Alunos trabalham a primeira simulação de coletiva

Matérias escritas por alunos do ciclo básico de Comunicação da ECO mostram os primeiros resultados das aulas do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada. A primeira de três simulações de entrevistas coletivas programadas foi concedida pela jornalista Iris Agatha. O Laboratório é ministrado pela pesquisadora Zilda Martins e faz parte das atividades do LECC.

Jornalista Iris Agatha

Jornalista Iris Agatha

Entrevistada ressalta qualidades do bom jornalismo

Por Isabella Gomes

A jornalista Íris Agatha concedeu uma entrevista coletiva aos alunos de Comunicação Social da UFRJ, na Central de Produção Multimídia, 15 de janeiro, sob a supervisão da professora Zilda Martins. Agatha, que exerce a atividade há 41 anos, afirmou que o jornalista é um prestador de serviços. As notícias propagadas por ele pautam as escolhas da população afetada pelas informações.

Devido a esse grande alcance, que confere importância à profissão, a jornalista defende o papel da graduação na formação de um bom profissional. Disse que em uma área cada vez mais pautada pela publicidade, grande responsável pela receita, é essencial diferenciar o interesse público do privado e garantir a neutralidade do texto. Para a convidada, o diploma assegura a valorização e pressupõe o compromisso com a qualidade da comunicação.

Jornalismo, de acordo com Agatha, não se trata apenas de divulgar informações. O processo de produção da notícia está muito mais ligado à ideia de um tratamento jornalístico, que inclui desde a apuração a escolhas lexicais apropriadas. Para garantir neutralidade do texto, uma dica é seguir a máxima da polifonia, ou seja, expor as verdades dos múltiplos atores envolvidos no fato noticiado, contribuindo para que nenhum lado seja favorecido em detrimento de outro.

Atenção é palavra-chave na vida de um jornalista. Ter uma percepção aguçada do espaço, para Agatha, resultou na criação do portal “Porteira do Mato”. Com o também jornalista Nilo Gomes, criou um veículo de comunicação para atender as demandas da Serra da Mantiqueira. O interesse particular da jornalista pelo local serviu a uma questão de interesse público, uma vez que o projeto dá visibilidade aos moradores, contribuindo para solidificação de uma identidade.

* Aluna do 2° período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ

 

Jornalistas são “prestadores de serviço”

Por Gabriel Menezes 

A jornalista Íris Agatha concedeu entrevista coletiva a alunos do curso de Comunicação Social, dia 15 de janeiro, na Central de Produção Multimídia (CPM) da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). O encontro faz parte da programação do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, ministrado pela professora Zilda Martins. Com mais de 40 anos de experiência, Agatha passou por diversos veículos e desempenhou diferentes funções na carreira.

Na fala de abertura, a jornalista afirmou que os profissionais de comunicação prestam serviços à sociedade, e reiterou a importância da responsabilidade de cada um na transmissão da informação ao público. Para exemplificar, Agatha citou a dengue, afirmando que o jornalista tem que buscar informações sobre a doença em instituições renomadas, que tenham força no argumento. Além disso, a entrevistada lembrou que os profissionais da área devem ter noção do público para quem falam: “É importante ter um texto apurado, que permita às pessoas terem acesso [àquela informação]. Eu não posso usar palavras rebuscadas, que uso na Academia, para informar o público em geral. Preciso traduzir, ter a humildade de perguntar”, declarou.

Ex-aluna da Universidade Federal Fluminense (UFF), Agatha disse que a profissão de jornalista é, de certa forma, elitista, por ter alunos e profissionais majoritariamente brancos: “Em todo o curso de comunicação, tinham dois negros: eu e mais um rapaz do terceiro período. Eu nunca olhei para a minha cor de pele para me posicionar, para questionar. Pelo meu posicionamento, acho que me viam com respeito na faculdade. (…) Sofri discriminação, sabia que estava sendo preterida por causa da cor da minha pele”, afirmou. Ao mesmo tempo em que estudava e trabalhava, Agatha também foi ativista do movimento negro, sendo Diretora de Comunicação do Grêmio Recreativo Arte Negra Escola de Samba Quilombo.

A entrevistada se posicionou ainda a respeito da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista: “Nós precisamos apoiar esses parlamentares que lutam para a volta da obrigatoriedade do diploma de comunicação e podemos fazer isso pela internet, com campanhas junto às representações acadêmicas (…), fortalecer sindicatos e todas as organizações que defendam nosso lugar de fala”, reiterou a jornalista.

*Aluno do 2º período de Comunicação da ECO/UFRJ

O peso da enxada do jornalista

Por Clara Wardi

A jornalista Iris Ágatha concedeu entrevista coletiva aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, ministrado pela professora Zilda Martins, no dia 15 de janeiro na sala de Editoração da CPM da Escola de Comunicação da UFRJ. “Mulher preta”, como gosta de dizer, Ágatha, de voz marcante, típica de quem trabalha em rádio, gesticula com desenvoltura e toma cuidado com todos os sentidos das palavras. Jornalista experiente, apresenta uma carreira calcada na diversidade dos meios de comunicação, domina desde a linguagem do rádio, da TV, da assessoria de imprensa à linguagem do jornal.

Agatha já trabalhou apresentando programas como Jornal do Rio, na TV Tupi e Café Com Notícias na Rádio MEC, participou da campanha política de Sergio Cabral, como repórter, e da Benedita da Silva, como fotógrafa, videografista e redatora. Tem forte presença no movimento negro, desde a época de graduação, tendo conquistado o cargo de diretora de Comunicação do Grêmio Recreativo Arte Negra Escola de Samba Quilombo. A jornalista, no momento, trabalha de maneira independente no “Porteira do Mato”, site de notícias da região da Serra da Mantiqueira. Durante a coletiva, defendeu “o árduo ofício de jornalista”, contou as implicações sofridas pela cor da pele ao longo da carreira e traçou um panorama da profissão nos dias atuais, deixando os alunos de Comunicação Social – a maioria futuros jornalistas – mais conscientes do caminho que pretendem seguir. “Para ser jornalista, tem que ter paixão”, disse.

A entrevistada leva em questão os compromissos do jornalismo, não só com a verdade, mas com a função de educar. Segundo ela, é importante que o jornalista se questione acerca do próprio trabalho. “Que serviço foi prestado com essa notícia?”, exemplificou. Agatha afirmou que não valem matérias que não atendam as necessidades de informação da população. Ela diz que estas moldam a maneira de agir diante de fatos e direcionam decisões a serem tomadas no dia-a-dia das pessoas. Para Agatha, as notícias interferem até na decisão de se levar ou não um guarda-chuva na mochila. Entretanto, ela se revolta com as mãos que detêm o poder de fala diante das circunstâncias dos meios de comunicação hoje no Brasil.

Agatha critica o desatino da comunicação e o protagonismo de apresentadores e pessoas influentes de rostos conhecidos pelas telas brasileiras com voz nesses locais. Afirma que tal prática prejudica o processo de formação de opinião e torna sucateado o mercado de profissionais. Ressaltou que dessa maneira, notícias de famosos têm uma repercussão imensa nas mídias atuais, tirando o espaço do que realmente importa a população. “Esse poder de eleger e transmitir o que deve ser passado é dos comunicadores, principalmente jornalistas formados e treinados para exercerem esse tipo de função”, afirmou Ágatha. A entrevistada defendeu a exigência do diploma de jornalista e ainda deu a dica de como reverter essa realidade: “é preciso apoiar parlamentares que defendem o uso desse diploma.”

A falta de representatividade do real povo brasileiro nas mídias também foi uma questão levantada na coletiva. Os alunos perguntaram a entrevistada como era para ela conviver com uma população branca, elitista, de olhos claros e nariz fino, que não representava a totalidade e identidade do povo brasileiro. A resposta revelou que o racismo velado e praticado no país se mostrou evidente em vários momentos da carreira da jornalista. Segundo ela, mesmo “cumprindo toda a cartilha”, a preferência e o reconhecimento tardavam ou talvez nunca chegavam pelo motivo de sua “pele preta”. A jornalista acrescentou que diante da lógica do modelo eurocêntrico, para que pudessem ver seu esforço e o desempenho de seu trabalho, teve que ser muito ousada e nunca pensar a partir da sua cor de pele para poder entrar nos lugares e exercer sua profissão.

Apesar de ter que desenvolver uma força e uma certa resistência para lutar em uma profissão que estreitou muito as suas possibilidades, Ágatha insistiu na importância da sensibilidade e do cuidado em relação à linguagem que o comunicador deve ter. “O show, o nascimento, a exposição não acontece, ocorre.” Acontecer tem uma conotação negativa que não cabe para anunciar eventos desse tipo. Ela ainda falou sobre a importância da projeção e do trabalho de voz para quem vai atuar com rádio ou TV. Segundo a entrevistada, o rádio não comporta voz de “menininha”. Afirmou que a voz tem grande importância na comunicação, principalmente em um veículo em que todos os sentidos podem ser transmitidos para o ouvinte por meio de sons.

Agatha falou ainda do casamento que conseguiu fazer entre suas paixões: o jornalismo, terra e mato, concretizado no site “Porteira do Mato” que administra junto com seu companheiro e também jornalista Nilo Gomes, com notícias sobre a região da Serra da Mantiqueira. Contou que apesar se ser uma região que carece muito de um aparato jornalístico, os dois se dividem em passeios de ônibus, cervejas em bares e um certo “feeling” para perceberem o que a região quer dizer. Ela explicou seu esmalte descascado pelo trabalho na horta que cultiva no sítio que fica na região com a frase “eu boto a mão na massa e na enxada mesmo”. Declaração que não explica só sua relação com a terra, mas também a postura que tem e que foi exigida a ter para sobreviver nessa profissão tão árdua, como deixou claro na coletiva.

*Aluna do terceiro período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

Jornalista Iris Agatha dá coletiva para alunos da UFRJ

Por Ana Carolina Santos

A jornalista Iris Agatha concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, ministrado pela Profa. Dra. Zilda Martins. O evento ocorreu no dia 15 de janeiro, na sala de editoração, localizada no Centro de Produção Multimídia (CPM), da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ).

Com mais de 40 anos de experiência em diversas áreas do jornalismo, Agatha fez graduação na Universidade Federal Fluminense (UFF), na década de 1970. Lá, se engajou na militância política, sendo eleita presidenta do Diretório Acadêmico de Comunicação (DACO). Participou do movimento negro e foi diretora de comunicação do Grêmio Recreativo Arte Negra Escola de Samba Colombo. “Em todo o curso de Comunicação, éramos apenas dois pretos. Então, minha militância me permitiu conhecer negros de outros cursos, como Júlio Cesar Tavares, hoje antropólogo”.

Já no mercado de trabalho, a jornalista relatou ter passado por situações de discriminação racial, chegando a ser demitida de uma rádio sob a alegação de “não possuir o perfil da empresa”. Agatha afirma que o desafio é permanente e que “mulher negra tem de se provar duas vezes: por ser mulher e por ser negra”.

Agatha conta que no início dos anos 1980, em plena Ditadura Militar, viu-se numa situação no mínimo inusitada: trabalhava pela manhã na Rádio Nacional e a tarde na Rádio Jornal do Brasil, veículos de visões políticas divergentes (a primeira servia aos interesses do governo federal; a segunda era alinhada ao PMDB, partido de oposição). “Vi-me numa posição delicada, sendo eu mesma comunista”.

A jornalista atuou ainda em outras rádios, como a CBN e a Rádio MEC. Na televisão, trabalhou na TV Nacional de Brasília, Tupi e TV Brasil. Teve experiências ainda como assessora de órgãos públicos, entre outras atividades. Hoje é redatora e editora de imagens do “Porteira do Mato”, site de notícias da Serra da Mantiqueira, no estado do Rio de Janeiro.

Ferrenha defensora da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, Agatha afirma: “Nós, jornalistas, somos prestadores de serviço. Precisamos ter compromisso com a verdade, pois carregamos uma responsabilidade para com a população”. Aos futuros comunicadores presentes na sala, a jornalista recomendou muita leitura e escrita, atenção redobrada aos erros de português e às escolhas de palavras. “Respeitem a hierarquia e, quando em dúvida, tenham a humildade de perguntar”.

*Aluna do segundo período de Comunicação Social da UFRJ

Jornalista defende a retomada do lugar de Comunicador

Por Lara Freitas

A Jornalista e acadêmica Iris Agatha participou da primeira simulação de entrevista coletiva, dia 15 de Janeiro, na Central de Produção Multimídia (CPM) da Escola de Comunicação da UFRJ. Durante aproximadamente duas horas de exposição e debate, alunos e alunas do curso de Comunicação Social, acompanhados pela professora Zilda Martins, expuseram suas questões, abrangendo diversos tópicos relacionados ao exercício da profissão. O Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada prevê três simulações de entrevistas coletivas ao longo do semestre.

Já na abertura, Agatha afirmou que jornalistas são prestadores de serviços e suas informações pautam a vida da população. A entrevistada ressaltou a importância de tornar essas informações mais acessíveis ao público, e de buscar a exposição didática dos fatos por meio da escrita. Lembrou o juramento do jornalista, que inclui o compromisso com a verdade, e lamentou a prática adotada no dia-a-dia dos veículos de comunicação. O que se observa frequentemente, disse, é a exigência de que o profissional de imprensa alinhe sua visão aos interesses do veículo. Falou ainda sobre a perda do espaço de trabalho de tais profissionais no mercado e acrescentou: “nós temos de retomar esse lugar. Temos que reafirmar a nossa capacidade, a nossa tecnicalidade, nosso domínio e o poder da informação.”

Questionada sobre a reformulação do curso de Comunicação Social, que visa segregar as diferentes habilitações, Agatha insistiu que os alunos devem driblar a segmentação, já que o campo é interdisciplinar na prática. A profissional mencionou a importância de “abrir o leque” tanto técnica como teoricamente, principalmente a partir de atividades extracurriculares.

Sugeriu aos alunos o apoio a parlamentares que defendem a obrigatoriedade do diploma de Comunicação, assim como organizar e participar de manifestações na academia e na internet. Na opinião da jornalista, esta é uma forma de chamar alunos e profissionais da área a reafirmarem seu lugar em um mercado de trabalho que se torna cada vez mais informal e valoriza celebridades acima de profissionais.

*Aluna do segundo período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

 

“Lidar com direitos humanos é pisar em ovos”, diz jornalista

Por Matheus Rocha

A jornalista Iris Agatha participou de simulação de coletiva, realizada na Central de Produção Multimídia (CPM) da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), na sexta-feira, 15 de janeiro. Na ocasião, a convidada, que também é Mestre em Memória Social, respondeu às perguntas dos alunos e alunas, relativas ao exercício do jornalismo. Falou ainda sobre sua vivência enquanto mulher negra.

Em dado momento, Agatha foi questionada acerca da atuação na área de direitos humanos, um setor que é frequentemente negligenciado pelas diferentes instâncias governamentais. A jornalista, que desempenhou um trabalho junto à articulação nacional Juventude Viva, disse que iniciativas como essa tem por objetivo diminuir a crescente mortalidade de jovens negros nas periferias do país.

Durante a coletiva, a entrevistada enfatizou que “enquanto o número de mulheres brancas assassinadas diminuiu, o número de mulheres pretas assassinadas aumentou de 10 a 20%”. Ela chamou atenção, também, para as constantes agressões sofridas pelas populações LGBTs, as quais precisam lidar, inclusive, com a violência por parte de alguns policiais militares.

Além disso, a convidada discorreu sobre a escassa representatividade do negro nos diversos órgãos que compõem a administração pública. “Você vê pela instituição presidência da república, presidência aí não só como presidente, mas como os ministros. Quem é preto nessas secretárias? Ou eles colocam para [ministério] esporte, igualdade racial ou para assistência social”, destacou.

O mito da democracia racial foi uma das razões apontadas pela profissional como responsável pela problemática da atuação no âmbito dos direitos humanos. A crença na suposta harmonia entre as diversas etnias presentes no país suscita um “discurso de fachada e de hipocrisia,” que acaba atrapalhando qualquer medida no sentido de preservar a vida humana. Como exemplo, Agatha citou a extinção da articulação Juventude Viva, em 2015. Na avaliação da jornalista, o Brasil possui uma forte tendência a rejeitar determinados elementos de sua própria cultura, inclusive o preconceito racial. “Lidar com direitos humanos é pisar em ovos, principalmente em um país que não se assume em nada. É difícil se assumir como um país mestiço e lidar com suas diferenças regionais”, finalizou.

*Aluno do segundo período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ

“Atrevimento ou humildade, eu cheguei aqui.”

Entrevista e dicas entre uma profissional experiente e aprendizes

 Por Tales Campagnani Carneiro

A jornalista Íris Agatha participou de entrevista coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: técnica de linguagem jornalística aplicada, 15 de janeiro, na Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação (CPM-ECO) da UFRJ. Já na abertura, Agatha ressaltou a importância da profissão de jornalista, afirmando que tais profissionais não são apenas informantes, mas também educadores. Reiterou o fato de ser “uma profissão árdua”, exigindo daquele que decide exercê-la a disposição de “correr atrás”, munido tanto de sensibilidade quanto de humildade. E confessou seu desapontamento com o mercado de trabalho e os interesses gerais da área na atualidade.

“Você que abre o seu leque de opções também”, disse Agatha quando perguntada sobre a tendência à maior sectarização das especializações de um comunicador. Afirmou ser possível “driblar” essas eventuais separações entre as atividades, recorrendo à “Sinergia de Mídias” e conhecendo bem o público com quem se está trabalhando.

Ao falar das mudanças que vêm acontecendo há décadas na realidade de trabalho dos comunicadores, Agatha criticou o caráter publicitário: “Se não gaguejasse e fosse amigo do diretor, já estava dentro”. A jornalista afirmou ser necessário apoiar parlamentares que lutam pela volta da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, assim como sindicatos e grupos civis que defendem o ponto de fala destes profissionais.

Quanto à ética de trabalho, a jornalista acredita existir uma diferença entre imparcialidade e neutralidade, afirmando ser necessário ouvir todas as versões sobre um fato, buscar testemunhas e ir aprofundando a neutralidade nas notícias. Ao encerrar, sugeriu os estudantes que trabalhem a postura ao informar, de forma a passar sobriedade e seriedade, prática cada vez menos comum no jornalismo moderno.

*Aluno do 3º período do curso de Comunicação da ECO/UFRJ

Jornalista compara profissão a marketing político

Por Lucas Rocha

A jornalista Iris Ágatha concedeu entrevista coletiva a alunos da Escola de Comunicação da UFRJ, dia 15 de janeiro. Durante o encontro, realizado na sala de editoração da Central de Produção Multimídia (CPM), a comunicadora ressaltou a necessidade de conciliar valores ideológicos com o trabalho de assessoria ou com a linha editorial do veículo em que se está trabalhando. Com base na experiência de 41 anos de atividade, Ágatha criticou a área de Direitos Humanos no Brasil.

Antes de começar a coletiva, a jornalista palestrou por alguns minutos, a convite da professora Zilda Martins. Nessa conversa inicial, tratou das dificuldades da profissão e emendou em uma frase que marcaria o restante da coletiva: “Jornalista não consegue transmitir verdade, porque não existem verdades, existem versões”.

Ágatha completou que é preciso “engolir seco” em muitas situações para se manter na profissão. Deu como exemplo o trabalho de assessoria de imprensa. Fez críticas, dizendo que há uma enorme cobrança do assessorado sobre o profissional de comunicação e de que muitas das informações passadas não são contributivas para a sociedade.

Em certo momento, a jornalista definiu esse nicho como uma espécie de marketing político. “Na assessoria, a gente tem que vender uma imagem. É um marketing político”. A tarefa, como pontuou, é ainda mais difícil quando o assessorado é uma figura pública ou um órgão controverso. Um exemplo foi o trabalho na Secretaria de Direitos Humanos do governo Sergio Cabral. Na época, o governador foi muito criticado, exatamente nessa área.

O manuseio da informação remete a uma fala de Roberto Ricupero, ex-ministro do governo Itamar Franco. Segundo a jornalista, ele teria dito “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Ou seja, em assessoria de imprensa, às vezes é preciso abafar o caso: omitir coisas negativas e mostrar as positivas. Isto seria, de acordo com a entrevistada, uma forma de sobrevivência jornalística.

Ágatha aproveitou que o tema de direitos humanos estava sendo tratado e fez um desabafo sobre a situação brasileira. Segundo ela, impera um discurso hipócrita que dificulta ações efetivas nesse setor. “Sem perspectiva de melhora”, sinalizou: “Há um discurso de fachada em todas as instâncias governamentais do Brasil”.

*Aluno do 2º Período de Comunicação Social da UFRJ

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