Doutoranda pesquisa sistema simbólico do Candomblé

Por Bernardo B. Peregrino*

Os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO/UFRJ fizeram uma simulação de entrevista coletiva, na última sexta feira de setembro, com a doutoranda do Curso de Teoria da Literatura, da Faculdade de Letras/UFRJ, Waldelice Souza. Na conversa, o tema foi a pesquisa que ela desenvolve sobre o sistema simbólico do homem africano, a partir da variação brasileira do Candomblé.

No começo da exposição de ideias, Waldelice citou o trabalho que desenvolve com a obra do escritor angolano Artur Maurício Pestana dos Santos, mas conhecido como Pepetela. Segundo a doutoranda, a obra de Pepetela – ex-guerrilheiro na época da descolonização de Angola – busca dialogar com as etnias angolanas, “desbancando o discurso ocidental”. Esse fato fez com que a convidada aplicasse o Candomblé, por enxergá-lo como um sistema simbólico que ampara a obra do angolano, ao invés de teorias euro centradas.

A partir do tema, a pesquisadora foi indagada pelos alunos sobre o desprendimento da cultura eurocêntrica que se faz necessário para o estudo da cultura africana, de matriz simbólica diferente. “Se você se coloca tateando a situação, você já se coloca num grau de humildade em relação ao seu objeto”, disse. Porém, observou que não está isenta de falhas: “Lógico que, se você ler o meu texto, algumas falhas dessa formação acadêmica vão existir”. Waldelice ainda ressaltou querer descobrir só aquilo que lhe permite entender o sistema simbólico, não sendo necessário, para isso, ser da religião.

A pesquisadora foi abordada sobre as dificuldades para a confecção de uma pesquisa sobre esse tema. Disse que é uma pesquisa que é vista como desimportante pelo meio acadêmico. Outro ponto abordado foi a intolerância das religiões pentecostais e neo pentecostais, que afeta até a questão da localização dos terreiros: “Existe uma disputa por compra dos terreiros de Candomblé por figuras ligadas à religiões neo pentecostais”. E acrescentou: “O que está aí, afora o poder econômico, é uma falta de respeito à diversidade”.

Por fim, a doutoranda disse que a mídia divulga o preconceito contra o Candomblé. “Hoje temos duas emissoras: a Globo – católica – e a Record – protestante. Ambas alegorizam o candomblecista de uma forma que você não vai se identificar com as coisas que essa figura fala”, ressaltou. A pesquisadora ainda tocou no assunto das concessões das emissoras: “Ou se pensa em alguma coisa que seja laica, no sentido de que vai se tratar das coisas da ordem da vida, ou então se pensa numa igualdade de distribuição”.

Essa coletiva foi a segunda de uma série que os alunos do Laboratório estão participando. Nas próximas, outros acadêmicos falarão de temas relacionados às suas pesquisas. As matérias produzidas são publicadas no site do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária– LECC-UFRJ.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

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