Presença de teatro em comunidades transforma a vida de muitos moradores

Por Fernanda Oliveira*

A última simulação de coletiva, promovida pelo Laboratório de Comunicação Crítica, trouxe o mestrando em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Ricardo Moraes. Ele falou sobre teatro em comunidades como mediação sociocultural e comunicação comunitária, tema da sua atual pesquisa.  No encontro do dia 17 de junho, o mestrando apresentou os objetivos, a importância e a maneira como se desenvolve o trabalho que realiza. Lembrou, ainda, das três vertentes metodológicas relevantes nesse processo. O primeiro é o teatro para comunidades, o segundo, teatro com comunidades e por fim, o teatro pelas comunidades.

Moraes ressaltou que o teatro para comunidades é formado por um grupo externo que se apresenta nesses lugares. O tema dos espetáculos, segundo ele, varia de acordo com a postura dos habitantes do local. Disse, ainda, que essas peças não se mantêm por mais que haja patrocínio. Sobre o teatro com comunidades, o pesquisador lembrou a importância do trabalho desenvolvido por oficinas de capacitação. Já no teatro pelas comunidades revelou que se trata de um projeto onde os próprios moradores são responsáveis pela produção, desde a montagem até a o espetáculo.

O mestrando disse que os objetivos desse trabalho são realizar um estudo sociocultural da linguagem cênica popular/comunitária e, acima de tudo, poder contribuir com as comunidades de acordo com suas necessidades. Autodeterminação e outra percepção do ambiente comunitário à margem da hegemonia são os resultados almejados com esse projeto. Além disso, o trabalho também pretende a construção de alteridade própria e a expansão do alcance de expressão da voz das minorias. Moraes observou que não se trata de um entretenimento em si. Segundo ele, através da representação cênica, a comunicação é feita.

O fortalecimento da identidade, o abuso sexual, a violência infantil e os conflitos comunitários internos e externos são os principais temas abordados em comunidades. Moraes ainda destacou como aspectos relevantes a visão ontológica própria, a consciência crítica e o comprometimento político, no sentido de manifestação. Esses assuntos, segundo ele, têm a intenção de despertar nos moradores a vontade de enfrentamento e mudança de suas realidades. O trabalho desenvolvido com crianças foi ressaltado pela sua importância de conscientização. Moraes disse que através dos espetáculos algumas delas se encorajam para contar histórias de violência ou abusos, que antes eram escondidas por medo.

A relevância dos patrocínios também foi destacada. O mestrando lembrou a importância de incentivos financeiros que apoiem o projeto e relatou que muitas empresas acabam não se interessando em contribuir por se tratar de um trabalho mais psicológico do que palpável. Moraes falou do grande valor de permanência da iniciativa, que, segundo ele, contribui de maneira significativa com as comunidades. Para o mestrando, essa é uma das muitas maneiras de transformação social.

*Aluna do ciclo básico da ECO/UFRJ

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