Doutoranda fala de relações raciais e preconceito

Por Tamara Stern*

Em entrevista coletiva com alunos da UFRJ, a doutoranda em comunicação Danubia Andradefalou sobre as relações raciais na ficção televisiva. Ela tomou por base o seriado norte-americano Everybody hates Chris (Todo mundo odeia o Chris), exibido na TV brasileira pelo canal Record. Ela explicou que apesar do seriado ser voltado para o público negro, ganhou bastante visibilidade, chegando a ser líder de audiência nos Estados Unidos.

Como ponto de partida, Danubia comparou o seriado com a participação de personagens negros na TV brasileira e disse que estes só são negros fisicamente, mas não em essência, pois não se comportam ou vivem como tais. Já o seriado proporciona outra leitura, ao realmente mostrar as relações raciais e todo o preconceito envolvido. A doutoranda explicou que nem mesmo os movimentos de negritude daqui têm tanta força quanto os americanos e ainda enfatizou que quando a mídia brasileira mostra a historia da escravidão, não faz uso de protagonistas negros, como na telenovela Escrava Isaura, exibida na TV Globo em 1976.

Para Danubia, há um problema de representação, pois na nossa sociedade o que prevalece são os valores estéticos. “Já o seriado retrata muito bem o que ocorre com a sociedade negra”, ressaltou. A série mostra a vida da família negra Rock, no Brooklyn, onde Chris – o filho mais velho de 13 anos – teve de entrar numa escola frequentada, com exceção dele, apenas por alunos brancos. Lá, Chris passa a ser perseguido e sofre preconceito de todos. As cenas mostradas enfatizam a ideia de inferioridade econômica dos negros, que leva os professores a encarnarem um discurso de “solidariedade”; e conflitos raciais até mesmo na casa de Chris (a mãe vive discutindo questões raciais com a família).

As cenas também mostraram a associação automática do adolescente negro com o basquete e com a violência, pois o corpo dele já seria dotado de força física, mas Chris não sabe jogar basquete e muito menos ganhara uma briga na escola alguma vez. A partir disso, a doutoranda explicou que o negro é perseguido por estereótipos e que no jornalismo ocorrem muitos erros por causa dessa naturalização.

No término da coletiva, a convidada esclareceu que apesar do sujeito racial saber de suas condições, ele pode acabar embebido pelos problemas enxergados pelos outros e se deixar levar por esses pensamentos errôneos. Cabe ao negro escolher o tipo de vida que quer levar, valorizando ou não os “achismos” do mundo externo.

*Aluna do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

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