Jornalista denuncia manipulação de notícias sobre favela e desperta interesse de alunos.

A primeira simulação de entrevista coletiva promovida pelo Laboratório de Comunicação Crítica da ECO/UFRJ trouxe a jornalista Renata Souza. Também doutoranda da Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), Renata chamou atenção dos alunos pelas críticas à mídia hegemônica e pela experiência como líder comunitária nas favelas do Complexo da Maré, onde mora. Até o final do semestre, os alunos vão participar de mais duas coletivas a convite da professora do laboratório, Zilda Martins.

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Jornalista fala sobre trajetória pessoal na favela e na política

Isabela Izidro*

Em coletiva de imprensa concedida aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), a jornalista Renata Souza falou sobre sua vida profissional e pessoal. Nos relatos, destacou as experiências na área de Jornalismo e a atual atividade de Assessora de Comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). A entrevistada também é publicitária, graduada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), mestre e doutoranda em Comunicação e Cultura da ECO.

Renata é moradora do Complexo da Maré, conjunto de favelas, onde nasceu, cresceu e se profissionalizou. Iniciou a carreira como jornalista escrevendo para o jornal O Cidadão da Maré, um projeto desenvolvido no próprio Complexo e que tem como objetivo retratar os principais acontecimentos da vida dos moradores.

Sem abrir mão de seus próprios princípios e convicções, Renata viu na profissão de jornalista a chance de informar pessoas e contar a verdade. “Antes de ler mais a respeito, via como uma profissão de mentirosos. Hoje enxergo por uma óptica bem diferente. O que as pessoas fazem do Jornalismo não é necessariamente o que o Jornalismo é em sua essência. Um dos motivos que me trouxeram a essa profissão é justamente combater esse Jornalismo às avessas que engana e manipula ao invés de informar”, contou.

Segundo a jornalista, foi com esse raciocínio que acabou entrando para a política. “Conheci Marcelo Freixo em um debate e acabamos nos tornando colegas de trabalho e também amigos”. Renata, que no início se opôs à candidatura de Freixo a deputado estadual, acabou percebendo que a política configurava-se como o Jornalismo. “Em uma de minhas conversas com Freixo, acabei notando que aquele cenário, por mais corrompido e sujo que estivesse, era a melhor maneira que eu encontraria de buscar mudanças significativas em meu país”, afirmou a jornalista.

Renata, que ainda tem inúmeros projetos em mente, cursou parte de seu doutorado em Barcelona e pretende focar na carreira de educadora. “Não tenho intenções de entrar de cabeça na política, mas acho importante apoiar pessoas cujos projetos eu acredito. Meu maior objetivo de vida agora é trabalhar como educadora, ensinar pessoas, quero investir nisso.”

Mulher, negra e de origem humilde, Renata contou ter sofrido todo tipo de preconceito e discriminação no decorrer de sua vida, tanto na Universidade em que se graduou quanto em outros espaços sociais, mas “isso nunca me parou, era mais uma motivação”, garantiu.

Ao abordar as dificuldades que enfrentou até então, Renata falou das barreiras que a mulher ainda enfrenta ao chegar ao mercado de trabalho e frisou a importância do sexo feminino para a sociedade. “A mulher tem capacidade. Precisa apenas de espaço, porque quando o tem, sabe melhor do que ninguém como usá-lo para fazer a diferença”.

A jornalista, que se mostrou extremamente cortês e atenciosa, marcou presença durante entrevista ao desenvolver respostas longas e detalhadas. “Acho que eu falo muito”, afirmou, Renata, entre risos.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Partidos de esquerda são incoerentes quanto ao protagonismo feminino

Sarah Andrade*

Em entrevista à turma do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ), a jornalista Renata Souza falou sobre as dificuldades de concessão de cargos políticos a mulheres. Apontou principalmente aquelas incluídas na categoria de minoria negra, com origem periférica (ou “da favela”, como a própria orgulhosamente afirma). Renata também é doutoranda em Comunicação e Cultura pela ECO e atual assessora de comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Ao ser questionada a respeito do protagonismo feminino na política, considerado ainda escasso na sociedade brasileira “machista e patriarcal”, Renata afirmou que há dificuldades em estabelecer voz também nos partidos de esquerda. Observou que mulheres são usadas como mediadoras em discussões, na maioria das vezes, anulando seu poder de opinar ou interferir nas decisões do grupo que tem na totalidade homens. De acordo com a jornalista, à mulher ainda é oferecido papel coadjuvante, mesmo que as academias ou movimentos sociais sejam ‘comandados’ por elas; mesmo sendo elas as responsáveis pelas revoluções. Renata acrescentou que as mulheres seguem persistindo nessa caminhada, sem oficialmente terem o reconhecimento da atuação no papel principal.

A jornalista explicou que uma das maiores lutas enfrentadas pelo público feminino é o simbólico. Esclareceu que símbolos foram previamente construídos na mentalidade social, estabelecendo as condições em que a mulher precisa viver para ser “mulher”. Disse que o foco da política pública não está nos direitos das mulheres e por isso é preciso haver ações mais radicais para desconstruir esse conceito de relação de poder. A ideia é mudar o foco, trocando os papéis entre homens e mulheres, para que eles façam o trabalho doméstico, cuidem dos filhos e do lar, trabalhem e mantenham-se “apresentáveis à sociedade”. Acrescentou que essa experiência resultaria em maior consciência à realidade de muitas mulheres, que são obrigadas a realizarem tais tarefas, sozinhas, todos os dias. O principal alvo disso tudo, para Renata, é a valorização da mulher paralelamente ao homem, com funções igualmente compartilhadas e distribuídas.

Na visão de Renata, ainda que os indivíduos sejam seres difíceis, com ideias e ideais divergentes entre si, e a luta igualitária seja grande – não só do público feminino, como de toda a sociedade, principalmente das minorias -, é necessário transpor essas barreiras, reinventar-se sempre, a fim de batalhar por uma sociedade mais justa e homogênea. Concluiu que, embora a resistência seja grande e o combate modesto, o que importa é a luta incessante, focada na disseminação do pensamento de direito e igualdade que protagonize a todos, independentemente dos seus partidos ou grupos.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

“É preciso reinventar o jornalismo”, afirma pesquisadora

Ix Chel de Carvalho*

Doutoranda e mestre em Comunicação e Cultura, a jornalista Renata Souza participou de simulação de coletiva na Central de Produção Multimídia (CPM/UFRJ). A entrevista foi concedida a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), na sexta-feira 10 de junho. Renata, que também é publicitária e assessora de comunicação do estadual Marcelo Freixo (PSOL), enfatizou o papel do jornalismo nas relações sociais e a necessidade de uma revolução no fazer jornalístico.

A entrevistada, logo no início da coletiva, revelou: “quando eu era adolescente, odiava os jornalistas. Não acreditava neles, eles mentiam, distorciam a realidade”. Ao longo do relato, disse que uma psicóloga pediu-lhe que pesquisasse melhor sobre a profissão, dada a sua revolta com o tema. “Quando me vi obrigada a pesquisar sobre algo que odiava tanto, pensei que só reforçaria minha opinião. Mas me surpreendi: me apaixonei pela profissão e decidi que seria jornalista”, revelou.

Ao abordar a necessidade de um jornalismo ético e honesto, Renata se dirigiu aos estudantes de comunicação, e desmistificou a ideia de que o jornalismo tem de ser “neutro”. “Não existe neutralidade no jornalismo. Neutralidade é uma mentira inventada para vender jornal. O que devemos procurar enquanto jornalistas é o equilíbrio, para que possamos possibilitar ao nosso leitor a produção da opinião dele por si através das informações que oferecemos”, esclareceu.

No bate papo descontraído com os estudantes, a jornalista abordou outros temas como o a importância das redes sociais para campanhas políticas atualmente, a visão das favelas pela grande mídia, e a crescente necessidade do local de fala das mulheres na sociedade. Renata trabalhou por 12 anos no jornal comunitário O Cidadão, situado no Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro, e revelou as dificuldades enfrentadas pelo jornalismo comunitário. Disse que o trabalho no jornal cria uma relação com o lugar e com as pessoas de forma desafiadora. “Fazer notícia num lugar que é notícia é desafiador. Mas você vai criando uma relação de confiança com os moradores – e eu também sou moradora da Maré”, contou.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Renata Souza: jornalismo comunitário é sentido na pele

“Neutralidade é uma mentira que se vendeu para se vender jornal.”

Carolina Ana*

A doutoranda da Escola de Comunicação (ECO-UFRJ), Renata Souza, especialista em Comunicação Comunitária, concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO, na sexta-feira, 10 de junho. Na coletiva, abordou temas como jornalismo, cultura, política, desmilitarização da polícia e solidariedade na favela. Moradora da Maré, Renata dedicou-se ao jornalismo social, atuando por 12 anos no jornal O Cidadão de sua comunidade, além de trabalhar com o deputado estadual, Marcelo Freixo (PSOL), amigo de longa data.

Exerce, atualmente, a função de coordenadora geral de comunicação de Freixo e busca conciliar as atividades com as pesquisas do doutorado que faz na ECO/UFRJ. A entrevistada fez críticas contundentes aos monopólios comunicacionais, a distorção dos acontecimentos na favela da Maré pela mídia hegemônica e ao espaço, ou sua ausência, destinado à mulher negra no mercado e na academia.

Ao ser questionada sobre o jornalismo atual, a doutoranda afirmou que o mesmo está em crise e que os estudantes de comunicação devem reinventá-lo, buscando a renovação na confiança da ética jornalística. Reconheceu que é necessária a democratização da comunicação, para furar os monopólios e alcançar uma comunicação diversificada, inclusiva. Renata reconhece a importância das redes sociais, mas questionou a relação do jornalista com os novos meios de comunicação. Disse que o profissional deve utilizar as redes como ferramentas que auxiliem no seu trabalho. “É importante que o jornalista esteja sempre atualizado e atento às novas tecnologias”. O repensar do jornalista e do jornalismo deve agregar as modernizações.

De acordo com a jornalista, o processo histórico mostra que sempre após uma crise vem algum tipo de transformação, seja nas pessoas ou no próprio sistema. A doutoranda defende o diálogo e o planejamento de uma comunicação honesta, não sensacionalista, que respeite os leitores e todos os tipos de cidadãos. Acrescentou que esse ideal de atuação deve ser repensado pelos estudantes de comunicação.

* Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Jornalista comunitária quebra imagem distorcida da favela

Fabiano da Silveira*

Em simulação de coletiva, a doutoranda Renata Souza explicou a diferença entre jornalismo comercial e comunitário. A entrevista foi concedida a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), sexta-feira, 10 de junho. Jornalista e publicitaria pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Renata esclareceu a posição do jornal comunitário e suas ideologias, diferentes do tradicional, visto que oferece mais espaço ao morador da favela, figura esquecida e distorcida pela grande mídia.

A jornalista trabalhou por 12 anos no Jornal Comunitário O Cidadão do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Na coletiva, acusou a mídia comercial de não se preocupar com os moradores da favela. Explicou que, ao contrário, o jornal comunitário sempre foi voltado para o público da Maré e comprometido com o pensamento dos habitantes do complexo. Segundo Renata, enquanto muitas matérias alteravam os acontecimentos e a própria imagem da favela, O Cidadão mostrava-se fiel à realidade local.

Acrescentou que a preocupação do jornal era transmitir os assuntos que importavam à população do complexo, de maneira ética e equilibrada. Para Renata, o discurso propagado pela mídia descreve a favela como um espaço inferior a todos os outros, submetido ao tráfico de drogas, à violência e as péssimas condições de vida. Segundo a jornalista, esse discurso moldou o preconceito na cabeça dos leitores com relação à comunidade, sendo que muitos nunca esteviveram em uma favela. Isso contribuiu para criar uma imagem completamente diferente da realidade, acrescentou a publicitária, que atualmente trabalha como assessora de comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

 Outro ponto citado por Renata foi a criminalização da vítima por parte do jornalismo comercial, maneira de construir os supostos inimigos, contribuindo para criar uma imagem negativa dos moradores do complexo. Acrescentou que a distorção da história recai sobre pessoas inocentes, que acabam levando a culpa pela violência a que são submetidas.

A jornalista também discutiu sobre a questão monetária. Disse que enquanto o jornalismo comercial buscava o lucro, o comunitário não se preocupava com isso. Explicou que no caso do jornal O Cidadão, a distribuição era feita gratuitamente para pessoas e grupos específicos, de modo a atingir o máximo de pessoas possíveis.

Questionada sobre como faziam para se manter, Renata esclareceu que os profissionais geravam capital por meio de um patrocínio da Petrobras e dos anúncios no periódico. Disse que os anúncios eram diferentes da mídia comercial, porque nem todos os produtos poderiam estar atrelados ao jornal da Maré. Eles deveriam estar vinculados ao conteúdo da revista e não romper com seus princípios, concluiu Renata, reforçando o caráter político social desse tipo de jornalismo.

* Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Doutoranda diz que jornalismo comunitário liberta

Gabriela Morgado*

“A neutralidade é uma mentira que se criou para vender jornal.” A frase é da jornalista Renata Souza, também publicitária e assessora de comunicação do deputado estadual e pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo. Ela participou da primeira simulação de entrevista coletiva para alunos da Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), realizada na Central de Produção Multimídia (CPM), sexta-feira, 10 de junho. Renata, que também é doutoranda em Comunicação pela ECO, falou sobre a mídia no Brasil e as novas formas de se fazer jornalismo.

Na opinião da jornalista, não há neutralidade quando se trata de mídia. Afirmou que a neutralidade é uma desculpa dos meios de comunicação para que possam se vender como verdadeiros. “Não existe isso, o que pode e deve existir é o equilíbrio entre a posição da mídia e a elaboração da notícia.” No entanto, disse, não é o que acontece, por exemplo, quando a pauta são as favelas. Para Renata, que nasceu na favela da Maré, no Rio, a grande mídia retrata as comunidades de forma distorcida, somente como lugares de tráfico, violência e pobreza.

A entrevistada explicou que as operações policiais nesses locais são constantemente representadas sob uma lógica de guerra, mais especificamente de guerra às drogas, o que legitima as contínuas mortes de moradores: “O massacre na favela é visto como competência. O policial que mata ganha mais para isso”, acrescentou. Disse ainda que a consequência é uma visão dicotômica de culpa sobre quem vende ou quem consome as drogas. Na verdade, ponderou, a culpa é da nossa estrutura social criminalizante e de um sistema econômico que precisa fazer guerra, não importa de que tipo, para se manter.

Durante 12 anos, Renata trabalhou no jornal comunitário da Maré O Cidadão, e o considerava o “assessor de imprensa” da comunidade. Segundo a entrevistada, os pensamentos e as ideias dos moradores, que não são mostrados pela mídia predominante, percorrem um caminho duplo, que vai até o jornal e, ao mesmo tempo, passa dos redatores até eles, e deles para fora da favela. A jornalista considera ser por isso que a comunicação comunitária é tão importante, por expressar a voz de quem, geralmente, não tem espaço em outros meios. No entanto, Renata ressaltou as dificuldades em se manter esse tipo de meio.

“Tínhamos um patrocínio pequeno da Petrobras. As pessoas lá de dentro [do jornal] nunca ganharam nada. Se manter sempre foi muito difícil.” A jornalista explicou que o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), criador do jornal, rachou em duas outras ONGs. “Pra se manter, a gente tinha anúncio. O número de páginas destinadas à publicidade não mudava. Os anunciantes eram escolhidos pensando em todos e na responsabilidade que a gente tinha sobre eles.”

A entrevistada falou ainda da importância alternativa das redes sociais. Segundo Renata, com a internet, não há mais como justificar um jornalismo mal feito, culpando as fontes, o editor etc. Tudo que é duvidoso ou vai contra os pensamentos de alguém é posto em xeque pelos próprios leitores. Dessa forma, é preciso reinventar o jornalismo. “Temos que começar a mudar o discurso em casa, tentar fazer a leitura crítica. Procurar outros meios de se informar, a informação liberta”, concluiu.

*Aluna do 2º período do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

“É preciso reinventar o jornalismo”, afirma pesquisadora

Julio Cesar Lyra*

A jornalista Renata Souza concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação (ECO/UFRJ). Mestre e doutoranda em Comunicação da ECO, a entrevistada exerce atualmente a atividade de assessora de comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo. Renata frequentou entre 2003 e 2009 a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), onde fez também o curso de publicidade. O encontro foi realizado na sexta-feira, 10 de junho, na Central de Produção Multimídia (CPM).

Renata é moradora do Complexo da Maré, conjunto de favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro. Contou que durante o tempo de graduação notava olhares de desprezo pelos colegas de sala. Disse que ela era a única negra e moradora de favela da turma e que via esse comportamento como uma marca elitista da instituição. Segundo a entrevistada, ao chegar naquele ambiente já tinha sua identidade muito definida. Além de raízes fincadas no seu local de origem, que faz questão de chamar de favela e não de comunidade, Renata já trabalhava com Comunicação Comunitária na Maré, atuando no Jornal O Cidadão, onde exercia as atividades durante 12 anos.

Na opinião da jornalista, a questão do espaço majoritariamente branco e de classe média não se limita ao meio universitário. Ressaltou que existe uma elitização também nas redações, basicamente uma extensão da academia, marcada pela falta de representatividade, que resulta na imagem estereotipada do negro e periférico nos noticiários dos jornais de grande veiculação. Afirmou que a “grande mídia” caminha de acordo com os interesses e ideologias de quem a produz.

A mestre disse esperar que os novos profissionais e graduandos da área de comunicação, principalmente os negros, façam do jornalismo um instrumento de inclusão do povo para o povo. De acordo com a entrevistada, é evidente a necessidade de uma reinvenção do jornalismo, uma inovação urgente, para quebrar a elitização das redações. Renata denuncia a inversão de valores, presentes na grande mídia, alegando que esta transformou o que deveria estar a serviço do povo em um mecanismo de transmissão da ideologia dominante.

* Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Jornalista ressalta importância das redes sociais para campanha política

Kariny Leal*

Jornalista e publicitária, Renata Souza concedeu entrevista coletiva aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), na última sexta-feira, 10 de junho. Também doutoranda da ECO, Renata falou de sua trajetória pessoal, da experiência no jornal comunitário O Cidadão, do complexo de favelas da Maré, e do cargo atual de assessora de comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Renata, que foi responsável pela campanha de candidatura de Freixo a deputado estadual do Rio de Janeiro em 2014, depositou às redes sociais o mérito de sua última eleição. “Nas redes, nós temos a possibilidade de diálogo e, por isso, podemos esclarecer nosso posicionamento, que muitas vezes é deturpado pela grande mídia de massa”, disse a assessora, acrescentando que naquele ano, Freixo foi o deputado estadual mais votado do Brasil.

Segundo a jornalista, para a campanha à prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, a estratégia não será diferente. Renata observou que eles terão pouco menos de 50 segundos de propaganda eleitoral na televisão e o foco da campanha se dará pelo Facebook e Twitter do candidato. Disse que Freixo não pretende fazer coligações este ano, logo vai depender ainda mais dessas formas alternativas de divulgação.

Com toda essa busca por transparência e diálogo com o público, Renata relembrou seu caminho até aqui. Para ela, o jornal O Cidadão, periódico comunitário da favela da Maré no Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar, marca sua carreira até os dias atuais. De acordo com a entrevistada, foi nesse veículo que aprendeu sobre a importância de uma comunicação simples e capaz de atingir a todos.

A jornalista acrescentou que nos 12 anos de atividades no jornal comunitário, defendeu os direitos humanos e sempre esteve à busca de assuntos que os moradores da favela da Maré se sentissem identificados. Renata concluiu dizendo não acreditar em jornalismo imparcial e que sua posição contra a mídia hegemônica foi o principal motivo de permanência no jornal O Cidadão por tantos anos.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Protagonismo do povo é um novo jeito de fazer política

Marcella Falcão*

O tráfico de drogas é tão opressor quanto a polícia”. Essa foi a primeira das inúmeras declarações que deu a jornalista Renata Souza, numa conversa com os estudantes de jornalismo da UFRJ, inscritos na disciplina de Comunicação Crítica. “Moradora da favela sim”, fez questão de ressaltar, como também a posição de ativista pelos direitos e contra a opressão dos moradores das favelas, mas nunca se vitimizando. Renata é formada em Jornalismo, Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Mestre em Comunicação pela Escola de Comunicação Social (ECO-UFRJ) e doutoranda em Comunicação e Cultura da mesma instituição.

A jornalista começou a conversa a partir da própria trajetória de vida. Falou dos 12 anos de trabalho no Jornal O Cidadão, do Complexo de Favelas da Maré, das lutas envolvendo a segurança pública na comunidade e dos “perrengues” que já viveu por conta disso. Citou duas experiências de matérias sobre a abordagem dos problemas de segurança da Maré, o tráfico de armas e a violência policial no periódico. A primeira, de título “Linhas que ligam a Maré ao Iraque”, depois de publicada trouxe problemas para a jornalista, que foi chamada para dar satisfações aos traficantes. A segunda, que bateu na mesma tecla da segurança, abordou o simbolismo do “Caveirão”, veículo usado pela polícia na favela. De título “Quem vai levar a sua alma?”, a matéria fez com que o jornal distribuísse todos os seus 20.000 exemplares.

Segundo Renata, o jornalismo comunitário não vende a falácia da neutralidade, já nasce parcial, está indiscutivelmente ao lado dos moradores daquele lugar. “Não existe neutralidade, o que existe é uma mentira que se criou para vender jornal. O que pode existir é o jornalismo ético e equilibrado, que pondera as fontes e leva ao leitor elementos para que ele possa tirar suas próprias conclusões”, afirmou. De acordo com a jornalista, quanto mais o conteúdo do jornal aborda a realidade de quem lê, mais as pessoas vão querer se apoderar da informação.

Se já era envolvida com política e ativismo social, depois que conheceu Marcelo Freixo, e que ele cogitou se candidatar a cargo político, Renata mergulhou de cabeça nesse ramo, depois de superar a resistência inicial. Partindo do preceito de que é dentro do Estado que se reivindicam os direitos, se filiou ao PSOL por achar que a luta da favela e da democratização da comunicação deveria entrar na pauta do partido.

Quando assumiu a assessoria da campanha do candidato a deputado estadual Marcelo Freixo, começou a desenvolver um novo jeito de fazer política. Negando a compra de votos por meio da promoção de churrascos, doação de blusas e bonés, cenário típico das campanhas políticas em comunidades, a equipe de Freixo promoveu discussões dentro das favelas focando no protagonismo do povo. “Não dá pra pensar em comunicação sem agregar”, era o preceito da campanha.

Renata observou que depois de uma campanha diferente do comum, Freixo foi eleito e as pautas da democratização da comunicação, do protagonismo da mulher na favela e da segurança pública entraram no Estado. Agora, a jornalista se prepara para uma nova empreitada. Freixo é candidato à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e sua campanha deve continuar fugindo aos padrões.

Aluna 3° período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

Jornalista nega a existência de neutralidade no jornalismo

Mariana Martins*

A jornalista Renata Souza concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação Social (ECO/UFRJ), sexta, 10 de junho. Também publicitária e doutoranda, Renata criticou a abordagem da grande mídia sobre as favelas e os Direitos Humanos. “Neutralidade é a mentira que se criou para vender jornal”.

Moradora da Favela da Maré desde a infância, a jornalista começou a carreira no Jornal Comunitário O Cidadão, em 1999. Comentou que lá aprendeu não apenas diversas funções na área do jornalismo, mas também a verdade por trás de cada notícia. “O jornalismo comunitário não vende a falácia da neutralidade”. Renata afirmou que o objetivo do jornal O Cidadão sempre foi contar o que a mídia tradicional omitia ou informava de maneira distorcida da realidade, com base em falsa postura neutra.

Após apresentar exemplos de diversos casos que foram contados de forma inverídica nos jornais, Renata observou que assumir uma postura equilibrada é fundamental para passar a notícia. De acordo com a entrevistada, o jornal comunitário tem um ponto de vista definido, a responsabilidade é contar ao leitor o que realmente acontece no local.

Assessora de comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo desde sua primeira candidatura, em 2006, a profissional relembrou o episódio emblemático da chegada do “Caveirão” nas comunidades. Renata disse que o veículo foi apresentado pela mídia como grande medida de segurança, quando na verdade diversos modelos do carro foram usados para invadir os locais a qualquer custo, causando pânico e mortes entre os moradores.

Renata relatou que várias ações da Polícia Militar foram contadas em versões voltadas para justificar o ataque contra o tráfico de drogas, mas nunca noticiando quando um morador da periferia perdia a vida por causa dessa operação. Tal fato levou a jornalista a reconhecer, junto ao partido PSOL, a necessidade do fim da polícia como existe hoje e defende uma reformulação ideológica, de forma que os Direitos Humanos se tornem um ponto fundamental a ser pensado.

A entrevistada chamou atenção também para a necessidade de se discutir o racismo e o lugar da mulher na sociedade, partindo de sua experiência como única aluna negra na turma da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), onde ingressou no ano de 2003, como a primeira da família a cursar o ensino superior. Sempre pensando nos direitos de cada cidadão, Renata afirmou que nunca se colocará no lugar de vítima, mas sim na posição de militante que luta por espaço e reconhecimento nesse Brasil com tantas questões para amadurecer.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Favela é tema principal de entrevista

Yasmin Santos*

A jornalista e publicitária Renata Souza foi recebida em entrevista coletiva, no Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), sexta-feira, 10 de junho. O encontro, previsto para terminar por volta das 14h, estendeu-se até às 16h devido às perguntas que não paravam de surgir. Em pauta, estavam a trajetória política da convidada e assuntos que, segundo ela, ainda custam a ganhar espaço no meio acadêmico como a segurança pública na favela.

Militante dos direitos humanos, Renata contou que ela e os demais profissionais de O Cidadão foram chamados pelo tráfico para prestar esclarecimentos, porque o jornal, onde trabalhava, havia feito uma matéria sobre segurança pública. A jornalista falou sobre a falta de interesse da grande mídia com temas da favela, como um todo complexo, e não como um problema meramente decorrente do tráfico de drogas: “A gente tem um ciclo nefasto: é pobre matando pobre.” A entrevistada disse que a maior parte dos jovens que fazem prova para a Polícia Militar são homens, negros e pobres. “Favela é tráfico no varejo, favela não refina. Não se discute a legalização das drogas porque matar pobre dá muito dinheiro. Enquanto a gente não discutir isso seriamente eles [o Estado] vão entrar para matar”.

Com trajetória marcada pela comunicação comunitária, Renata fez diversas comparações entre a mídia hegemônica, vista como “neutra” e “imparcial”, e sua área de atuação, que já nasce parcial desde o primeiro suspiro. Ressaltou que na comunidade, as notícias dos moradores que não são relatadas pelos demais jornais, são veiculadas pelo jornal local. “A neutralidade é uma mentira que se criou para vender jornal. Nós, jornalistas, devemos procurar fazer um jornalismo de fato ético, equilibrado, e não neutro”, afirmou.

De acordo com Renata, na comunicação comunitária não há essa preocupação em vender jornal, mas em fazer com que o leitor da favela possa se enxergar naquelas páginas e tirar suas próprias conclusões a partir da informação disponibilizada. “Informação é formação e ela [o acesso à informação] liberta mesmo”. Acrescentou que a comunicadora popular escreve de favelada para favelada, assume seu lugar de fala. Escreve não apenas pelo que ouviu ou pesquisou, mas também pelo que viveu, pela realidade que compartilha com seus leitores.

*Aluna do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

Da Maré a ALERJ: Renata Souza torna-se braço direito de Marcelo Freixo

Mathias Felipe*

Uma moradora da Maré pega o ônibus e vai parar na universidade particular considerada a mais conceituada do país, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Acostumados a lidar com moradores abastados da Zona Sul, os universitários da PUC tiveram que conhecer as diferentes realidades presentes na cidade maravilhosa. Essa universitária bolsista, “negra e favelada” como costuma se identificar, era Renata Souza, atualmente doutoranda da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pela assessoria de comunicação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), futuro candidato à prefeitura do Rio em 2016. A assessora de Freixo relatou essa história em coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação Social (ECO/UFRJ), dia 10 de junho, e explicou como foi construída essa parceria.

Renata é moradora até hoje do complexo da Maré, conjunto de favelas que beiram a Avenida Brasil. Jornalista e publicitária pela PUC, contou que sempre participava de todas as oportunidades que a Maré lhe oferecia. Dentre essas, participou de um programa idealizado pela ex-primeira dama Ruth Cardoso, o Comunidade Solidária, que proporcionou a ela conhecer a UFRJ, vizinha à comunidade. Foi nesse lugar “cheio de gente jovem e inteligente” que começou um programa de orientação vocacional com psicólogas da universidade.

A jornalista lembrou que das profissões que mais odiava, as três fazem hoje parte da sua vida – jornalismo, publicidade e política. Em consulta à psicóloga disse que odiava os jornalistas, porque eles só mentem, e foi aconselhada a estudar mais sobre a profissão. Acabou concluindo que poderia ser jornalista para “fazer diferente”. Com isso, iniciou a carreira, escrevendo para o jornal O Cidadão da Maré, antes mesmo de entrar na PUC, afirmou a assessora.

Segundo Renata, durante a graduação escreveu para o jornal da comunidade. Lembrou que no último ano de jornalismo, recebeu uma bolsa para o trabalho de conclusão do curso e isso lhe rendeu um convite para participar de uma mesa de debate sobre mídia e comunidades. Acrescentou que ao terminar a graduação, resolveu cursar Publicidade e Propaganda para entender a mente dessas pessoas que tanto abominava.

Com o tempo, virou editora do jornal O Cidadão e durante participações em eventos, acabou conhecendo Marcelo Freixo, um professor que estava entrando na política. Inicialmente, Renata acreditava que seria mais um corrompido pelo sistema político, mas acabou percebendo que ele era diferente e se tornaram grandes amigos e parceiros.

A jornalista contou que no dia da eleição para deputado estadual, uma criança foi morta na Maré e os moradores, revoltados, foram até o batalhão da polícia, que fica na comunidade, com pedras e paus nas mãos, alegando ter sido um policial que atirou na criança. Com receio da reação da polícia, Renata que participava da campanha de Freixo telefonou para ele e pediu ajuda. Segundo a jornalista, com grande lábia, o futuro deputado conseguiu negociar com o chefe da polícia e os moradores da comunidade, apaziguando a situação. Essa cena pode ser vista no filme Tropa de Elite 2, de José Padilha, mencionou a assessora.

Após esse fato, Freixo convidou Renata para assumir sua assessoria de imprensa. Ela disse que mesmo receosa com o mundo político aceitou, na expectativa de poder ajudá-lo a tentar mudar a política do país. Contou que a primeira audiência do deputado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) foi sobre crianças assassinadas nas favelas, levando temas reais, como o que presenciou, para a Assembleia Legislativa. Nesse meio tempo, Renata acabou se filiando também ao partido de Freixo, o PSOL.

A jornalista garantiu que não quer entrar de cabeça na política, apenas apoiar pessoas que acredita no projeto. Renata está cursando o doutorado em Comunicação na UFRJ e se projeta lecionando e pesquisando. Disse que seu objetivo é claro e, para isso, vem investindo. Conseguiu uma bolsa para cursar parte do doutorado em Barcelona no último ano. Na Espanha, pesquisou sobre o partido de esquerda local, o “Podemos”.

Com essa bagagem, Renata prometeu investir na campanha de Freixo para que seja eleito prefeito no próximo semestre. Reconheceu o grande desafio pela frente, considerando que a eleição promete candidatos fortes. Isso a levará a fazer uma pequena pausa no doutorado no próximo semestre para apoiar as eleições, mas afirmou que voltará para o curso em breve.

*Aluno do 2º período do curso de Comunicação Social da ECO/UFRJ

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