Teatro como instrumento de educação na favela: pesquisador mostra o papel das artes cênicas nas comunidades

Por Breno Salvador*

O professor de teatro comunitário e pesquisador em comunicação, Ricardo Moraes, apresentou, em debate com estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o papel do teatro na educação dos jovens nas favelas do Rio. O evento, ocorrido na sexta-feira (17/06), trouxe à tona temas como o combate aos crimes sexuais e ao poder do narcotráfico.

Moraes, que há mais de dez anos trabalha com artes cênicas, defendeu a importância do teatro nas comunidades como mediação sociocultural fora da grande mídia. “Assim como Augusto Boal [com o Teatro do Oprimido], o trabalho que fazemos necessita de consciência e comprometimento, com o objetivo de alcançarmos transformações”, observou. O pesquisador discutiu também a relação com líderes comunitários e ONGs em favor dos direitos humanos e o fortalecimento da identidade das favelas.

Um grande desafio para os realizadores do teatro comunitário, como apontado por Moraes, é utilizar uma temática bastante precisa e realista. Segundo ele, “apontar as mazelas das comunidades, de uma maneira crítica, é fundamental para que o morador compreenda sua situação”. O pesquisador afirmou ter encontrado dificuldades de aceitação pelos próprios moradores, muito em função da mídia hegemônica. “A mídia comercial não favorece a identificação da população da favela por não haver interesse das empresas na mudança da ordem social”.

Para debater mais questões internas do trabalho cênico comunitário, Verônica Maia, que também participou do projeto, falou sobre casos notáveis que a ONG dos Profissionais para Proteção da Infância e do Adolescente (APPIA) presenciou. Por meio de peças voltadas à conscientização da sexualidade, diversos casos de crianças abusadas sexualmente foram descobertos. “Foi chocante presenciar situações tão graves não relatadas”, afirmou.

A voz ativa das minorias é uma das ideias mais defendidas no teatro comunitário, segundo Moraes e Maia. Ambos afirmam que o posicionamento crítico diante das questões da favela é fundamental. Outro ponto importante, para os dois, é a distração que o teatro traz para a população das comunidades. Além disso, junto a outras atividades de lazer e ensino, ele afasta os jovens do tráfico de drogas.

Concluindo sobre o tema, Moraes, mestrando da UFRJ, ressaltou a importância da comunicação comunitária. Para ele, com uma comunicação verdadeiramente democrática, todos podem desfrutar de cultura e conhecimento igualitários. “Os avanços na favela não podem se resumir em UPPs”, acredita.

*Aluno do ciclo básico da ECO/UFRJ

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