Matérias escritas pelos alunos do Laboratório de texto do LECC, Técnica de Linguagem Jornalística na ultima coletiva

A pornografia vista sob outra ótica

Por Gabriel Cassar de Barros Silva*

O jornalista Erick Mendonça Dau foi o primeiro entrevistado do semestre no Laboratório de Técnica de Linguagem Jornalística da ECO UFRJ. Ele é mestrando pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ, e vem trabalhando com o tema “Pornografia: uma questão de gêneros?”

Durante a coletiva, Dau apresentou um apanhado estatístico geral da pornografia em escala mundial. Segundo o levantamento, 12% dos sites existentes são de cunho pornográfico e ¼ das procuras feitas no mundo virtual são de conteúdo erótico. Na opinião do pesquisador, a surpresa com que a grande maioria encara esses números de elevada proporção leva a outro ponto, a dificuldade da sociedade lidar com o tema.


“A indústria pornô é como uma indústria de massa omitida pela moral da sociedade”, afirmou. Na mesma proporção em que considerável parte da população se utiliza da indústria, jamais se legitima a mesma, sendo sempre tratada como imoral, obscena e errada. Dau considera este fato curioso, uma espécie de “dupla moral”. Para ele, é consensual que o sexo representa um tabu na sociedade, o que dificulta e muito o debate sobre o assunto. Na pornografia, não ocorre o feedback natural no processo, como é comum em outras áreas. Dau cita o exemplo da televisão e diz que se uma mulher é espancada a repercussão é imediata, pois há, além da grande circulação, o espaço para o debate, a crítica, o que não ocorre com a pornografia.

 O papel da mulher na indústria pornô é o grande problema a ser discutido. Segundo o pesquisador, a figura feminina é tratada como mero objeto de obtenção de prazer para os homens. O tratamento agressivo, os insultos e a aceitação e submissão da mesma, acaba sendo levado para a sociedade “real”, na qual certos comportamentos e tratamentos são normalizados, também, pela influência da pornografia.
Além das influências negativas, a pornografia causa problemas às mulheres. Como exemplo, Dau disse que as atrizes pornôs têm desde salários irrisórios, até falta de segurança de trabalho (doenças) e mesmo casos graves, como serem violentadas.  Para o pesquisador, a sexualidade é construída pela pornografia, o que influencia a naturalização da violência contra a mulher e a submissão da figura feminina. A indústria pornográfica ensina a ter prazer ao ver o outro explorado. Outro problema grave, segundo Dau, é o fácil acesso à pornografia.

 Ainda que certos valores sejam arcaicos, como a ida do jovem a um prostibulo, para perder a virgindade, tornou-se inegável que a internet colocou à disposição e de maneira praticamente livre e sem censura, grande conteúdo de material pornô. Com isso, a “educação” sexual é deturpada, é pautada pela pornografia, que chega ao alcance de crianças antes mesmo de amadurecerem ou pelo menos terem alguma conversa a respeito disso com os pais.

  O pesquisador questiona a ideologia capitalista e a culpa pelo atual estágio da sociedade. Marxista e militante do PSTU (Partido Socialista do Trabalhador Unificado), Dau mostra sua linha de raciocínio: “…Malcom X dizia que sem racismo não há capitalismo. O sistema capitalista se baseia nas opressões.” Sendo assim, para a fluidez do capitalismo, é necessária a exploração de uma classe para que outra se fortaleça. É assim com ricos e pobres, brancos e negros e com homens e mulheres.

  Dau não pensa em acabar com a pornografia. “… seria inútil, pois logo o sistema se encarregaria de colocar outra coisa em seu lugar”, enfatizou. Para ele, a negligência política e a falta de debates sobre o tema são os grandes entraves para a mudança, essa sim, a chave para a pornografia tornar-se algo mais decente e aceitável, sem falso moralismo e sem precisar acabar.

  Perguntado a respeito de soluções práticas para o problema, o pesquisador se mostrou pessimista. Ele não vê uma solução palpável no momento, mas acredita que é possível realizar a mudança na indústria pornográfica através do debate.  

*Aluno do Ciclo básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

Discussão sobre pornografia leva à crítica da opressão da mulher

 

                                                                                                       Por Amanda Avelino*

O mestrando Erick Dau da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participou de uma simulação de entrevista coletiva com os graduandos do Laboratório de Texto Jornalístico da ECO/UFRJ. Autor da pesquisa intitulada “Pornografia: uma questão de gêneros?”, Dau discute a opressão da mulher na pornografia.

Ele esclareceu o interesse pelo tema a partir de um trabalho na universidade e a curiosidade pela mídia que o fez levar a um potente produto de massa: a pornografia. Mesmo sendo difícil definir o que é a pornografia, decidiu fazer um recorte do assunto abordando a violência e a opressão relacionadas ao sexo

O pesquisador esclarece que apesar de ser uma mídia que não vira espaço de debate, a pornografia possui um forte caráter comercial, dissolvida na sociedade, um produto de massas que “educa” sexualmente e define novos valores. De acordo com a pesquisa, 12% dos sites no mundo, equivalentes a 24 milhões, são de pornografia e 25% das buscas na internet são referentes ao tema. Inserida numa dinâmica de moral pública, o preconceito ao erótico e à sexualidade leva a descoberta de uma nova constatação de construção do sexo.

A crítica principal do mestrando é a representação da mulher, tida como objeto sexual. Segundo ele, a violência simbólica sofrida pelo sexo feminino está no objetivo de dar prazer ao homem, retirando da mulher seu sujeito. O desejo de ser explorada, submissa e sofrer opressão é mantido, segundo Dau, por uma infinidade de fatores de um sistema capitalista que se aproveita das opressões para explorar. “A imersão em uma sociedade machista e a banalização do sexo sendo cada vez mais presente no mercado da mídia leva a saturação e a um problema de conscientização da sociedade sobre a violência verbal e física da mulher”. Esse problema é ainda reforçado pelo caráter comercial que a pornografia possui, aumentando a opressão e o consentimento do público.

“A representação do corpo acompanha o desenvolvimento da sociedade. Entretanto, o término da pornografia não irá resolver as opressões existentes, mesmo assim não se deve deixar de lado. A crítica à pornografia é um estágio de superação em que o mundo está e isso é relevante”, afirmou.

Dau pretende seguir a carreira acadêmica, porém estudando outros assuntos, por achar o tema da pornografia difícil de retratar. Planeja o futuro com o doutorado na Argentina e nos seus planos estão a vontade de abrir uma organização de fotografia colaborativa.

*Aluna do Curso de Graduação em Comunicação da ECO/U

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