratamento distinto de matérias entre eles. Atualmente não existe mais variação ideológica, mas sim um monopólio formado por grandes empresas como a Globo, Folha, Estadão.

O radialista fez ainda críticas ao jornalismo eletrônico, ao afirmar que alguns colunistas se acham mais importantes do que a própria notícia. Ele apontou que é fundamental manter a fidelidade com o que está sendo passado e “segurar a vaidade”, porque a matéria é sempre mais importante. O profissional acrescentou que é possível aprender muito com a fonte, sobretudo lições de humanidade. “O que mais importa é a postura e a responsabilidade do seu papel com a sociedade”, pontuou.

Jota argumentou também que o jornalista de hoje precisa ter domínio de todas as etapas relacionadas a área. “Redator, repórter… Um faz tudo”. Segundo ele, o profissional deve, acima de qualquer coisa, pesquisar, se preparar e questionar. É necessário estar sempre com o “desconfiômetro” ligado, porque a observação e a desconfiança são essenciais para a profissão. “Jornalismo não é só vocação, é paixão”, concluiu.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

Jornalista recomenda fidelidade à notícia

Julio Cesar Lyra*

O jornalista e radialista Jota Carlos concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). Também produtor cultural, Jota falou sobre questões e rotina do profissional de jornalismo, além de aspectos éticos da área. A entrevista ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM), sexta-feira, 1º de julho.

O radialista, que trabalhou durante 18 anos no Sistema Globo de Rádio, afirmou não ver problemas na atuação de um profissional em determinado veículo do qual discorda ideologicamente. Para ele, o importante é o jornalista ser sempre isento e comprometido, acima de tudo, com a verdade.

Durante a entrevista coletiva, Jota criticou a distorção deliberada das informações e disse que o essencial para o trabalho pleno do jornalista é a fidelidade à notícia. O jornalista problematizou também as responsabilidades assumidas ao manipular uma informação, e observou a necessidade da ética profissional, postura de seriedade e doação do melhor possível para o trabalho.

Ao ser questionado sobre o futuro do rádio, o entrevistado apontou a estabilidade do meio e afirmou que o veículo já tem seu lugar, não acaba. Para o produtor cultural, o que falta é investimento das grandes empresas. “A profissão se deteriorou”, disse, lembrando que o jornalista já foi mais valorizado, sendo atualmente um profissional considerado com menos importância.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO.

 

 

 

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