Pesquisadora reflete sobre o preconceito e as representações do Candomblé no Brasil

Por Felipe Lyra*

A doutoranda do curso de Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Waldelice Souza participou de simulação de entrevista coletiva com alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO/UFRJ. Autora do projeto “A Rotação das Identidades – A Variação do Transe como Dínamo da Arquitetura dos Personagens nos Oríkìs e na Obra de Pepetela”, a pesquisadora falou sobre as representações do Candomblé na mídia e na sociedade brasileira.

Inicialmente, Waldelice questionou a dificuldade em se encontrar trabalhos de boa qualidade acerca do assunto. Durante a pesquisa para fundamentar o projeto que serviu de base para o seu doutorado, a entrevistada disse que a grande maioria das teorias acerca do Candomblé e da cultura africana são de base eurocêntrica. Isto é, elas estão distantes do tema e do universo africano, visto que as visões acadêmicas sobre o assunto são quase sempre ligadas ao Ocidente.

Ainda neste tema de comparação entre a cultura tipicamente ocidental e a africana, Waldelice prosseguiu para a análise de duas esculturas: “O Pensador”, famosa obra do artista francês Auguste Rodin, e a representação angolana de uma figura semelhante. Segundo ela, a primeira peça, que consiste no célebre escritor italiano Dante Alighieri refletindo em frente aos Portões do Inferno, é carregada de tensão. A obra proveniente do continente africano, por outro lado, é dotada de equilíbrio e serenidade, uma harmonia que reforça noções de pertencimento à cultura africana.

A pesquisadora falou sobre as representações desta cultura no Brasil e disse que o preconceito e a falta de informação em relação ao Candomblé prejudicam enormemente a difusão da religião no país. Ela explicou ainda como Exú provocou fortes reações contrárias da Igreja Católica desde a época da colonização. O mensageiro era representando por um punhado de terra com um falo, simbolizando a fertilidade.

Waldelice concluiu a coletiva, criticando a intolerância da mídia em relação ao Candomblé. Ela defendeu uma distribuição mais justa das concessões de direitos de transmissão na televisão brasileira. Disse que as manifestações religiosas são representadas de maneira desigual, e o candomblecista é demonstrado de tal forma que há pouquíssima identificação com o seu discurso. Para a pesquisadora, a representação das diferentes religiões deve acontecer de maneira responsável, com uma consulta a quem de fato esteja envolvido com aquela crença, para evitar estereótipos e conceitos equivocados.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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Um pensamento sobre “Pesquisadora reflete sobre o preconceito e as representações do Candomblé no Brasil

  1. Jorge Noronha disse:

    Parabéns pela pesquisa!

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