Mestrando em comunicação e cultura fala do tema da homossexualidade com alunos da UFRJ

Por Tamara Stern*

O mestrando em Comunicação e Cultura, Luis Henrique Coletto, deu entrevista coletiva sobre o tema da homossexualidade para alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como primeiro convidado do semestre. Ele discorreu sobre a história da homossexualidade ao longo dos séculos e contou como este tema era encarado socialmente, politicamente e cientificamente em cada época específica. Ressaltou que o tema da sexualidade é uma questão emergencial e importante na modernidade, se comparado ao que prega a moral judaico-cristã.

Coletto parte da ideia de que a sexualidade constrói identidades, e de que a sociedade politiza a questão de uma identidade sexual diferente da heterossexualidade. Para ele, a homossexualidade foi condenada na maior parte da historia, pela marginalização da Igreja na Idade Media, redução à patologia pelas ciências sociais humanas dos séculos passados, até a contemporaneidade, mas pelo menos na maioria dos estados ocidentais, vem ocorrendo um esforço de descriminalização.

O mestrando também explicou como a visão acadêmica sobre a homossexualidade contribuiu para a descriminalização do tema, a partir de estudos de condutas sexuais diferentes das consideradas “normais” pelo ocidente. Desde então, surgem movimentos como o LGBTTTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros e simpatizantes) e há uma liberalização da imprensa que levou à criação de revistas como a G-Magazine.

Contou que no final dos anos 70 e nos anos 80, o surgimento da AIDS, epidemicamente nos homossexuais, favoreceu os conservadores, que logo criaram nomenclaturas como a “peste gay” ou o “câncer gay”. “Se por um lado houve um fortalecimento na condenação da homossexualidade, por outro, fortaleceram-se também os estudos sobre a sexualidade e os movimentos relacionados a ela; a sociedade foi “obrigada” a falar sobre o tema”, esclareceu.

Coletto explicou ainda que embora a sociedade esteja vivendo um descentramento da ideia de humanidade como homem heterossexual burguês, com diversas individualidades, ainda há uma “heteronormatividade” que prega a construção exata e obrigatória de sexualidade, considerando apenas as pessoas heteros, que devem crescer e se casar com o sexo oposto. Esse conceito começa na educação das crianças, e o que o pesquisador frisa é que as experiências de gênero são culturais e podem não ter concordância com o sexo biológico do indivíduo; são experiências que criam identidades e mostram como as pessoas querem ser reconhecidas socialmente.

Para concluir a coletiva, o mestrando esclareceu que acabar com a heteronormatividade não implica o fim da heterossexualidade. Ele falou da necessidade de uma autonomia dos movimentos sexuais no Brasil, pois, “diferentemente de países como os Estados Unidos, onde há um engajamento da esfera publica em questões políticas, que desencadeiam em apoio financeiro por parte do governo, aqui a população carece desse apoio”, disse

**Aluna do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ.

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