Jornalista aborda defesa de direitos e visibilidade em simulação de coletiva

Por Jonas Moura*

A jornalista Priscila Vieira foi a terceira convidada do Laboratório de Comunicação Crítica da Eco/UFRJ para simulação de coletiva com os alunos do ciclo básico. Além de doutoranda e Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ, ela é colaboradora da Rede Fale, um agrupamento de jovens evangélicos reunidos em vários países com o intuito de chamar a atenção das autoridades para os efeitos da miséria e da pobreza. Durante a exposição de sua pesquisa, ela abordou noções sobre o tema com que se envolve desde a graduação, a defesa de direitos, com foco na visibilidade de questões locais ignoradas pela mídia.

Para contextualizar a emergência da luta pela defesa de direitos, Priscila recorreu à crise da democracia representativa no século XX, lembrando dos refugiados da Primeira Guerra Mundial e do genocídio de judeus na Alemanha nazista. Segundo a doutoranda, essa crise pode ser vista de maneiras opostas. “Ela possibilitou uma maior participação da sociedade civil e, com um papel remodelado, da mídia. Por outro lado, tivemos a ampliação do Poder Executivo como um efeito negativo. No caso do Brasil, o maior exemplo disso foi a suspensão dos direitos dos cidadãos com os Atos Institucionais”, afirmou.

Priscila destacou aquilo que considera mais importante no campo da defesa de direitos. “Entender porque um problema social existe e garantir que o poder seja bem utilizado, permitindo que pessoas que se sentem impotentes tenham consciência do seu poder”. A convidada também caracterizou a mídia como um ator social estratégico, que pode ser tanto o alvo de uma campanha para garantir o direito à comunicação, quanto um aliado para mobilizar a opinião pública em torno de uma causa social.

Em seguida, a pesquisadora apresentou um estudo de caso sobre a ausência de políticas públicas de saneamento no município de Marabá, no Pará.  Ela explicou que a Vale construiu no local uma ferrovia que depredou a nascente do rio Grota Criminosa e provocou alterações no curso das águas. Além disso, a ausência de infraestrutura urbana na cidade, aliada às migrações de trabalhadores atraídos pela oferta de empregos na mineradora agravaram a poluição do rio. Diante desse quadro, o objetivo da Rede Fale é mobilizar jovens evangélicos a pensarem sobre as relações sociais fora do aspecto estritamente religioso.

O estudo sobre a campanha em Marabá, que foi lançada no Fórum Social Mundial da Amazônia em 2009, buscou entender por que é tão difícil tornar questões locais visíveis na mídia. Uma das justificativas que Priscila encontrou foi a existência de um oligopólio de famílias que têm concessão para atuar no ramo da comunicação no Brasil. “As ondas que transmitem sinais de tevê são públicas, mas as antenas de captação desses sinais são privadas”, observou. O resultado é que apenas cinco empresas detêm 82,5% da audiência, bem como 99% do dinheiro movido com publicidade.

Quando questionada sobre a atuação da defesa de direitos nas grandes metrópoles, a convidada enfatizou novamente a disputa por visibilidade em uma sociedade midiatizada. “É muito fácil ignorar Marabá, mas é impossível ignorar a Rocinha”. Mas ressaltou que até mesmo as grandes cidades estão sujeitas a uma forma de invisibilidade, a partir da criação de estereótipos. “Seja o bandido, o criminoso ou o maluco, há uma tendência de retratar determinados sujeitos de maneira negativa. Eu acho que num lugar onde esbarrar com o outro é algo cotidiano, esse outro acaba aparecendo de forma estereotipada”, concluiu.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: