Alunos entrevistam pesquisador da sexualidade em simulação de coletiva

Por Bernardo Peregrino*

O mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Henrique Coletto, deu entrevista para os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, na primeira simulação de coletiva do semestre. O tema foi a sexualidade, com destaque para a homossexualidade como objeto midiático e objeto de estudo na academia, em diversas ciências.

Durante as perguntas dos estudantes, o mestrando tocou no tema que lhe serviu de mote para um artigo: a heteronormatividade. Segundo ele, esse conceito – que traduz a idéia de que a heterossexualidade é uma norma social — “é danoso não só aos gays, como também aos próprios heteros”. Coletto ressaltou o caráter misógino que essa conduta traz, dando como exemplo a ojeriza que um menino tem de ser chamado de “mulherzinha”. E sugeriu problematizar a questão, de modo que os heterossexuais se questionem sobre a necessidade de reafirmar socialmente uma “hipermasculinidade”.

Entre diversos enfoques levantados, o pesquisador discutiu a situação do movimento LGBTTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e simpatizantes). Disse que há uma excessiva dependência do governo, por conta dos editais, considerando que este é o principal provedor de recursos. “Os militantes entraram na máquina do Estado”, afirmou. Para ele, essa postura tira a possibilidade de radicalização do discurso. Acrescentou que a falta de autonomia é o resultado da ausência de uma cultura de aporte financeiro aos movimentos sociais por parte daqueles que se sentem representados.

As telenovelas foram outro foco de Coletto, que criticou a forma como os gays são representados. A principal queixa recai sobre a ausência de afetividade (não) demonstrada pelos casais gays da ficção. “Foi criada uma espiral tão grande em torno do beijo gay que, quando ele acontecer, vai parecer um terremoto”, criticou. Coletto citou, na mesma resposta, o seu espanto ao assistir uma cena de telenovela transmitida na tevê aberta argentina, em que “mostraram quase os ‘finalmentes’”.

Mais um assunto levantado pelos alunos foi o material audiovisual que o governo federal encomendou para ser veiculado em escolas, denominado, pejorativamente, de kit-gay. “Essa expressão foi criada por quem é contra”, ressaltou o entrevistado, ao explicar o contexto no qual a necessidade de uma política pública, o Programa Escola sem Homofobia, foi sentida. “Detectou-se altos índices de bullying por homofobia nas escolas”, além do uso político que a bancada evangélica fez do tema, usando como barganha a crise causada pelo crescimento patrimonial do então ministro da Casa-Civil, Antonio Palocci.

 Essa foi a primeira entrevista coletiva feita pelos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica. Nas próximas, temas como telenovelas e religiosidade, entre outros, serão tratados por pesquisadores que já desenvolveram algum tipo de trabalho ou ainda estão pesquisando.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO.

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