Muito além da violência: O que está por trás do comportamento homofóbico

Por Glauco Lessa*

Tornam-se cada vez mais comuns os episódios de violência a homossexuais pelas ruas. O que muitas vezes é chamado de caso isolado, na verdade, pode ser entendido de diversas formas e prismas, como explica o mestrando em Comunicação e Cultura da UFRJ, Luiz Coletto. Para ele, é possível entender a sociedade e o modo de lidar com o assunto da sexualidade por meio de manchetes de jornais. Durante simulação de entrevista coletiva, o pesquisador abordou, dentre outros, os temas a importância da mídia, o conceito de heteronormatividade, e a forma que os gays são representados na TV.

Coletto fez uma comparação entre a causa LGBTTTs e a causa negra, de décadas atrás, principalmente quando se trata da mídia. Ele criticou o padrão midiático de sempre buscar o lado “a favor” e o lado “contra” dos fatos, alegando que isso nem sempre enriquece o debate, e pode confundir ainda mais. “Quando poderíamos ver um neo-nazista opinando sobre racismo na TV?”, questionou, “Qual o sentido então de dar espaço a pessoas completamente parciais e intolerantes quando tratam do assunto homossexual?”. Quando perguntado se o jornalismo deveria tomar um partido, Coletto respondeu que é compreensível que a mídia não queira se posicionar por se tratar de um assunto polêmico. Entretanto, “não significa que seja a melhor forma de abordar o assunto”, pontou.

O pesquisador falou ainda sobre os crimes contra heterossexuais confundidos com gays, que ocorreram recentemente em São Paulo. Segundo ele, esses casos exemplificam bem a confusão, pois qualquer comportamento fora do “padrão masculino” já é suficiente para que um pai e um filho abraçados sejam confundidos com um casal. Explicou também o conceito de heteronormatividade: “Impor a heterossexualidade como norma dos comportamentos sociais não é normal. Isso faz com que se confunda o que é realmente ser homossexual”. Segundo Coletto, há certa expectativa dos pais que seus filhos cresçam, casem e tenham filhos, por isso é normal que seja decepcionante quando o filho se descobre homossexual. Disse que o ideal seria o fim da heterossexualidade como o comum, o padrão, a regra. “Embora ainda distante da realidade, seria a melhor forma de nenhum dos dois lados da família sofrer”.

Coletto concorda que houve um avanço no sentido da representação gay desde Torre de Babel, quando duas personagens lésbicas tiveram de morrer por causa da baixa audiência, mas entende que a representação está longe de atingir a realidade de um casal homossexual. “O beijo gay se tornou um monstro. Sempre se cria aquela espiral de audiência, e no final não acontece nada. Novelas em vários outros países já vão muito além disso, mostrando cenas até quase os ‘finalmentes’”, completou.

Por fim, coube ao mestrando responder sobre a posição dos gays em relação às religiões e à ciência. Disse que o aumento da população agnóstica e/ou atéia realmente deve ter influenciado positivamente o reconhecimento do movimento LGBTTTs. Observou, ainda, que os estudos científicos vêm avançando muito no sentido de legitimar a causa, embora exista a questão evolucionista de qual seria o papel homossexual na evolução. “Não há uma única resposta, várias hipóteses existem. Mas o fato é que se a homossexualidade fosse na contra-mão da evolução, ela não existiria mais”, respondeu.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

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