Pesquisador do LECC é entrevistado pelo O Cidadão

Pesquisador do LECC, Leonardo Custódio, deu uma entrevista ao jornal O Cidadão falando da sua pesquisa comparativa sobre os sistema de mídia nos cinco países em desenvolvimento que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Na entrevista, Custódio diz que investiga “as motivações e objetivos que moradores de favela têm para usar mídias em suas lutas diárias contra as consequências do preconceito e desigualdades sociais.”.

Confira parte da entrevista abaixo e na íntegra aqui.

DANIEL ISRAEL: Qual era o objetivo da pesquisa quando começou, em 2011?

LEONARDO CUSTÓDIO: O “Projeto BRICS” está em andamento no período 2012-2016 e é coordenado pelo professor Kaarle Nordenstreng na Universidade de Tampere. O objetivo é investigar as semelhanças e diferenças da mídia nos cinco países. Temos três temas teóricos básicos: a questão do sistema midiático; o jornalismo e a questão da liberdade de imprensa. Empiricamente, nós abordamos questões como participação cidadã na mídia e sociedade; a orientação profissional dos jornalistas e a educação em jornalismo.

DI: O que é possível concluir, a partir dos três enfoques determinados para a pesquisa (sistema de mídia; mídia e jornalistas inseridos em estruturas de poder; e educação jornalística), quando da última atualização do projeto, em 2013?

LC: Por enquanto, não temos conclusões comparativas. Ainda estamos no processo de coleta de dados em cada um dos países. A ênfase está por enquanto na questão do jornalismo. Alguns resultados serão publicados ano que vem em um livro que já está em fase de revisão. Por enquanto, a publicação estará somente em inglês.

DI: Quais as principais diferenças que você pode destacar nos sistemas de mídia dos países-membro do BRICS? E as principais semelhanças?

LC: Do primeiro levantamento que fizemos, o aspecto que mais me chamou atenção (e essa é uma opinião minha, não necessariamente do projeto) foi o fato de como a questão da comunicação comunitária acontece nos cinco países. Enquanto Brasil, Índia e África do Sul têm um setor bem diverso e dinâmico de rádios comunitárias, Rússia e China não tinham nada parecido. Inclusive os colegas desses dois países tinham dificuldade em entender o que comunicação comunitária significa na prática, já que pra eles era desconhecido. Essa impressão está relatada num artigo acadêmico (acesse aqui).

DI: A página criada na Internet para divulgar o projeto de pesquisa traz, entre outros textos, dois artigos publicados em veículos de grande audiência: um nos EUA, o outro na Rússia. Ambos (disponíveis aqui e aqui) suspeitam do futuro do BRICS, mas em momento algum seus autores tratam do sistema midiático em cada um dos países-membro. Como ampliar esse debate dentro das realidades nacionais (por exemplo, no Brasil, destaca-se o oligopólio da mídia comercial; na Rússia e na China, há franca censura aos veículos e restrições à livre navegação na Internet) e envolver a maioria dos profissionais que atuam na mídia?

LC: Essa questão do sistema midiático em cada país está aos poucos aparecendo conforme o projeto evolui. Teremos alguma coisa já nessa publicação que mencionei antes (a ser publicada em 2015). A partir da apresentação dos dados, esperamos conseguir trazer nossos resultados para a discussão deles em cada um dos países. No ano que vem, por exemplo, o encontro anual do nosso projeto deve acontecer no Rio de Janeiro, no período da Conferência Nacional da Intercom. Até lá, teremos alguns resultados importantes para compartilhar.

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