Seriado televisivo sugere reflexão para outras questões

Por Bernardo Peregrino*

A última simulação de entrevista coletiva feita pelos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da Escola de Comunicação da UFRJ foi realizada no dia 11 de novembro, com a doutoranda em Comunicação na UFRJ Danubia Andrade. A conversa partiu do artigo Análise crítica e criativa do seriado Todo mundo odeia o Cris – em que a pesquisadora analisou a representação do negro na televisão a partir da série – e abarcou também outros temas.

Inicialmente, Danubia explicou o contexto que levou à veiculação desse seriado pela Rede Record: a necessidade de preencher um buraco de duas horas na grade da tarde. Por isso, a exibição contava com poucos comerciais, e os que haviam eram da própria emissora. A pesquisadora também revelou que o seriado foi comprado como barganha junto com um pacote de filmes e que visava atingir os telespectadores negros.

A afirmação da doutoranda de que os negros representados nas novelas só são negros na maquiagem motivou a primeira pergunta feita pelos alunos. Imediatamente, Danubia se recordou da personagem Helena, vivida pela atriz Taís Araújo em Viver a Vida. “Ela é uma modelo com as suas relações no mundo da moda e em nenhum momento a sua negritude aparece”, disse, ressaltando ainda o fato de a personagem quase não se relacionar com negros. “Ao pé da letra, a gente não pode considerar essa personagem como a primeira protagonista negra das novelas brasileiras”, concluiu.

Outro tema abordado foi o diálogo entre a representação dos negros e a representação dos latinos na televisão. “Geralmente, o latino é associado ao tráfico de drogas e o negro associado à violência”, ressaltou, para, em seguida, afirmar  que o asiático fica igualmente sujeito à representações estereotipadas. Danubia lembrou o fato de que, muitas vezes, não há sequer diferenciação entre os latinos: “Quando a gente pensa nesse estereótipo, nós estamos inseridos nele porque somos brasileiros e sabemos que existem diferenças”.

No fim da coletiva, a doutoranda foi questionada acerca da atuação do movimento negro. “Na realidade que eu acompanhei mais de Juiz de Fora (cidade natal da pesquisadora), o presidente do movimento não dá mais entrevistas no Dia da Consciência Negra”, acrescentando que isso ocorre porque haveria uma infinidade de outros assuntos que poderiam ser abordados, mas “ele (o presidente do movimento) só é chamado no dia 20 de novembro”. Em seguida, disparou: “A nossa imprensa do Sudeste trabalha muito com datas, quando na verdade o papel do jornalista é pensar as questões de uma forma mais profunda”.

Assim, chega ao fim a série de entrevistas que foi realizada com acadêmicos pelos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica. O resultado são textos produzidos pelos estudantes e disponibilizados no site do Laboratório de Estudosem Comunicação Comunitária– LECC-UFRJ.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

 

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