Representação árabe no Brasil desperta interesse

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Pesquisador Guilherme Curi

A segunda simulação de coletiva apre-sentada aos alunos do ciclo básico de comunicação da ECO foi concedida pelo pesquisador, Guilherme Curi. Ele abordou o tema da representação árabe na mídia, motivando debate e questionamentos. A proposta do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, mediado pela pesquisadora Zilda Martins, é motivar os alunos a viverem um ambiente de tensão, próprio das entrevistas coletivas.

Como construir um Outro na mídia

Por Isabella Gomes

    O doutorando Guilherme Curi concedeu entrevista coletiva aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, dia 19/02, na Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ (CPM/ECO). Curi pesquisa a representação do árabe no Brasil, desde os discursos que os próprios imigrantes publicavam no século passado, aos discursos atuais produzidos nas novas mídias. O pesquisador é ligado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação da ECO, na linha de pesquisa Media e Mediações Socioculturais.

    Campo de estudo em ascensão graças às transformações técnicas nas plataformas, a mídia reflete valores ideológicos daqueles que detém poder sobre elas. São poucos os grupos que tem acesso à produção nesse âmbito, por isso,

    Curi assegurou o caráter de resistência dos periódicos publicados por imigrantes e voltados para a própria comunidade. Afirmou que esses periódicos são evidências da reclamação de lugar e busca por protagonismo – conceitos abordados comumente pelas minorias. “Não basta ser assunto, é necessário ter autonomia para inseri-lo no debate público”, disse.

    De acordo com observação do pesquisador, conforme mudam as demandas sociais, mudam também os estereótipos, lembrando que se antes era ressaltado o aspecto machista do árabe, hoje impera a imagem do terrorista. Segundo Curi, a guerra americana ao terror exportou a generalização do povo árabe a partir da experiência de confronto com o Estado Islâmico. Para entender melhor o objeto de pesquisa e desmitificar essa imagem, Curi entrevistou cidadãos árabes instalados no Brasil de diversos perfis etnográficos.

    O convidado acrescentou que a maneira como o Estado Islâmico se projeta na mídia corrobora com a noção hegemônica que estigmatiza o povo árabe. Na sua opinião, o processo comunicativo, seja qual for o emissor, ressalta a dicotomia entre ocidente e oriente, reafirmando o segundo como Outro, para que o status quo siga normalizado e não questionado. Enquanto o meridiano demarcar a hierarquização do poder, o Eu ocidental pode existir inalcançável no topo.

    Para o autor, a academia deve buscar desnaturalizar posturas e comportamentos atuais, entendê-los e documenta-los. Dessa forma, “evita-se que o contexto nos quais os diferentes discursos de árabes ou sobre eles seja ignorado, além de reconhecer sua importância. Quando o assunto é terrorismo, por exemplo, evita-se falar sobre causas e motivações históricas, ressaltando apenas o viés religioso. A estratégia leva a acreditar que o Islamismo é o culpado. Logo, o sentimento de ódio por um dos Outros se volta a todos eles.”

* Aluna do 2° período do curso de Comunicação da Eco

 Medo e controle são novos estereótipos contra árabes

Por Lara Freitas

    O doutorando em Comunicação, jornalista e estudioso da representação árabe no Brasil, Guilherme Curi, concedeu coletiva aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, da professora Zilda Martins. A entrevista ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM) da Escola de Comunicação da UFRJ – ECO, sexta-feira, 19 de fevereiro, por aproximadamente uma hora e meia.

    Curi, de avô libanês e formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas, disse que a construção da figura do árabe no Brasil se deve a um modelo baseado no medo, na separação entre nós – no caso, ocidentais – e eles. Para o pesquisador, esse modelo se transforma na oposição dicotômica entre bem e mal, incitando violência e guerra a partir da premissa de que o diálogo como resolução de conflitos é uma medida utópica. Curi afirmou que a construção de um Outro ajuda o Ocidente a se manter relevante e poderoso, e que a mídia ajuda a reforçar isso tanto com expressões equivocadas, como “crise de imigração”, por exemplo, quanto com perpetuação de estereótipos. Sugeriu a importância de se refutar todas as formas duais.

    O jornalista destacou o caso recente de manchetes que anunciavam um professor do departamento de física da UFRJ, Adlène Hicheur, como terrorista. Tais notícias alardeavam conexões entre o professor e os atentados recentes em Paris, frequentemente circulando com informações equivocadas, e o caso culminou na suspensão de Hicheur. Curi ressaltou a semelhança entre o estado de medo provocado pelos estereótipos raciais e a sociedade de vigilância constante de Foucault, aonde todos vivem em estado de suspeita perpétua dos outros ao seu redor. O convidado ligou a tática de medo usada contra grupos étnicos a campanhas políticas como as de Donald Trump, pré-candidato à presidência estadunidense, e Jair Bolsonaro, deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.

Com a globalização, “somos levados a adotar ideais predominantemente norte-americanos baseados no medo.” O discurso anti-árabe no Brasil estaria em ampla expansão, de acordo com o pesquisador. Para Curi, com a iminência das Olimpíadas em agosto, vem o temor de represálias, embora nunca tenha havido tentativas de ataques terroristas no país, nem mesmo durante a Copa das Confederações, em 2014. Ao contrário, afirmou que as comunidades árabes no Brasil, predominantemente cristãs apesar da associação do árabe ao islã, sempre demonstraram um grande interesse em se integrar às comunidades locais, estando muito presentes no cenário político do país, com uma representação maior que outras etnias.

Curi finalizou sua fala reforçando que ameaças como o Estado Islâmico, frequentemente generalizadas de modo reducionista para representar os povos árabes, não são problemas exclusivos do Ocidente, afetando muito mais os povos locais do Oriente Médio. Aconselhou também os alunos a atentar para a parcialidade dos meios de comunicação e seu papel na construção de estereótipos negativos.

*Aluna do ciclo básico do curso de Comunicação da ECO/UFRJ

Pesquisador analisa a dicotomia entre ocidente e oriente

  Por Matheus Rocha

    O doutorando Guilherme Curi participou de coletiva, realizada na Central de Produção Multimídia (CPM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na sexta-feira (19/02). Trouxe “a representação do árabe no Brasil e na mídia nacional”, tema da pesquisa que vem desenvolvendo no Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ (PPGCOM-ECO/UFRJ). O convidado respondeu questões colocadas pelos alunos, admitindo que ainda estava vivendo o processo de se perder, a fim de conseguir respostas para a pesquisa.

    Curi ressaltou que a pesquisa em andamento tem como objetivo evidenciar a oposição entre ocidente e oriente, fortemente estimulada por determinados agentes sociais. “Uma das grandes questões da pesquisa é apontar para a dicotomia colocada entre ocidente e oriente, europeus e árabes, nós e eles, o bem e o mal”, enfatizou. O pesquisador enxerga nessa visão um instrumento para “fomentar o mantimento da ordem vigente e de políticas desastrosas.”

    Quando questionado sobre o que poderia desconstruir o discurso maniqueísta usado para retratar as populações árabes no jornalismo, o Mestre em Sociologia lembrou que periódicos escritos pelos migrantes têm papel fundamental no processo de desconstrução de estereótipos. Além disso, observou que as chamadas web-diásporas, redes sociais e blogs produzidos por essas comunidades, operam como canal de expressão, onde o árabe pode desenvolver suas próprias representações e narrativas.

    Curi fez, ainda, uma veemente crítica ao modo como a imprensa narra o fluxo de refugiados que tem partido, majoritariamente, de países da África e do Oriente Médio em direção à Europa. “É um absurdo se falar em crise migratória, um grande absurdo. Como crise migratória? O homo sapiens era obrigado a migrar em busca de alimento, ele era nômade por natureza. É a migração que está em crise ou é a estrutura, o sistema?”, perguntou o pesquisador.

     Segundo Curi, a imagem estereotipada que o árabe tem no Brasil é, em grande medida, herança da influência norte-americana sobre o país. Por fim, o convidado encerrou sua fala frisando que o medo nutrido por determinados brasileiros em relação ao migrante é despropositado, já que as chances de um atentado terrorista ocorrer em território nacional são um tanto quanto escassas.

*Aluno do segundo período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ

 

Doutorando da ECO/UFRJ bate papo com graduandos

Por Ana Carolina Santos

    Estudioso da representação árabe no Brasil, o jornalista e doutorando Guilherme Curi conversou com alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada acerca de sua pesquisa. A entrevista coletiva ocorreu dia 19 de fevereiro, na Central de Produção Multimídia (CPM), da Escola de Comunicação da UFRJ.

    Curi iniciou a vida acadêmica no curso de Comunicação, com graduação em jornalismo, pela Universidade Católica de Pelotas (RS), cidade vizinha a Rio Grande, onde nasceu. Fez mestrado em Sociologia pela University College Dublin, na Irlanda e, no momento, cursa o doutorado, seguindo a linha de pesquisa Mídia e Mediações Socioculturais do PPGCOM – Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ).

    O interesse do pesquisador pela cultura árabe tem origem na família: seu avô paterno nasceu no Líbano e, ainda pequeno, chegou ao Brasil, instalando-se na cidade gaúcha de Rosário do Sul. “Por ser de origem árabe, minha inserção na comunidade é muito facilitada. Ao mesmo tempo, tenho um olhar de fora, um distanciamento. Essa ambivalência me ajuda muito na pesquisa”, observou.

    Curi aponta para a alteração da imagem do árabe no Brasil: “Até a década de 1990, o árabe era visto como exótico, místico. Após os atentados ao World Trade Center, em 2001, passou a ser enxergado como terrorista.” Para ratificar isso, o jornalista relatou um episódio recente: “No Carnaval desse ano, fui a um bloco com um amigo que estava fantasiado de árabe e, a todo momento, o chamavam de terrorista, homem-bomba”. Em sua opinião, essa mudança na percepção do árabe é importada dos EUA, visto que o Brasil sofre massiva influência da cultura estadunidense.

    Quebrar essa visão preconceituosa e reducionista é um dos objetivos de Curi. Ao ser questionado sobre o machismo na cultura árabe, ele rebateu, afirmando que um dos primeiros jornais feministas foi produzido por uma imigrante árabe no Brasil, sem tentar omitir a inegável cultura do patriarcado presente nas diversas culturas árabes. Ele combate, também, a homogeneização feita pela grande mídia acerca de tal comunidade: “Há uma enorme pluralidade no mundo árabe e no próprio Islã”.

    Ainda sobre a presença árabe no Brasil, o convidado surpreendeu os alunos ao chamar a atenção para a origem de importantes figuras da política brasileira, tais como Geraldo Alckmin, Michel Temer e Paulo Maluf. Ele credita o sucesso e a prosperidade do imigrante árabe a seus fortes laços de comunidade e ajuda mútua. “O Brasil é muito mais árabe do que imagina”, concluiu.

*Aluna do segundo período de Comunicação Social da UFRJ

Jornalista questiona dicotomia na ordem mundial

 Por Gabriel Menezes*

    O jornalista e sociólogo Guilherme Curi concedeu entrevista aos alunos do Laboratório de comunicação crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, na sexta-feira, 19 de fevereiro. Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas e Mestre em Sociologia pela irlandesa University College Dublin, Curi também é doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM/ECO/UFRJ). O pesquisador falou sobre o tema central de suas pesquisas: o povo árabe e a relação do ocidente com essa população.

    Descendente de árabes, Curi afirmou que o foco de sua pesquisa é apontar a dicotomia existente entre o ocidente e o oriente. A crítica do jornalista é justamente que essa divisão acaba prejudicando as relações diante de um mundo cada vez mais globalizado: “(…) a dicotomia colocada entre o ocidente e o oriente, nós e eles, europeus e árabes, o bem e o mal, parece ser necessária para fomentar a manutenção da ordem vigente e políticas cada vez mais desastrosas onde o diálogo é tido como algo utópico e inalcançável,” afirma. Segundo o doutorando, o dualismo deve ser refutado, pois isso “torna-se fundamental para o desmembramento de questões tão complexas e compostas.”

    A pesquisa de Curi busca analisar as representações do povo árabe na mídia do Brasil. Segundo ele, os árabes compõem uma das maiores parcelas de população migrante de nosso país, sendo muito importantes tanto quantitativa, quanto culturalmente. O pesquisador ressaltou que houve mudança da representação desses povos no país, fortemente estereotipados. “Visto anteriormente como diferentes e exóticos, os árabes sofreram com a cultura do medo, disseminada principalmente nos Estados Unidos, e se tornaram ‘terroristas’ em potencial, fenômeno que pode ser observado nos dias de hoje, principalmente com a crise migratória que vem ocorrendo por conta de conflitos na Síria e na Líbia, por exemplo”.

     O pesquisador questionou ainda a dicotomia imposta sobre nós, analisando que “a construção da figura do outro como algo que não nos pertence, torna-se mais do que necessário para compreendermos a sociedade global e de controle em que vivemos”, reiterando que os estereótipos têm uma função de fazer com o que o representante e o representado tornem-se parte de um mesmo processo, “fundado na interatividade e na reciprocidade de trocas simbólicas.”

* Aluno do 2º período de Comunicação na ECO-UFRJ

Pesquisador critica representação da cultura árabe no Brasil

 

Por Lucas Rocha

    O doutorando Guilherme Curi concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, dia 19 de fevereiro, na Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ (CPM/ECO/UFRJ). Curi é pesquisador da imagem do árabe veiculada pela mídia brasileira. Na coletiva, criticou a representação e a construção imagética do povo arábico no país.

    Segundo Curi, a visão brasileira sobre esses povos mudou nos últimos anos. Aqueles que eram vistos como “figuras místicas e exóticas”, são agora lidos como terroristas. O pesquisador atribui tal mudança a uma construção midiática de medo em torno dessa parcela da população.

    A justificativa, na opinião do doutorando, passa pelo interesse em manter a ordem vigente e uma das estratégias é diminuir, desconstruir as minorias. “O ser humano tem uma necessidade de diminuir o outro e esse outro muda, sendo ora o negro, ora o árabe”, destacou.

    Ao ser questionado sobre os meios para uma mudança desse paradigma, o pesquisador citou os periódicos criados por imigrantes árabes e a internet. Para ele, esses jornais têm enorme papel transformador, na medida em que permitem real representatividade. No meio virtual, falou das web-diásporas, que são blogs, sites e redes sociais produzidos por migrantes e para migrantes. Segundo Curi, tais meios produzem cidadania e comunitarismo, considerando as trocas culturais, o apoio mútuo e “a resistência, ou ‘a existência’, como diz Muniz Sodré. A pessoa está ali dizendo quem ela é e quem está representando, e isso é uma forma de resistência”.

    O comunicólogo ressaltou que é preciso estar muito atento a esses veículos que se afirmam como emancipadores. Quando questionado sobre a importância da rede Al Jazeera (com sede no Qatar) no mundo, destacou que muitas vezes esta possui interesses diferentes daqueles dos povos árabes. Por se tratar de uma empresa multinacional, tem objetivos que vão além da emancipação. “A Al Jazeera é grande ferramenta no sentido de que vai mostrar coisas que outros meios não mostram, mas através de uma visão de mundo própria [‘Al Jazeera’], que não é a mesma visão que o mundo árabe tem”.

*Aluno do 2º Período de Comunicação Social da UFRJ

Pesquisa aborda distanciamento entre ocidente e oriente

Por Nadine Ximenes

     Jornalista e doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM/ECO/UFRJ), Guilherme Curi, concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada na última sexta-feira (19/02). O encontro ocorreu na Central de Produção Multimídia (CPM) da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ).

     Durante a coletiva, os alunos questionaram acerca da oposição entre ocidente e oriente e da relação entre migrações transnacionais e interculturais com as novas tecnologias da comunicação e informação (TICS). O entrevistado esclareceu que tal dicotomia, colocada entre europeus e árabes, nós e eles, o bem e o mal, fomenta a manutenção da ordem vigente e políticas cada vez mais desastrosas.” Acrescentou que “a distinção [entre ocidente e oriente] serve para intensificar as diferenças e impedir algumas tentativas de aproximação entre as culturas”.

     Curi apontou a criação de estereótipos sobre a cultura árabe como uma das responsáveis por essa dicotomia e falou da importância de serem desconstruídos. Defendeu a informação e comunicação produzidas pelos representantes árabes. Para o pesquisador, esta é uma forma de quebrar os preconceito, muitas vezes colocados pela mídia, que reproduz a imagem equivocada de que toda comunidade árabe é terrorista e geradora de medo.

*Aluna do ciclo básico de Comunicação da ECO/UFRJ

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