Pesquisador de comunicação reflete sobre mídia e homossexualidade

Por Déborah de Araujo*

O mestrando em Comunicação, Luiz Henrique Coletto, simulou uma entrevista coletiva sobre sexualidade, com foco na homossexualidade e mídia, para alunos do Ciclo Básico da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ). O evento aconteceu dia 2 de setembro e faz parte da proposta de ensino do Laboratório de Comunicação Crítica, de trazer os temas objetos de pesquisa de mestrandos e doutorandos.

Para explicar como a homossexualidade se tornou um assunto de interesse social, o mestrando explicou a evolução desse tema na história. De pecado na Idade Média, para crime e patologia até meados do século XX, a homossexualidade nos anos 1980 foi fortemente associada à problemática da AIDS. Entretanto, essa grande visualidade fez com que a sociedade e os pesquisadores tivessem mais interesse em debater a questão.

O pesquisador afirmou que hoje em dia entende-se a homossexualidade como orientação sexual, o que em outras palavras, indica qual o gênero pelo qual uma pessoa se sente naturalmente atraída física e emocionalmente. Falou da importância dos veículos de comunicação quanto aos recursos linguísticos para se referir com respeito aos LGBTTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e simpatizantes).

Atualmente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura na ECO, Coletto é bacharel em Comunicação Social-Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Desde a graduação, vem pesquisando sobre a evolução lingüística na mídia em relação à abordagem acerca da homossexualidade, que segundo ele, ainda é devagar no Brasil.

 Militância no âmbito internacional

 “O processo de descentramento da humanidade como homem vem desmistificando a ideia de que a experiência de gênero como algo cultural é igual ao gênero biológico”, esclareceu Coletto. Afirmou que atualmente, pelo menos na cultura ocidental, se entende que a homossexualidade não se trata necessariamente da pessoa não se sentir do mesmo sexo com que nasceu, mas sentir desejo por pessoas desse.

 O tema ainda é complexo e, segundo o pesquisador, a militância em defesa dos homossexuais em países que ainda tratam a homossexualidade como crime e patologia começa a ser praticada. “Já existem muitas ONGs que lutam contra a homofobia no Irã, Iraque, Uganda, Jamaica. (…) Há países que querem separar os Direitos Humanos (DH) das relações econômicas no meio internacional. Mas nas relações políticas, os DH devem prevalecer, e isso influencia as relações econômicas”, afirmou.

Segundo Coletto, no exemplo do Irã, os homossexuais que não atendem a “heterossexualidade compulsória”, são obrigados a passar por cirurgias de troca de sexo e programas de acompanhamento como psicoterapia para serem aceitos pelo governo. “Lá entendem que o homossexual é aquele que quer se tornar mulher, mas existe diferença entre o desejo e a identidade de gênero”, concluiu.

*Aluna do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO.

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