Matérias escritas pelos alunos do Laboratório de texto do LECC, Técnica de Linguagem Jornalística na primeira coletiva

Pornografia vira objeto de pesquisa acadêmica

 

Por Monique de Andrade Dantas*

O mestrando do Programa de Pós-graduação da ECO/UFRJ Erick Dau, em coletiva para os alunos do Laboratório de Técnicas de Redação Jornalística, falou sobre o tema de sua pesquisa “Pornografia: uma questão de gêneros?”. Ele esclareceu que o termo pornografia foi criado no século XIX para regular a produção artística. Disse ainda que objetos soterrados em Pompeia, na Itália, encontrados em 1749 por antropólogos, eram esculturas de cunho sexual. Segundo o pesquisador, a pornografia é usada para a representação explícita do corpo e do sexo. “Você tem que fazer um recorte do que é a pornografia. É difícil defini-la”, analisa.

Segundo Dau, dados de 2010 revelam que 12% dos sites permitem conteúdo pornográfico e ¼ dos mecanismos de busca na internet está ligado ao assunto. A relação de gêneros é questionada pelo pesquisador devido à representação vertical da mulher, sempre submissa ao homem na produção de filmes e violentada em todos os orifícios possíveis. “O gênero pode ser entendido de várias formas. A mulher não é determinada enquanto agente. Pode ser uma categoria de opressão da mulher”,

Embora seja um produto de massa, “não há ninguém que irá contestar a pornografia nos meios de comunicação. É ridículo tentar mudar a produção da pornografia”, afirma. E complementa que a sociedade está sujeita à condenação da sexualidade, que constrói a pornografia. Nesse gênero, a mulher é submissa ao homem e chamada por nomes pejorativos, além de xingamentos durante o ato sexual. “A mulher pode fazer sexo à vontade, mas para o prazer do homem. O sexo não serve para ela. A pornografia gera um fetiche pela exploração e a pessoa sente prazer quando vê alguém sendo explorado”, observa.

Mesmo não considerando a pornografia totalmente machista, o mestrando afirma que a mesma, como é feita para homens, vai ser em geral machista. E isso se reflete no comportamento da sociedade: “A organização social é baseada primeiro na divisão sexual, status do homem e da mulher. É uma coisa muito louca, a sociedade vive em função da sexualidade. Tudo o que a gente consome, o que faz tem um cunho sexual. Portanto, a pornografia sempre vai existir”, conclui.

*Aluna do 2° período de Comunicação Social da ECO/UFRJ.

Pornografia mainstream causa opressão feminina

 

Por Laura Marrafon Zanetti*

O mestrando do Programa de Pós-graduação na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Erick Dau participou da primeira simulação de coletiva no Laboratório de Técnica de Linguagem Jornalística. A entrevista foi realizada em dezembro e teve como debate principal o tema da dissertação “Pornografia: uma questão de gêneros?”.

Dau se propõe a analisar a pornografia mainstream, veiculada em vídeo, na internet e de caráter comercial. Ele destaca o modo como a mulher é abordada nesse tipo de produto. Sua questão principal é a submissão feminina retratada nos vídeos, a mulher como objeto de satisfação, vítima de violência. Segundo o mestrando, apesar de a pornografia ser um produto de massas, sua recepção é individualizada. Afirma que o tema é velado, um tabu na sociedade e, como não há espaço para crítica, não está submetida à opinião coletiva. Para Dau, a pornografia não recebe um retorno. “Está envolta em uma dupla moral, não é socialmente aceita, entretanto tem sua condição admitida”, critica.

O pesquisador passou por importantes questões, enfatizou que o preconceito em relação à pornografia existe devido à moral ocidental. Segundo suas análises, a mulher sempre é colocada como objeto de satisfação, não importando as condições. “Desde que atenda ao prazer masculino, a mulher aprova o tratamento e muitas vezes a violência verbal é predominante na descrição dos filmes”. O resultado é a criação de um fetiche pela exploração, o fetiche da audiência pela condição retratada.

O mestrando coloca que aos poucos a pornografia vem tomando lugar da “educação sexual”, visto que segundo pesquisas, a média de primeiro acesso ao conteúdo é de 11 anos.  A imagem retratada na pornografia pauta a descoberta da sexualidade e provoca efeitos junto à sociedade com desdobramento na vida real a partir da eficácia do “ensino”.

Segundo Dau, a indústria pornográfica movimenta um grande mercado, porque se trata de um produto capitalista. Ele considera também que o sistema se aproveita das opressões para colocar classes em conflito, sua lógica de funcionamento. Mas considera que a solução não reside em acabar com a pornografia, já que, outras instituições tomariam o lugar desse discurso. A questão é a negligência com que a sociedade, de modo geral, trata a situação da mulher. O pesquisador coloca que a pornografia é uma pequena face de uma grande problemática, uma questão que não começa nem acaba em si. “A conscientização e, sobretudo, a luta política seriam saídas para a superação deste estágio social estagnado”, concluiu o pesquisador.

*Aluna do Ciclo básico do Curso de comunicação da ECO/UFRJ.

Pesquisa sobre pornografia revela relações de desigualdade entre gêneros

 

Por Giovanna Lisbôa de Gouveia*

Em tempos de glamourização das mulheres frutas e da exploração já desgastada da figura da mulher altamente sensualizada na mídia, a pornografia continua ironicamente sendo um tabu não discutido livremente. É esse paradoxo e ao mesmo tempo o preconceito gerado pelo tema que o mestrando Erick Dau enfrenta com a pesquisa que investiga as relações de gênero na pornografia. Apesar de defender esse tipo de produção, ele destacou, em entrevista coletiva, aspectos dos vídeos pornográficos ligados principalmente à exploração da mulher, da violência sexual e como isso pode influenciar o desenvolvimento da sexualidade.

O primeiro grande problema apresentado é que a pornografia ao mesmo tempo que é condenada não deixa de ser consumida, criando uma “dupla-moral”. Segundo o pesquisador, a não aceitação social impossibilita que a criação de um espaço de debate e reflexão sobre o que é exposto nos vídeos eróticos. Dessa forma, não há uma resposta da população ao conteúdo gerado pela indústria pornográfica que segue com suas produções, perpetuando a submissão feminina e outras práticas. “Só aceitamos a postura adotada nesses vídeos, pois a consideramos uma ficção onde a moral é relativizada”, disse.

O que foi revelado em suas pesquisas é que na maioria dos produtos a mulher aparece como objeto. Ela é violentada verbal e fisicamente.  Os valores aí propagados estão em que a mulher pode praticar o sexo com quantos parceiros e de quantas formas desejar, desde que o homem tenha prazer na relação. Dau concluiu que a pornografia não caracteriza a liberdade sexual feminina como alguns grupos feministas defendem, muito pelo contrário, estabelece uma subserviência feminina ao prazer masculino.

Toda essa violência, dita simbólica, tem muito de real. Mais do que propagar ideais machistas e opressivos, afeta mulheres que se submetem a participar da produção desses filmes. Para o mestrando, as atrizes sofrem pela condenação moral da sociedade, que não pensa as violações a que estão sujeitas, nem em seus direitos. Dau chama a atenção para a situação dos Estados Unidos, onde a indústria pornográfica é mais influente. No país foi criada, pelas produtoras, uma fundação de saúde para os atores pornôs com a preocupação de garantir mão de obra saudável. Dados dessa instituição, trazidos pelo pesquisador, afirmam que a vida útil de uma atriz em inicio de carreira é somente de três meses, devido a doenças contraídas durante as filmagens, se não forem realizados exames preventivos nos atores. Isso ocorre porque as cenas são feitas sem nenhum tipo de proteção.

O grande fetiche pela exploração, que para Dau é um reflexo do sistema capitalista, se perpetua na pornografia, no entanto não fica restrito aos vídeos. Um estudo recente mostra que os homens desejam realizar o sexo dito pornográfico com suas parceiras. Outro dado ainda mais preocupante é que a pornografia tem tomado o espaço da “educação sexual” e que o primeiro acesso acontece em média aos 11 anos.

O resultado, disse, é que a sociedade fica cada vez mais influenciada pela brutalidade masculina da pornografia e por consequência as mulheres reduzidas cada vez mais a simples objetos. Foi o estranhamento da atitude de colegas na adolescência em um fórum de discussão na internet que levou Dau a se interessar pela pesquisa nessa área. Para ele, a solução não está na extinção da pornografia, mas em uma conscientização da mesma que deve estar inserida em um contexto de luta contra todas as espécies de opressões.

*Aluna do Ciclo básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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