Deputado que denunciou a “máfia” das Milícias tem que sair do país, por ameaça de morte.

Fonte: ANF /Autor: Max Laureano 

O Estado do Rio de Janeiro assina, esta semana, o atestado de incompetência, em relação à Segurança Pública, com pena de ouro.  Ameaçado de morte por milicianos, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) deixará o Brasil na terça-feira, com a família, a convite da Anistia Internacional. O parlamentar vai para a Europa, mas o país de destino e o tempo de permanência no exterior estão sendo mantidos sob sigilo.

Esse “exilio” lhe foi imposto devido a incapacidade, ou desinteresse do estado em garantir a segurança física do deputado, pois a  Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, o Ministério Público e o Disque-Denúncia registraram, em pouco mais de um mês, sete denúncias de que várias milícias estão preparando o assassinato de Freixo.

Marcelo Freixo foi presidente da CPI das Milícias, que, em 2008, provocou o indiciamento de 225 pessoas, entre políticos, policiais militares e civis e bombeiros.

Freixo fez ainda duras críticas ao poder público, que classificou como “inoperante e reativo.” Ele citou o assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta por policiais militares, em agosto, para justificar a decisão de sair do país. “Sobre as ameaças, nunca recebi retorno das providências tomadas. Esse não é um problema meu, não é particular. Patricia Acioli recebeu várias ameaças e nada foi feito. O poder público é reativo e inoperante”, afirmou Freixo referindo-se à juíza Patrícia Accioli, executada, recentemente, a tiros por milicianos, na porta de casa, em Niterói – Região Metropolitana.

Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu o problema das milícias. Já a corregedora Nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon, afirmou à reportagem que milicianos estão por trás da maioria dos casos de violência contra os magistrados brasileiros. Por isso, ela iniciou uma força-tarefa nos 27 estados para tentar identificar e punir grupos paramilitares.

O governo do estado tem informações sobre os planos de execução de Freixo, que envolvem, na sua maioria, milicianos da Zona Oeste do Rio e da Ilha do Governador. Segundo um jornal, um ex-policial foragido do presídio da PM receberia cerca de R$ 400 mil para matar o parlamentar. A quantia seria paga pelo ex-soldado da PM e miliciano Tony Angelo, conhecido como Erótico. A dupla já estaria a par de detalhes da rotina de Freixo, incluindo o horário em que ele anda sem seus seguranças. Há relatos também de que um grupo paramilitar, formado por elementos da PM do Rio de Janeiro, se reuniu na Cidade de Deus, com o objetivo de acertar os detalhes do assassinato.

Procurada por várias mídias a Secretaria estadual de Segurança Pública não quis comentar as denúncias contra Freixo e a saída dele do país.

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