Pesquisadora critica manifestações dos conflitos raciais nos meios de comunicação

Por Felipe Lyra*

A doutoranda em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Danubia Andrade, participou de simulação de entrevista coletiva com alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO/UFRJ. Ela analisou o seriado norte-americano Todo Mundo Odeia o Chris, exibido no Brasil pela TV Record desde 2006 e abordou, sobretudo, a questão da representação da negritude no sitcom, cujo foco é a adolescência do comediante negro Chris Rock.

Danubia traçou um perfil da representação dos negros na televisão, mostrando as duas maneiras preconceituosas e discriminatórias por meio das quais a etnia apareceu desde os primórdios da TV nos Estados Unidos e em diversos outros locais do mundo: a estereotipação e a desracialização. A primeira prática consiste no nivelamento da imagem do negro, atribuindo aos cidadãos da referida raça características como a pobreza, o talento para os esportes e uma suposta violência. A segunda forma de representação é nada menos do que a desapropriação das características culturais dos homens e mulheres negros. Trata-se da demonstração dos mesmos nos moldes de cidadãos brancos de classe média, constituindo personagens “negros por fora e brancos por dentro”, como diz Danubia.

Em Todo Mundo Odeia o Chris, a primeira forma de representação é a que aparece com mais força. Em meio a inúmeros exemplos, a pesquisadora mostra como o protagonista é constantemente diminuído a simples imagens e estereótipos que seus colegas e professores brancos têm dos negros. Neste cenário, uma das formas de preconceito que mais chama atenção é a compaixão contornada por sentimentos racistas, demonstrada pela professora de Chris, Srta. Morello. Ela doa tudo o que foi coletado em uma campanha de caridade em época de Natal para o seu único aluno negro. O ato é movido por uma suposta piedade baseada nas condições miseráveis nas quais ela acredita, de maneira equivocada, que o protagonista vive. Este é mais um exemplo de diminuição da negritude a estereótipos.

Neste sentido, uma das maiores reflexões propostas pelo seriado é justamente a de derrubar estas falsas imagens. De fato, Chris não é violento, não é atlético, não possui talento para a dança ou sensualidade exacerbada e não é miserável, como pensam os diversos personagens racistas. Por outro lado, Greg, seu melhor amigo, é branco e também não vive em uma mansão dotada de piscinas e quadras de tênis, como Chris admite ter imaginado no episódio em que visita a casa do colega. A realidade demonstrada é que os conflitos raciais afastam negros e brancos a partir de estereótipos. Além disso, estas imagens acabam criando concepções inverídicas e escondendo a óbvia conclusão, sustentada por diversas pesquisas científicas contemporâneas: a única raça existente é a humana.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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