Saneamento ambiental em Marabá foi tema de entrevista

Por Felipe Lyra*

A doutoranda e Mestre em Comunicação e Cultura, Priscila Vieira, palestrou para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO/UFRJ. Ela expôs as questões de saneamento ambiental na cidade de Marabá/PA e falou sobre a atuação da Rede Fale na resolução dos problemas. Na simulação de entrevista coletiva que seguiu a fala da convidada, os futuros jornalistas ainda a interrogaram sobre o tema.

História do conflito

O quarto município mais populoso do estado do Pará, Marabá é cortado por um rio curiosamente denominado Grota Criminosa, em cujas margens há grande concentração de construções irregulares. Segundo Priscila, o rio, que é fundamental para a vida da população local, sofre hoje com uma ferrovia recém-construída que passa em cima de sua nascente, poluindo-o e alterando o curso natural das águas. No leito são despejadas, diariamente,  cargas diárias de esgoto dos moradores locais, que não dispõem da menor estrutura de saneamento e têm de percorrer cerca de três quilômetros para chegar ao depósito de lixo mais próximo.

Segundo a pesquisadora, esta realidade atraiu a atenção da Rede Fale, organização evangélica ligada à área de direitos humanos que, juntamente com a Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e duas igrejas de Marabá, promove, desde 2009, uma campanha pela conscientização ambiental. Além disso, a iniciativa visa o lobby político direcionado a Roger Agnelli, diretor-presidente da companhia mineradora Vale do Rio Doce, responsável pela construção da ferrovia.

A base da campanha são cartões postais denominados Ore e Envie, que informam sobre a situação de degradação do meio ambiente, são reenviados a outras pessoas e, ainda, possuem uma parte endereçada à empresa. A proposta é clamar por ações no campo do saneamento ambiental e pela remediação dos danos causados pelo aterro de parte da Grota Criminosa.

Conquistas obtidas

De acordo com Priscila, a adesão de dezenas de jovens de todo o país fez com que a campanha ganhasse força nas redes sociais, contribuindo enormemente para o seu sucesso. Após meses de tentativas frustradas de contato com a Vale, a empresa finalmente deu uma resposta no fim de 2010, em virtude de uma manifestação que ocorreria no Rio de Janeiro e foi marcada pela internet. O curioso é que a iniciativa nem chegou a ocorrer por medo de represálias violentas das autoridades, que estavam em pleno processo de ocupação do conjunto de favelas Complexo do Alemão, na Zona Norte carioca.

Expectativas

A pesquisadora disse que para o futuro, a expectativa é que o contato entre os responsáveis pela campanha e a Vale cresça, possibilitando ações concretas visando a melhoria da qualidade de vida da população marabense. A população local sofre com problemas que vão desde a falta de tratamento de esgoto até o crescimento no número de enchentes que assolam o município e causam perdas irreparáveis. Com uma verdadeira interação, espera-se que a empresa, que é a maior organização instalada na cidade, realize investimentos para projetos de educação e ambiental e melhore este cenário desfavorável.

*Aluno do Ciclo Básico de Comunicação da ECO/UFRJ.

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