Doutoranda aborda defesa de direitos ao falar sobre saneamento básico e monopólio das mídias

Por Tamara Stern*

A doutoranda em Comunicação, Priscila Vieira, concedeu entrevista coletiva aos alunos da Escola de Comunicação da ECO/UFRJ, a terceira do semestre, programada pelo Laboratório de Comunicação Crítica. Abordou o tema da defesa de direitos e explicou porque a falta de saneamento básico e a conseqüente poluição do rio Grota Criminosa na cidade de Marabá, no Pará, são fatos que não ganham visibilidade, por não serem temas-alvo da grande mídia oligopolizada do Brasil.

Priscila começou a entrevista explicando a necessidade de se fazer um diagnóstico cultural, percebendo as características da cultura do Brasil. Falou sobre a teoria do Bios Midiático, de Muniz Sodré, o que significa uma nova vida, voltada para o mercado, e que desde o século XX, a mídia reforça o consumo e um modo particular de estar no mundo. Disse que as novas tecnologias da comunicação são vistas como meios formadores de sociedade e de identidade, são mídias que “apresentam elementos que levam as pessoas a criar imagens nas quais se espelhar”.

A pesquisadora explicou que defesa de direitos é uma ação que abrange a formulação e a fiscalização das leis e de políticas públicas, mas antes, disse, “é preciso saber bem sobre o problema em questão, em que ele consiste e por que ele existe, para depois se assegurar de que o poder será bem utilizado.” A partir daí, Priscila falou de seu estudo de caso, o rio Grota Criminosa, no Pará. O rio corta toda a cidade de Marabá e devido à falta de infraestrutura e saneamento, ficou totalmente poluído.

Contou que a população que vivia da pesca no local desenvolveu doenças, por causa do esgoto lançado no rio, sem tratamento. Para agravar a situação, a companhia mineradora Vale construiu uma ferrovia que destruiu sua nascente, localizada dentro da área urbana da cidade, e mudou o curso das águas.

A doutoranda enfatizou que a única ação desenvolvida para tentar combater a situação foi a criação, em 2006, por jovens evangélicos, da Campanha Fale por saneamento ambiental em Marabá. Eles conseguiram levar a Rede para dentro de inúmeras universidades e igrejas. “Apesar disto, a campanha teve muita dificuldade de ganhar visibilidade, pois há um oligopólio da produção na grande mídia. Cinco empresas são donas de 65% das antenas e da produção da mídia no país, sendo que elas detêm 82,5% da audiência televisiva”, explicou.

Lembrou que a produção midiática concentra-se na região Sudeste e isso dificultou ainda mais o acesso à visibilidade da Rede Fale. A pesquisadora contou, ainda, que a Vale apenas entrou em contato quando viu que a campanha estava gerando mobilizações por meio da distribuição de cartões de campanha e da internet.

Priscila finalizou a coletiva falando que a mídia oligopolizada acaba consolidando ideais nacionais que excluem identidades culturais, sociais, políticas e especificidades regionais. Também enfatizou a importância da mídia e das tecnologias de comunicação em geral. “Elas são mais do que instrumentos de promoção dos direitos humanos, elas mesmas são um direito e devem tornar-se acessíveis. A visibilidade é essencial para os conflitos sociais e para o exercício da cidadania”, concluiu.

*Aluna do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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