Interesses midiáticos invisibilizam a região Norte brasileira

Por Anna Carolina Caldas*

A doutoranda em Comunicação Priscila Vieira foi a terceira convidada do semestre para a simulação de entrevista coletiva com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO na UFRJ. Ela apresentou pesquisa sobre “Desafios e estratégias de mídia na mobilização ambiental: o caso da campanha ‘Fale por saneamento ambiental em Marabá (PA)’”.

O foco da pesquisa está em temas como comunicação e globalização, mídia e defesa de direitos. Para abrir a apresentação, a doutoranda fez um diagnóstico cultural do Brasil focado nas interações da mídia com a sociedade. Ela usou a teoria do bios midiático, de Muniz Sodré, para explicar que a mídia é um novo modo de vida que induz ao consumo. Sendo assim, disse que a moral da discussão filosófica, no presente, passou a ser as ações de compra e venda, presentes na política, economia, nas relações pessoais e, de alguma forma, em tudo na vida das pessoas.

Segundo Priscila, a mídia contribui para a formação de identidades coletiva e individual, a partir do consumo, do lugar de pertencimento, de grupos sociais e culturais. “A mídia não dita essas identidades, mas as pessoas decidem essas identidades a partir de elementos presentes na mídia”, esclareceu Priscila.

Acerca da pesquisa, a doutoranda falou sobre o porquê das dificuldades da comunicação nesses locais mais distantes do Brasil. Observou que a invisibilidade do tema da cidade de Marabá acontece nas grandes mídias nacionais por conta da oligopolização e do desinteresse, além de questões políticas e econômicas. “Isso demonstra a situação da população dessa região do país, que quando não é ignorada é estereotipada pela grande mídia”.

A pesquisadora explicou que a mídia serve como meio de conscientização e mobilização, esta como uma forma de unir pessoas a uma causa, sem necessariamente conscientizá-las do assunto e conscientização como algo educativo, que gera reflexão das pessoas sobre um assunto.

Disse que a mídia é pública, mas a concessão dessa para grupos privados retomam os problemas do que é ser público no Brasil. A doutoranda ressaltou o fato dessa mídia ser do governo, mas não de todos, pois poucas pessoas a controlam e as informações passadas por ela, são de uma classe social dominante.

Disse que a internet passa a auxiliar na comunicação como mídia alternativa e ajuda as estratégias de organização política para agregar pessoas aos movimentos, além de ajudar a informar a população, em especial do Sudeste. No entanto, a realidade do que acontece no Norte do país continua distante, porque a mídia invisibiliza outras partes da sociedade.

Um dos problemas dessa nova solução, para a pesquisadora, é que a internet ainda passa pelo sistema capitalista de compra e venda de produtos. Logo tem um amplo acesso para o Sudeste e a população do Norte que precisa ser ouvida não possui voz.

“Em sociedades em que a visibilidade é essencial para resolver conflitos sociais e para a formação da cidadania, as mídias são mais do que instrumentos de direitos humanos, contribuem também para a formação de identidade”, concluiu. Segundo Priscila, é essencial a informação das pessoas sobre a realidade, na qual vivem os cidadãos de Marabá, de forma a melhorar a realidade que as cercam. E é ainda mais relevante escutar o que essa população tem a dizer e o que o Sudeste pode aprender com eles.

*Aluna do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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