Muniz Sodré fala sobre a cidade cotidiana no Seminário Comunidade, Mídia e Cidade

Texto: Murilo Santos

Fotos: Carlos Siqueira

“O homem está na cidade/Como uma coisa está em outra/E a cidade está no homem/Que está em outra cidade”. O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz Sodré, escolheu trecho do Poema Sujo, de Ferreira Gullar, para abrir a palestra “A cidade comum e as novas formações do comum na cidade”, dentro do Seminário Internacional Comunidade – Mídia – Cidade. O evento foi promovido pela Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG, em parceria com a UFRJ.

Muniz Sodré falou sobre as diferenças entre comunidade e sociedade para definir o comum. Ele disse que a mídia tende e pratica a fabricação do comum. O professor afirmou que a cidade do Rio de Janeiro, desde a fundação, segue o padrão das cidades medievais da Europa. “Parecia muito natural ter que separar o território por classes: a zona sul para os ricos, a zona norte para os remediados e o centro para os mais pobres”, disse.

Na palestra o professor disse que a cidade moderna coincide com o capitalismo e o mercantilismo. E que a construção da modernidade depende da vida urbana. “Na cidade global – da Revolução Industrial do século 19 até o século 20 – cada forma de economia demanda uma nova forma de cidade. As ruas, avenidas e edifícios reproduzem a economia e não o corpo”, opinou.

Mas para Muniz Sodré os sinais de esgotamento dos modelos clássicos são claros. “A classe política – em todo o mundo – está decadente. E a sociedade vem se transformando pelo impacto tecnológico e não pelo impacto político”. A cidade passa a ser tratada também como objeto de arte e não apenas como fábrica de produção. Sodré comentou ainda sobre a violência e as classes emergentes.

E para encerrar também citou trecho de Lapa, de Caetano Veloso: “Quem projetaria/Essa elegância solta/Essa alegria/Essa moça vanguarda/Esse rapaz gostoso/Que é a Lapa/Lapa, Circo Voador/Lapa, choro/E rock’n’roll/Perdão”.

História

Muniz Sodré de Araújo Cabral é jornalista, sociólogo e tradutor brasileiro. Foi diretor da TV Educativa. Publicou livros e artigos na área da comunicação (jornalismo), além de livros de ficção e romance. Alguns o tornaram conhecidos na área, como Monopólio da Fala (sobre o discurso da televisão) e Comunicação do Grotesco(sobre programas de TV que exploram escândalos e aberrações). É palestrante em várias instituições de países como Suécia, França, Estados Unidos, Espanha, Portugal e outros.

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