Mestrando fala sobre homossexualidade em perspectiva histórica e sociológica

Por Paulo Hora de Andrade III*

Em simulação de entrevista coletiva com os alunos de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o mestrando em Comunicação e Cultura, além de integrante de um movimento do orgulho gay (LGBTTTs), Luis Henrique Coletto, falou sobre o tema da homossexualidade. Durante a apresentação, tratou das questões históricas responsáveis pela abordagem da sexualidade na sociedade. Depois, quando foi aberta a sessão de perguntas, tirou as dúvidas dos alunos sobre sua pesquisa e deu opiniões a respeito do assunto.

Coletto abriu a coletiva fazendo referência à Grécia Antiga, onde não existia o conceito de homossexualismo, pois se tratava de uma prática muito comum. Segundo o entrevistado, as relações homossexuais só passaram a ser vistas de maneira negativa na cultura ocidental, no período da Idade Média, quando a Igreja Católica passou a classificá-las como pecado. O motivo da discriminação seria a preocupação com a necessidade dos senhores de terra terem filhos que se tornariam herdeiros de suas propriedades. Assim, a aceitação da prática homoafetiva ganharia seu primeiro obstáculo, a religião.

Mas a religião, segundo Coletto, não foi o único fator responsável por gerar rejeição aos gays. Desde o século XIX, a homossexualidade passou a ser vista como crime e doença. Essa visão só passou a ser descartada após o aprofundamento de pesquisas das ciências sociais, como antropologia e sociologia, sobre o tema. Outros acontecimentos destacados na entrevista foram as revoluções sexuais da década de 1960 e o surgimento da AIDS, entre os homossexuais. O pesquisador observou que, no início, a doença passou a ser um retrocesso de liberalização sexual, mas, de certo modo, foi determinante para estimular a sociedade a debater sobre sexualidade.

Depois da abordagem histórica, responsável pelo surgimento da heteronormatividade (imposição de um comportamento adequado para cada gênero), Coletto disse que os meios de comunicação não devem dar voz a padres e pastores que mantenham o velho discurso de homossexualismo como pecado. Logo após essa afirmação, foi feita a primeira pergunta de um aluno. O questionamento era se essa atitude recomendada pelo entrevistado não seria uma infração aos princípios do jornalismo imparcial, comprometido a ouvir os dois lados. O convidado ponderou que nem sempre é possível identificar quem seria o outro lado, pois nem sempre uma opinião contrária tem argumentos relevantes sobre o tema e, portanto, a dicotomia de ser a favor ou contra nem sempre é válida.

Na sequência de suas respostas, Coletto opinou sobre a aprovação dos direitos civis dos gays, agora livres para se casar. A decisão do judiciário, segundo ele, não teve grande influência da opinião pública, o que seria mesmo o desejável, pois a democracia não consiste em impor o desejo da maioria, mas proteger os direitos das minorias. O mestrando ainda comparou os movimentos sociais brasileiros com os dos Estados Unidos e lembrou que foi o poder legislativo o responsável pela aprovação dos direitos dos homossexuais. Essa diferença se deve ao fato de que os movimentos sociais americanos são mais atuantes na política, contando com maior poder de lobby e melhor publicidade.

Ainda comparando com a sociedade americana, Coletto lamentou a falta de independência dos movimentos sociais brasileiros frente ao governo, já que a população brasileira não tem o hábito de investir nos grupos que defendam questões com as quais ela se identifica. Foram citadas também as reações contrárias aos ideais propostos pelo movimento LGBTTTs, como a proposta do “dia do orgulho hetero” e a rejeição do chamado “kit gay” nas escolas brasileiras. Para o entrevistado, é normal surgir um discurso conservador quando acontecem grandes transformações na sociedade.

Já perto do fim da entrevista, Coletto comentou sobre a possibilidade de se usar a teoria darwinista para caracterizar a homossexualidade como “antinatural”. Disse que existem estudos que “naturalizam” a questão, isto é, explicam-na de acordo com a teoria da evolução. Mesmo assim, o entrevistado admitiu não saber se o homossexualismo é realmente um mecanismo que a natureza criou para o controle populacional, visto que se descobriram muitos casos dessa prática no reino animal.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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