Pesquisadora critica pensamento único

Por Déborah de Araujo*

A doutoranda do curso de Teoria da Literatura na Faculdade de Letras/UFRJ Waldelice Souza participou da entrevista coletiva para graduandos da Escola de Comunicação (ECO), no Laboratório de Comunicação Crítica. O tema abordado foi a questão das diferentes formas de pensamento, que ela apresentou no artigo “A Rotação das Identidades – A Variação do Transe como Dínamo da Arquitetura dos Personagens nos Oríkis e na Obra de Pepetela”.

A pesquisadora tem como foco de estudo o sistema simbólico do homem africano a partir do Candomblé e como isso é feito no Brasil. Para ela, é impossível analisar a literatura brasileira com base em teorias eurocentradas. “É preciso construir um corpo de teorias”, apontou. Ela trouxe à discussão a questão do lugar do “outro” no mundo e afirmou que “existe em nosso tempo uma disputa institucional das formas de pensamento. Vivemos num mundo que não sabe lidar com diferentes formas de ideias sem que uma exclua a outra.”

Segundo Waldelice, o forte campo de significação do que seja o pensamento na lógica ocidental pode ser representado pela famosa escultura do francês Auguste Rodin, “O Pensador” (Le Penseur). A estátua de bronze, construída originalmente para coroar a Porta do Inferno (referência à “Divina Comédia”, de Dante), traz a ideia de estado de tensão para as reflexões ocidentais. Já a imagem do “Pensador Angolano”, esculpida anonimamente, personifica noções de conhecimento e demonstra a atividade de pensar como um gesto calmo, sereno, trazendo a ideia de que a reflexão não está afastada da vida concreta.

A imagem feita por vários artistas “não é a representação de uma pessoa, mas de uma comunidade”, afirmou. Levando o Candomblé para o âmbito da Comunicação Social, a doutoranda explicou que a mídia tende a criar estereótipos sobre o assunto. “As emissoras de TV tratam essa religião como uma alegoria.”

Waldelice defende os estudos sobre o Candomblé e Angola como uma grande oportunidade para a cultura brasileira, “mas há dificuldade por causa do preconceito. A mídia em geral divulga o preconceito”, afirmou, se referindo à emissora de televisão Globo, católica, e à Record, evangélica. Para a doutoranda, há no Brasil a necessidade de se pensar a concessão de direito de transmissão. “Ou vira uma coisa laica, ou tem distribuição o mais igualitária possível”, concluiu.

*Aluna do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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