Palestra sobre homossexualidade reúne abordagem histórica e questões polêmicas atuais

Por Jonas Moura*

A homossexualidade como objeto científico nas ciências sociais e suas conexões com a mídia renderam ao mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, Luiz Henrique Coletto, uma vasta pesquisa acadêmica. Na primeira simulação de entrevista coletiva (02/09), do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO, ele traçou um panorama histórico da emergência do tema e discutiu questões atuais relativas à identidade de gêneros e à representação das minorias sexuais na mídia.

O palestrante abordou assuntos como o feminismo, o movimento LGBTTTs moderno e a descoberta da AIDS na década de oitenta. Para ele, a doença, tratada na época por veículos da grande imprensa como “peste gay” e “câncer gay”, apareceu de maneira ambígua e teve grande importância para uma mudança de mentalidade. “Se, por um lado, sua epidemia intensificou certa condenação aos homossexuais, já que a contaminação pelo vírus HIV é mais frequente através do sexo anal, por outro ela obrigou a entrada do tema da sexualidade na agenda da sociedade”, afirmou.

O convidado, que já trabalhou em radio jornalismo comunitário, também fez críticas à imprensa em relação às coberturas sobre a comunidade LGBTTTs. Lembrou que, na busca pela pluralidade de vozes, muitos jornalistas recorrem a fontes intolerantes, como pastores, para quem a homossexualidade é um pecado e defendeu uma postura mais crítica dos profissionais da mídia. “É preciso sempre se questionar numa pauta quem é o “outro lado” da questão, o que tem a acrescentar e qual a sua credibilidade”, argumentou.

Questionado sobre o material pedagógico anti-homofobia aprovado pelo MEC e vetado pela presidente Dilma esse ano, Coletto defendeu a iniciativa, por se tratar de uma política pública que pretende amenizar um problema evidente nas escolas do país. Ele disse que o conjunto de vídeos divulgados tinha o objetivo de alertar para a diversidade sexual e lembrou que todos foram aprovados por órgãos competentes. Segundo o pesquisador, a temática deveria ser apresentada às crianças desde cedo, o que não significaria influenciar na orientação sexual, mas promover aceitação das diferenças.  “As pessoas acham que sexualidade envolve só sexo e que, por isso, não se pode tocar no assunto durante a infância. Mas supor que uma criança é assexuada, que ela não pensa sobre essas questões é ignorar o seu desenvolvimento”, ressaltou.

A institucionalização do movimento LGBTTTs do ponto de vista governamental foi apontada por Coletto como um acontecimento negativo. Ele mencionou a dependência financeira para realização de campanhas publicitárias e marchas de mobilização e o pouco espaço para radicalização do discurso como alguns dos fatores prejudiciais à causa. O palestrante afirmou ainda que o Brasil não desenvolveu historicamente uma cultura de aporte financeiro a esses movimentos, como ocorre nos Estados Unidos e em países da Europa, onde a comunidade LBGTTTs exerce forte controle sobre o conteúdo veiculado na mídia.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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