Laboratório vivencia prática de entrevista coletiva

Emília Ferraz: Diretora do programa Observatório da Imprensa.

Emília Ferraz: Diretora do  programa Observatório da Imprensa.

A jornalista Emília Ferraz, diretora do programa Observatório da Imprensa, fechou o semestre do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, com a terceira simulação de entrevista coletiva. Despertou a curiosidade dos alunos ao contar casos do cotidiano de uma redação de tevê, dificuldades, aprendizagem e liberdade de criação. O Laboratório é ministrado pela pesquisadora Zilda Martins e faz parte das atividades do LECC.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Especialista em televisão narra desafios da carreira

 Por Isabella Gomes

      Jornalista e diretora do programa Observatório da Imprensa, Emilia Ferraz concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, dia 04/03. Exibido pela TV Brasil há 17 anos, o programa se propõe a avaliar o desempenho da imprensa brasileira baseado em notícias de destaque. O encontro ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM), onde a entrevistada falou sobre os desafios do jornalismo, desde a graduação ao exercício da profissão.

      Graduada pela UFF em 1984, Ferraz criticou a deficiência do curso de jornalismo quanto às matérias práticas, de produção audiovisual. Equipamento quebrado e falta de técnico são problemas citados. “A gente nunca fez televisão dentro da faculdade”, declarou.  Ela acredita que o cenário mudou. Durante o curso que ofereceu no laboratório de telejornalismo da Universidade Estácio de Sá pode constatar que a faculdade hoje prepara melhor os alunos para o mercado de trabalho.

      Ferraz observou que os jornalistas sofrem com a carência de autonomia. Disse que a maioria dos repórteres vai para a rua com pauta pronta feita pelo editor, o que não permite liberdade de exploração. “Ninguém hoje quer se dar ao trabalho de ensinar nada a ninguém”, criticou. Completou que essa interferência na liberdade de expressão atrapalha a formação do bom jornalista, que perde a oportunidade de aprender com os próprios erros.

     No Observatório da Imprensa, os conflitos são outros. Diretora do programa há 12 anos, Ferraz sofre com o deadline imposto pelo formato. “Não posso estender, tenho que cortar mesmo. Eu pedia para encerrar, mas o apresentador (Alberto Dines) não conseguia ou o convidado ainda estava falando e eu tinha que pedir ao Dines para interromper. Ao vivo é muito complicado”, relatou.

     Segundo a diretora do Observatório, ainda que não comprometa a qualidade do programa, o orçamento também prejudica a realização de certas ideias. Ela citou o caso de uma edição sobre utopia, tratada em um programa especial. “Como vou representar em imagem a utopia de Sócrates? Esses são meus desafios, infraestrutura, coisas técnicas”, explicou.

      Ferraz acrescentou que em outros casos, o baixo orçamento impulsiona a criatividade no processo de edição. Relatou acerca de um especial sobre Warren Buffett, 3° homem mais rico do mundo, e da viagem da equipe para Omaha, no meio-oeste americano. Por conta do frio, das dificuldades e do entrevistador ter adoecido, conseguiu apenas 13 minutos de vídeo, dos 52 necessários. Ferraz procurou alternativas: “Você (Alberto Dines) vai fazer uma análise dessa entrevista com o Lucas Mendes, pra gente ter um depois”, pediu. Sem alcançar o tempo necessário, pesquisou outras possibilidades.  “Consegui encontrar coisas dele como pessoa, diferente do que se faz ideia do que seja um milionário.” Com isso, o programa foi ao ar e o que seria um fracasso, resultou em uma bela apresentação, concluiu.

*Aluna do 2° período de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Jornalista relata sua trajetória na TV

Por Ana Carolina Santos*

     Em entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, a editora-executiva e diretora do “Observatório da Imprensa”, Emília Ferraz, compartilhou um pouco de sua vivência na televisão e de experiências em outras áreas do jornalismo. O encontro ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM), da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), na sexta-feira, 4 de março.

      Bacharel em Comunicação Social pela UFF (1984), Ferraz trabalhou em jornais, revistas e assessoria de imprensa, mas se encontrou na televisão. “Quando entrei para a TV, vi que aquele era meu caminho”. A jornalista relata ter passado por dificuldades no começo da carreira, considerando que a faculdade “em nada a preparou”. Conta que durante um ano acompanhou uma equipe de reportagem, sem nenhuma remuneração, para aprender como era o dia a dia desses profissionais. Até que finalmente abriu uma vaga e pode trabalhar regularmente na TV.

      A jornalista credita boa parte do conhecimento televisivo a uma editora que anotava seus erros em um pedaço de papel e pregava na parede para todos na redação verem. “Eu morria de medo, mas ela é minha grande amiga até hoje e eu a agradeço por tudo”. Editores assim, apontou, são raros hoje em dia: “Ninguém quer se dar ao trabalho de ensinar nada a ninguém”.

      Ainda sobre a importância dos editores, Ferraz relatou um episódio em que participou de entrevista coletiva com o cantor e compositor Tom Jobim acerca de um show que este realizaria no Rio de Janeiro, depois de muitos anos vivendo em Nova York. Disse que Tom, bonachão, brincava e mexia com as repórteres, exaltava as belezas da Cidade Maravilhosa e se furtava a responder às perguntas. Ainda assim, Ferraz insistiu na pauta. Vendo que a matéria não existia enquanto substância, sua editora mudou completamente o foco e fez uma matéria sobre o amor de Tom Jobim pelo Rio e pelas cariocas.  “Na época, eu não tive essa percepção. E o editor tem de fazer justamente isso: transformar uma matéria em outra melhor.”

      Sobre seu trabalho na TV Brasil, a jornalista afirmou gozar de total liberdade: “Apesar de a emissora ser pública, nunca recebi ordens diretamente de Brasília pra omitir ou mostrar algo”. Destacou, também, a felicidade que é trabalhar com Alberto Dines, apresentador do “Observatório da Imprensa”: “Ele é muito gentil e cavalheiro”.

      Questionada acerca dos rumos do jornalismo em meio à crise que a profissão vem enfrentando, Ferraz é realista: “O mercado é de recessão. Essa crise no jornalismo vem desde a década de 1970 e se intensificou nos anos 2000, com a expansão da internet”. Mas aponta as produtoras de conteúdo audiovisual como um nicho em ascensão, devido à Lei da TV Paga, que exige das emissoras de TV por assinatura reservar certa porcentagem de sua programação a conteúdos nacionais.

*Aluna do segundo período de Comunicação Social da UFRJ

“Matéria boa é matéria que vai ao ar”

Por Matheus Rocha*

       “O jornalista tem uma responsabilidade social”. Com essa frase, a editora-executiva do programa Observatório da Imprensa, Emília Ferraz, define o papel dos profissionais que exercem o jornalismo. Convidada a participar de entrevista coletiva (sexta-feira, 04/03) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ferraz compartilhou histórias referentes à sua carreira e discorreu sobre o fazer jornalístico em um contexto de profunda crise da profissão.

      Questionada acerca do famoso deadline, prazos em geral curtíssimos para entregar matérias, a entrevistada não hesitou em afirmar que “é uma coisa terrível”. Ferraz defendeu que o jornalista não tem controle sobre prazos e, mesmo aquém do desejado, o trabalho precisa ser entregue. “Se o jornal for ao ar meio-dia, a matéria tem que estar pronta. É melhor que ela seja feita com menos conteúdo do que ficar de fora”, frisou.

      Ainda sobre o tema, a editora-executiva contou que, no começo da carreira, atrasou a entrega de uma matéria para atribuir nomes às vítimas de um dado incidente. Como resultado, a reportagem não foi ao ar. Dessa situação, Ferraz relatou ter aprendido importante lição, ensinada por um editor: “Matéria boa é matéria que vai ao ar”.

      Os alunos perguntaram sobre a crise enfrentada pelo jornalismo, sobretudo depois da difusão da internet. A editora admitiu que “o mercado é só de recessão. Essa crise do jornalismo vem da década de 1970, não é de agora, mas se aprofundou a partir dos anos 2000 tão gravemente que nem os donos de empresas nem os teóricos têm uma resposta para isso”.

No que diz respeito à oferta de trabalho nessa conjuntura nada animadora, Ferraz enxerga nas produtoras de conteúdo audiovisual um nicho promissor, considerando que a Lei da TV paga, de 2011, aqueceu bastante o segmento. Sobre a postura do jornalista diante de tal realidade, a convidada foi enfática ao afirmar que os profissionais precisam ser ater à tarefa principal, “que é ser crítico, pensar, identificar, pesquisar, se aprofundar. Ter toda uma visão geral do assunto em questão. Não pode se contentar com pouco”, concluiu.

* Aluno do segundo período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ

 

Autonomia jornalística é foco em entrevista coletiva

 Por Lucas Rocha*

       Jornalista e diretora do programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Emilia Ferraz, concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada da Escola de Comunicação da UFRJ. O encontro, terceiro e último do semestre, foi realizado na Central de Produção Multimídia (CPM), sexta-feira, 04/03. Na conversa, a comunicadora tratou principalmente de questões relacionadas a autonomia do jornalista.

      Os alunos apresentaram questões, dentre elas, a que mais chamou atenção foi a dúvida quanto a real liberdade dos profissionais de comunicação na hora de passar as notícias. Segundo Ferraz, muitos jornalistas no início da carreira se desiludem com a profissão, ao ver que idealizaram demais, quando, na realidade, existem algumas restrições.

       A convidada explicou que tudo começa na forma como o veículo de mídia estabelece a relação entre editor e repórter. De acordo com Ferraz, atualmente há um acompanhamento maior do chefe de redação no processo de produção das matérias, limitando a liberdade do jornalista. Acrescentou que há claras diferenças entre as empresas de comunicação nesse quesito.

       A comunicadora estendeu o debate para a diferença entre a esfera pública e a esfera privada no setor. Esclareceu que em empresas como a TV Brasil, o jornalista tem muito mais autonomia. “Quando você está numa empresa pública é uma liberdade incrível, você fala sobre o que quiser”. De acordo com Ferraz, isso é “fantástico” para o profissional de comunicação, mas aponta outro lado, o da burocracia e do engessamento estrutural, que, nas palavras da comunicadora, não combinam com jornalismo.

Por fim, contrariou a frequente afirmação de que na TV Brasil não se pode criticar o governo ou que é ele quem define as pautas. “No jornalismo diário nunca tivemos um assunto que viesse lá de Brasília, nunca teve um assunto que não pudéssemos falar”.

*Aluno do 2º Período de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

 

 

Jornalista conta histórias e diz que aprendeu na prática

Por Clara Wardi*

      “Burocracia e engessamento não combinam com jornalismo.” A declaração é da diretora do programa Observatório da Imprensa (TV Brasil), Emília Ferraz, durante entrevista, concedida aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada. No encontro, realizado na sala de editoração da Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ (CPM/ECO/UFRJ), a especialista em televisão abriu o livro de histórias de sua carreira. Discorreu desde o aprendizado nos primeiros estágios à convivência com Alberto Dines, desnudando a profissão e expondo aos futuros jornalistas como funciona na prática.

      Apesar da correria do dia a dia assumido pela jornalista, Ferraz esteve inteira e de bom humor na coletiva, mostrando-se à vontade para responder às perguntas que surgiram. O tempo de fala inicial da entrevistada era de meia hora. Apesar de achar muito extenso, a diretora se empolgou, envolvendo os alunos ao contar como aprendeu lições sobre a profissão e, ao final, foram quase duas horas de fala, entre exposição e respostas às questões.

      Com minúcia, a convidada recordou os tempos de repórter na TV Educativa e como aprendeu com os próprios erros, mesmo tendo sido um trabalho exigente. Contou que sua editora colava todos os dias papeizinhos amarelos, apontando seus erros, e o que poderia ser feito para melhorar. Disse que apesar de se sentir um tanto frustrada com a exposição dos erros, encarou essa atitude como uma demonstração de cuidado e atenção, o que não se vê mais hoje em dia. “Ninguém mais quer se dar ao trabalho de ensinar nada.”

      Ao narrar outras experiências da carreira, Ferraz lembrou de um episódio com Tom Jobim e sua dificuldade em responder às perguntas dos jornalistas, durante uma coletiva no Jóquei Clube do Rio de Janeiro. Disse que o cantor já era consagrado e não cooperou com os entrevistadores. O resultado foi que as informações que havia conseguido ao final eram insuficientes para compor uma boa matéria. Nessa situação, observou que foi “salva” pela editora, que mudou a pauta e apresentou outra abordagem. Aprendeu que o editor pode transformar uma matéria em outra melhor.

       Ao ser questionada sobre a tendência de perda de qualidade que os meios de informação têm sofrido, Ferraz voltou a tocar na importância que tem o editor. Segundo ela, o editor age como um “filtro”, podendo evitar situações desnecessárias a quem escreve.  A entrevistada ressaltou os prós e contras da falta desses “filtros” na rede, que tanto pode permitir maior independência na produção de matérias, como também pode perder muito a qualidade e veracidade das informações.

      Ferraz assumiu a função de editora do Observatório da Imprensa em 2001, e em seguida conquistou a diretoria do Programa. Explicou como é a convivência com o consagrado jornalista Alberto Dines, editor-responsável do Observatório e admirado por muitos. Disse ter alguns embates com o jornalista, justamente pelo formato “enxuto” televisivo, enquanto Dines tem mais conteúdo e consequentemente dificuldade de se adequar a televisão, A solução, segundo Ferraz, foi o uso das ferramentas que tem para aproximar mais a linguagem de Dines à da televisão. A jornalista fez elogios ao companheiro de trabalho e disse ser privilegiada por conviver com alguém “tão gentil”, referência em jornalismo crítico e possuidor da melhor memória que já vira, apesar da idade avançada.

      A especialista em televisão não se mostrou tão otimista com o futuro do jornalismo impresso, afirmando que a esperança e o futuro do mercado é o “audiovisual” devido à grande difusão dessa linguagem, a partir da Lei da Televisão Paga. Partindo dessa perspectiva, Ferraz falou da importância de se fortalecer o compromisso social com o pensamento crítico, necessário para o profissional aprofundar as matérias, pesquisar e não se contentar com pouco. Defendeu a autonomia do jornalista, necessária para o exercício da profissão.

*Aluna do terceiro período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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