Entrevista da Prof. Raquel Paiva à Revista Âncora

Jornalismo hegemônico, crise de credibilidade, histerias da imprensa, jornalismo cidadão e novas práticas jornalísticas

Resumo

A entrevista dada à Ancora, pela pesquisadora e professora da UFRJ, Raquel de Araújo Paiva, entrelaça numa saborosa discussão, os temas da comunidade, do jornalismo e da cidadania, e, traz também os temas emergentes sobre credibilidade do jornalismo, notícia como mercadoria, assim como a polêmica sobre as redes sociais, interação e democracia. Raquel Paiva deixa aos leitores, alguns alertas indispensáveis: A reflexão sobre o jornalismo comunitário, que pode realmente ser a redenção para o jornalismo convencional, ou como ela própria argumenta, pode ser a reversão desse modelo de jornalismo “histérico” ao qual estamos assistindo. A luta pela democratização da comunicação, o reforço ao chamado jornalismo público como contraponto à mídia comercial, o uso das redes sociais e a necessidade de se saber se de fato elas habilitam a sociedade para a constituição de uma opinião pública ativa e competente, apta a realizar “leituras críticas” da mídia, além da perene discussão sobre a crise vivida pelo jornalismo e os novos modelos de negócios, estão entre outros tantos temas dessa conversa com Raquel Paiva.

Palavras-chave

Histeria da imprensa; Jornalismo cidadão; Jornalismo hegemônico; Jornalismo comunitário.

Nesta seção de entrevistas, a Revista Latino-americana de Jornalismo – ÂNCORA disponibiliza aos leitores, a oportunidade para degustarem uma saborosa conversa com a pesquisadora e professora de Comunicação da UFRJ, Raquel de Araújo Paiva, que concordou generosamente em dialogar conosco sobre o jornalismo e alguns dos temas cruciais que aproximam o campo ao rol das preocupações das suas próprias pesquisas.

O diálogo com a pesquisadora ocorreu via internet, através de algumas trocas de e-mails. O resultado gerou uma entrevista com respostas às vezes curtas, mas, certeiras, outras vezes, achados que ensejaram nossas questões e prolongaram um diálogo que gostaríamos realmente pudesse ainda se alongar.

É o trabalho do leitor que forjará os caminhos do prolongamento desse diálogo, por temas que a pesquisadora já discutia na década dos oitenta do século XX, mas que continuam emergentes na atualidade, a exemplo do tema inaugurado por ela mesma, sobre a “histeria da mídia”. “Essa capacidade de nada questionar, nada interpretar, mas apenas e imensamente representar e apresentar e se apresentar é um padrão de conduta histérico. A histérica, desde os primeiros estudos do médico francês Charcot, com quem Freud iniciou também seus estudos, pretende chamar a atenção produzindo sintomas e expondo-se ao máximo. Assim é a mídia, a produção do jornalismo atualmente, em especial o brasileiro que está alcançando um patamar da não audiência, porque como também no caso da histeria, chega um ponto em que só “internando”, medicando.

De fato, a pesquisadora toca num tema sensível à sociedade dos nossos dias, que na esfera da opinião, vive um desacordo profundo com o modo como a imprensa busca representar a realidade, o que nos encaminha para dialogar com ela sobre a questão, perderá o jornalismo a sua capacidade de ser a voz dessa sociedade? Por via de uma conexão de banda larga, cada indivíduo, se quisermos, cada segmento social, forjará ele mesmo o seu próprio modelo de cobertura jornalística?

O jornalismo comunitário, assim como a necessidade de compreender o que ele é, nessa sociedade mediada pelas tecnologias, é outro tema abordado nessa entrevista. Para a pesquisadora, “esta pode ser a redenção do jornalismo. O jornalismo comunitário representa, portanto, a possibilidade de reversão desse modelo histérico ao qual estamos assistindo. Trata-se de um jornalismo integrado e preocupado com o bem-estar social geral”.

Para o tema do jornalismo e do processo de mercadorização e venda da notícia, e, em contrapartida, os anseios por um jornalismo cidadão, Raquel Paiva é enfática: “A imprensa comercial pode se interessar em “parecer” cidadã se isso significar algum lucro para ela. Pelo menos no Brasil, onde vivemos um capitalismo tupiniquim, com o patrimonialismo como força maior, a mídia só vai se interessar por aquilo que lhe der retorno. Se os anseios da sociedade um dia forem de fato pauta, não será mais uma mídia comercial e não será mais esse jornalismo que conhecemos no Brasil”.

A luta pela democratização da comunicação, o reforço ao chamado jornalismo público como contraponto à mídia comercial, o uso das redes sociais e a necessidade de se saber se de fato elas habilitam a sociedade para a constituição de uma opinião pública ativa e competente, apta a realizar “leituras críticas” da mídia, além da perene discussão sobre a crise vivida pelo jornalismo e os novos modelos de negócios, estão entre outros tantos temas dessa conversa com Raquel Paiva.

Raquel Paiva de Araújo Soares é graduada em jornalismo pela Faculdade de Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1981), com especialização em pelo Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación Para América Latina, CIESPAL (1985), e aperfeiçoamento em Latin America Electronic Media Exchange Program pela Arizona State University (1985). Fez o mestrado (1991) e doutorado (1997) em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. É PDE pela Università degli Studi di Torino, Itália e Professora Associada da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Teoria Critica da Comunicação. É membro do comitê assessor da Comunicação no Conselho Nacional de Pesquisa, CNPq. Dentre os diversos livros publicados, se destacam: ”O Espírito Comum: Comunidade, Mídia e Globalismo”, Editora Vozes, 1988; “Histeria na Mídia: A Simulação da Sexualidade na Era Digital”, Editora Mauad, 2000; “Ética, Cidadania e Imprensa”, 2002, Editora Mauad; “O Império do Grotesco”, 2002, e “Cidade dos Artistas”, 2004, ambos da Editora Mauad, os dois escritos junto com Muniz Sodré. Na UFRJ, Raquel Paiva coordena o Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária, LECC, cujas pesquisas são orientadas em dois grandes eixos: “De um lado, investigar de forma minuciosa as formas narrativas em torno das quais as mídias e os grupos sociais tecem suas representações do mundo e verificar até que ponto estas representações são antagônicas e/ou estabelecem relações recíprocas, de circularidade. De outro, elas seguem um viés pedagógico centrado na leitura crítica dos meios de comunicação como forma de fazer frente à padronização hegemônica. Dentro desta dupla perspectiva que o conceito de comunidade é resgatado não apenas como conceito sociológico. Ele é também enquadrado numa acepção política na qual valores como criatividade e solidariedade fazem parte das estratégias de sobrevivência dos que vivem à margem ou na escassez e compõem um caldo de cultura popular com força suficiente para formar novos consensos sociais ou se oferecer como uma espécie de sementeira de novas instituições públicas”.1 Surge aqui o espectro de Gramsci, para quem a moral popular (ou senso comum) não é apenas formada por estratos fossilizados.

Como pensar o JORNALISMO a partir dessa sua perspectiva de investigação de “rupturas metodológicas para uma leitura crítica da mídia? No contexto político-econômico atual reconhece que há uma certa Histeria da Imprensa? Como você avalia a atuação da mídia hegemônica no momento político atual do Brasil?

Gostei muito da expressão Histeria da Imprensa, porque eu a usei no final da década de 80 na minha dissertação de mestrado e foi o título do meu segundo livro (Histeria na Mídia) que acho cada vez mais adequado porque em linhas gerais é este o padrão do jornalismo principalmente hoje. Claro que não podemos adotar à risca o entendimento de uma nosografia como a histeria para um padrão social ou de grupo pura e simplesmente, mas se tomarmos algumas das características dessa nosografia, certamente vamos enquadrar a produção midiática com tranquilidade. Essa capacidade de nada questionar, nada interpretar, mas apenas e imensamente representar e apresentar e se apresentar é um padrão de conduta histérico. A histérica, desde os primeiros estudos do médico francês Charcot, com quem Freud iniciou também seus estudos, pretende chamar a atenção produzindo sintomas e expondo-se ao máximo. Assim é a mídia, a produção do jornalismo atualmente, em especial o brasileiro que está alcançando um patamar da não audiência, porque como também no caso da histeria, chega um ponto em que só “internando”, medicando, mesmo quem não tem e não quer ter a capacidade de interpretação e questionamento começa a fugir do alcance dessas produções. Muito triste, mas acho que no final, a continuar dessa maneira, o jornalismo vai ficar sendo consumido por seus pares de produtores de mídia e a população do outro lado, tamanha a dissociação entre o real e a representação a que chegamos.

Walter Lippmann dizia que a imprensa é fruto da própria sociedade. Se as democracias forem fracas, a imprensa também o será. Seguindo essa linha de raciocínio, você diria que nossa sociedade atual também padece de um grau acentuado de histeria?

Acredito que quando escrevi o livro e trabalhei com a representação social a partir da nosografia da histeria clássica, ainda estávamos falando de um horizonte em que a televisão, o rádio e a imprensa eram o contexto. Agora, em tempos de internet, sinceramente, isso ficou tão mais tão potencializado a ponto de quase podermos admitir que só temos histernéticos…

Trazendo para o nosso foco de interesse da Revista Latino-americana de Jornalismo – ANCORA, como define JORNALISMO Comunitário?

O jornalismo comunitário, em qualquer instância – e não apenas na que costumamos significar, como produção dos excluídos sociais, moradores de periferia e similares – é hoje e cada vez mais a ÚNICA capacidade de resgate do jornalismo. Na medida em que o jornalismo se voltar para a vida quotidiana da sua população, na medida em que de fato entrevistar e ouvir as pessoas, na medida em que souber o que de fato lhes interessa esta pode ser a redenção do jornalismo. O jornalismo comunitário representa, portanto, a possibilidade de reversão desse modelo histérico ao qual estamos assistindo. Trata-se de um jornalismo integrado e preocupado com o bem-estar social geral.

O debate em torno do tema de uma comunicação cidadã, pode-se afirmar, no campo específico da imprensa e do jornalismo, coincide com a clássica discussão sobre o fortalecimento da opinião pública e das democracias. Quase duzentos anos passados, e assistimos ao crescimento de um jornalismo comercial informativo como tendência preponderante para o mercado da venda de notícias, você avalia que o jornalismo perdeu em capacidade de dar voz aos anseios da sociedade por uma comunicação cidadã, ou essa capacidade inexiste na imprensa comercial?

Acho que cada vez mais concretizamos a profecia do teórico francês Jean Baudrillard e cada vez mais vivemos num mundo em que tudo, absolutamente tudo, se transformou em mercadoria. Se não tem valor de troca, não faz nenhum sentido. A imprensa comercial pode se interessar em “parecer” cidadã se isso significar algum lucro para ela. Pelo menos no Brasil, onde vivemos um capitalismo tupiniquim, com o patrimonialismo como força maior, a mídia só vai se interessar por aquilo que lhe der retorno. Se os anseios da sociedade um dia forem de fato pauta, não será mais uma mídia comercial e não será mais esse jornalismo que conhecemos no Brasil. Se isso vai acontecer algum dia não posso saber. No momento, não existe nenhuma capacidade da imprensa brasileira estar preocupada com algo que não seja ela própria.

A luta pela democratização da comunicação, via movimentos sociais, tem reclamado que os governos atuais, a partir do governo Lula, negligenciaram o jornalismo público. Outros países da América Latina avançaram mais do que nós, na democratização da comunicação. Você concorda com essa avaliação?

Concordo, e parece óbvio concordar. A razão é muito simples, a mídia brasileira é marcadamente patrimonialista. As famílias que dominam o mercado possuem laços sanguíneos e de amizade estreita com o poder legislativo e este círculo impede ferozmente qualquer avanço e partilha dessa “propriedade”. A “posse” dos veículos no Brasil encontra-se no mesmo patamar que a posse da terra e a reforma agrária, bem sabemos, caminha a passos de cágado no Brasil.

Em seu artigo no livro “O Retorno da Comunidade” você diz que o jornalismo comunitário possibilitaria o descortinar da função de “comunicador social” em que profissional poderia redescobrir seu papel de agente social. Na sua opinião, as novas diretrizes para o ensino do Jornalismo favorecem uma formação que propicie que o jornalista se veja como comunicador social?

Não sei. O ensino só não muda nada. Mesmo que eu, por melhor professora que possa ser, engajada, preocupada, etc. Não vou mudar nada, nem nenhum professor. Essa mudança tem que vir antes, tem que vir da família, da escola…. Agora acho, sinceramente, que no ensino do jornalismo ou de qualquer outra profissão o exemplo pode ser muito importante. Acho que devemos sempre, mesmo que não adiante nada, que não vejamos resultados, fazer diariamente o exercício de leitura crítica da mídia. Isso sim pode fazer com que as novas gerações prestem atenção no que falamos e sejam capazes de entender o quanto dependem delas as mudanças sociais.

O jornalismo como modelo de negócios da venda de notícias, vive, na atualidade, talvez a sua maior crise, com redução drástica dos postos de trabalho e fechamento de redações convencionais em favor do webjornalismo e experiências transmídia. Ao lado desses cenários, desenvolvem-se novos modelos de negócios, cooperativas de jornalistas, baseadas na estratégia de crowdfunding, em que os próprios cidadãos pagam pelas coberturas que querem ver publicadas. Você diria que essa tendência de negócios se aproxima do que poderíamos chamar de jornalismo público, ou mesmo, jornalismo cidadão?

Acho que todas as saídas para este modelo que aí está devem ser comemoradas e incentivadas. Algumas não vão dar em nada, algumas só servem aos seus próprios interessem, algumas não vão além do que produzem a mídia convencional, algumas não são criativas e inventivas o que é uma obrigação de quem se propõe a fazer algo novo. Mas como tudo hoje está marcado pela velocidade, muito rapidamente elas vão desaparecer se forem apenas uma nova forma de fazer o antigo jornalismo. Torço para que apareça cada vez mais novas propostas.

As redes sociais, como Twitter e Facebook, assim como a blogosfera, são hoje as grandes arenas onde se manifesta uma opinião pública conectada e onde se dá voz à uma profunda crítica à cobertura midiática. Nos moldes do que refletiu José Luiz Braga, em seu livro, “A Sociedade Enfrenta sua Mídia”, esse terceiro sistema de reação apresenta uma narrativa de profundo desacordo com a mídia empresarial. Tal esfera de embate, no seu entender, terá força suficiente para promover mudança de cobertura, democratização da comunicação? Dizendo de outro modo, essa nova audiência tem tido força para interferir numa cobertura marcadamente sintonizada com os interesses do capital mundial e das elites dominantes?

Tem muita bobagem sendo dita também, tem uma conexão muito interessante surgindo e também tem uma conexão bastante nefasta cada vez mais forte porque hoje está visível e conectada…. É como se estivéssemos nos aproximando para o capítulo final da guerra das forças. Acho que foi muito bom chegarmos a este momento de audiência hiperfalante, mas não sei ainda dizer se esta audiência é capaz de mudar alguma coisa. Com certeza vemos que ela tem espasmos de mudança, basta lembrar das manifestações de 2013.

Explorando ainda o tema da questão anterior, no início dos anos 2000, você explorava a ideia do “sequestro da fala”, via fechamento e perseguição de iniciativas de rádios comunitárias. Em alguma medida, acha que o fenômeno pode se repetir agora, nessa esfera argumentativa e crítica desenvolvida através das redes sociais?

Não. Acho que não. Ali tínhamos um contexto de perseguição. Hoje não é mais possível isto. Claro que todos os que trouxerem novas versões e informações sobre esse nosso sistema como Assange ou o Snoden não serão benvindos. Mas essa pelo menos foi uma das vantagens do sistema atual: visibilidade total, também realizando um prenuncio do teórico francês Jean Baudrillard, da visibilidade máxima.

Pediria que você explorasse mais essa questão do sequestro da fala. Não acha que virão novas formas de controle? O fato de podermos compartilhar tanto, e de maneira as vezes tão sutil, não oferta ao controle mundial a possibilidade de se apropriar da vida de cada um com muito mais competência e capacidade de monitoramento de informação?

Já sabemos hoje que todo este ambiente é amplamente controlado. Acredito que não temos mais ilusões a este respeito. A cada dia descobrimos, por brechas que o próprio sistema dá, que o controle é muito maior do que imaginamos. A questão que se coloca não é mais se queremos ou não ser controlados. Isso é irreversível. A questão hoje é se vamos “dar bola”, se isso vai nos impedir de avançar, se não vamos sempre tentar… Pelo modo como se encaminha a questão, acho que a nossa civilização está muito mais para a categoria da histeria que para a da paranoia.

Retomando o tema da comunicação comunitária, em paralelo com a comunicação comercial. Você considera que os movimentos sociais, como MST, movimentos sociais comunitários, têm avançado numa estratégia comunicacional que possa fazer frente às comunicações hegemônicas?

Acho que todas as frentes de comunicação que estiverem ancoradas em reais estruturas sociais, comunitárias poderão fazer frente. Aquelas que forem puro devaneio podem até surgir, fazer uma poeira, mas sua tendência é sumir em breve espaço de tempo. É quase como se disséssemos, o que for real, verdadeiro ficará e poderá mudar, o que não for vai apenas fazer uma fumaça, mas não permanece porque não possui sustentação real, assim também vai ser cada vez mais com as pessoas, com políticos, mitos…. Essa máxima exposição nivelou tudo a um nível da completa ineficiência, nesse ponto também é preciso valorizar o momento atual. Só vai ficar o que for de fato bom. Bom, essa é a minha crença no lado bom da Força, no ser humano. Pode ser que aconteça totalmente o contrário, e que os simulacros vençam na batalha final (risos).

Seu percurso investigativo é marcado fundamentalmente pelos temas da cidadania, da comunidade e da comunicação. Há como fazer aqui um balanço desses contributos, assim como falar de projetos futuros?

Eu acho que eu consolidei uma área. Tenho pouca coisa a contribuir ainda a não ser dando meu exemplo e falando para que as pessoas se mobilizem. Agora são os novos que devem ter cada vez mais com a vontade de fazer de fato algo que mude efetivamente a pobre vida de todas as gentes desse país.

O seu trabalho alimentou projetos comunitários importantes. Avalia que as comunidades poderão levar adiante, projetos de comunicação comunitária, ainda que sob a égide do paradigma tecnológico?

Acredito que sim. Temos poucas, mas importantes experiências de comunicação comunitária na internet de norte a sul do país que vão para além da histernética…

Recuperando o importante alerta que fez na sua primeira questão, sobre a histeria da mídia, e particularmente o não representar, diria que a crise de credibilidade e de audiência, poderá tornar o jornalismo desnecessário? Aclarando melhor, diria que a própria sociedade conectada, vai ela mesma forjar seus modelos de jornalismo?

É muito boa esta questão. Muito boa porque o jornalismo está patinando. Ao mesmo tempo em que está usando e abusando das redes sociais, colocando o leitor e ouvinte como autor e repórter ele está abrindo mão do seu lugar de produção da notícia. O lugar de produção da notícia dos últimos anos era apenas esse mesmo, produção, produção, numa velocidade incessante. Agora, a interpretação, as grandes reportagens…. Isso que definia o jornalismo como FORMADOR de opinião, esse lugar já era. O jornalismo abriu mão dele para atender a instantaneidade da produção de notícias…. Só que agora, quando divide essa produção com o grande público, abre mão também desse lugar, ou seja, vai sobrar o que?

Vai ser muito bom quando o jornalismo brasileiro perceber que perdeu. Perdeu para o leitor, que agora e cada vez mais produz e consome suas notícias.

Vai ser bom porque quem sabe aí não se reinventa e descobre que o seu papel social está não em produzir velozmente, em investigar rapidamente deixando inúmeras brechas e cobrindo apenas parcialmente os assuntos, mas em interpreta-los e abordar criticamente os fatos…. Eu gostaria de ver isso acontecer e ajudar a formar jornalistas para esse contexto.

Conteúdo retirado da Revista Latino-Americano de Jornalismo Âncora.

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