TV Digital: interesse público ou privado? – matéria dos alunos do Laboratório de texto.

TV Digital: interesse público ou privado?

A complexidade do processo de TV Digital no Brasil foi o tema da segunda coletiva, promovida pelo Laboratório de texto: Técnica de linguagem jornalística do LECC/ECO/UFRJ. O debate teve como convidado o mestrando Daniel Fonsêca, pesquisador da identidade do Sistema Brasileiro de TV Digital e seus impactos no cenário da radiodifusão do país.

Estagnação da legislação atrapalha o desenvolvimento da televisão no Brasil

Por Amanda Avelino*

O jornalista Daniel Fonsêca, mestrando da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participou de uma simulação de entrevista coletiva com os graduandos do Laboratório de texto: Técnica de linguagem jornalística. Autor de pesquisa sobre a TV Digital no Brasil, ele critica a transmissão da “nova” televisão. Inicialmente, Daniel Fonsêca explica que a TV Digital vem do processo de convergência de radiodifusão (radio e televisão abertos), telecomunicações e televisão por assinatura, o que haveria a requalificação de imagens e áudio para o receptor. O estabelecimento do sistema brasileiro de TV Digital veio do espelhamento do sistema televisivo do Japão que, segundo o pesquisador, prioriza a alta definição em detrimento da interatividade e não mexe na área econômica do Brasil. Por esses motivos, Fonsêca critica a implantação da digitalização da TV.

Para ele, o problema da transmissão da TV Digital mora na conjuntura política do país. As políticas de comunicação conservadoras vigentes impedem a evolução da televisão e da cobertura para a população. O pesquisador afirma que menos de 500 municípios são atendidos com cobertura televisiva e a exibição da TV Digital é feita somente por canais privatizados. “A televisão digitalizada sofre de um mal do futuro do pretérito: o nível do possível desenvolvimento”, diz.

Segundo Fonsêca, no Brasil a televisão já nasce privada e seu viés comercial é o que mantém a estagnação da TV Digital: o medo da disputa de mercado. Além disso, a não implantação de uma funcionalidade nessa versão pelo governo e a ausência de regulamentação causam a falta de interatividade da televisão. O mestrando aposta que não haverá, realmente, a TV Digital, pois deixará de ser televisão. “A questão está na direção desse meio de comunicação como produto mercantil e a falta de mudança na legislação do país”, concluiu.

*Aluna do segundo período da Escola de Comunicação da UFRJ

 

Futuro da TV aberta ainda é indefinido

 

Por Monique Dantas*

O jornalista Daniel Fonsêca é o segundo convidado para a coletiva de imprensa feita pelos alunos do Laboratório de texto: Técnica de linguagem jornalística, da Escola de Comunicação. Formado pela Universidade Federal do Ceará, Fonsêca é mestrando em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ e pesquisa a TV Digital, cujas primeiras transmissões ocorreram em 2007 no Brasil. O maior enfoque do estudo é o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. Ele analisa na dissertação de Mestrado os cinco primeiros anos desse novo sistema.

 

Segundo o pesquisador, entre os anos de 1995 e 1996 surgiram os primeiros debates sobre o tema. “Sob o prisma político, a convergência das tecnologias de informação e comunicação exige a atualização do marco regulatório”, ressaltou.  Disse também que o cenário é marcado pelos grandes conglomerados de mídia e as empresas se adaptam à digitalização dos produtos tradicionais.

 

O jornalista afirmou que a TV Digital existe no Brasil há mais de dez anos. A respeito da transmissão digital, ele mostra em tópicos os principais aspectos da pesquisa, como: a diluição das fronteiras entre telecomunicação, radiodifusão e informática; compreensão de dados, com possível multiplicação de canais ou qualidade HD (High Definition); funcionamento coordenado de produção de conteúdo e interatividade. E contesta a ausência de implantação do Marco Regulatório e a obsolescência do Código Brasileiro de Telecomunicações, criado há mais de 50 anos, em 1962.

 

“O cenário político é o mesmo. Os governos Lula e Dilma Roussseff são os mais conservadores no sentido de conservas as políticas de comunicação”, afirma. Lembra que a privatização das telecomunicações, por meio da LGT (Lei Geral das Telecomunicações) foi instituída em 1997 e há falta da regulação dos artigos 220 até 224, da Constituição de 1988. Fonsêca fala ainda da confusão atribuída à competência da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). “Falta à radiodifusão uma agência reguladora de fato”, conclui. O pesquisador compara os comportamentos dos governos argentino e brasileiro, ressaltando que na Argentina houve a implementação do marco regulatório e a sanção da Lei dos Meios de Comunicação.

“Em termos de disputas políticas, a implementação da TV Digital evidencia o favorecimento de um setor na exploração de um serviço público, agudiza a concentração no setor da mídia e mantém uma estrutura de organização analógica para uma plataforma digital, analisa. Para Fonsêca, haverá disputas internas entre radiodifusores e as telecomunicações. Outro ponto importante apresentado foi a utilização do middleware Ginga, apontada como a última salvação para a TV Digital, ainda em 2013. O padrão de sinal digital escolhido pelo governo brasileiro foi o japonês, pois este prioriza a alta qualidade nas transmissões da programação televisiva. Logo, haverá a extinção da TV de tubo e o barateamento dos televisores LCD no mercado.

 

“Nós brasileiros vamos ficar isolados, porque poucos países da América Latina adotaram o padrão japonês de sinal digital. O processo tecnológico do Brasil sofre do mal do futuro do pretérito, declara. Ele se refere às incertezas da implementação total do sinal digital no Brasil e do “middleware” Ginga, que é motivo de resistência por parte de grandes empresas midiáticas.

 

Para finalizar o debate sobre o objeto de pesquisa, o convidado diz que a grande integração nacional se dá por redes e a Rede Globo, oficialmente, tem apenas cinco emissoras, enquanto extraoficialmente conta com mais de trezentas. A aquisição de afiliadas gera essa integração citada anteriormente. Todos os canais abertos têm dois sinais: o analógico e o digital. A TV Digital não é necessariamente interativa, nem sempre o que é multimídia é assim. A televisão digital é polissêmica e a população brasileira não sabe o que é exatamente, encerrou.

*Aluna do 2° período da ECO/UFRJ.

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