Entrevista na ECO abordou o teatro em comunidade

Por Elisa Ferreira*

O mestrando em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Ricardo Moraes, deu entrevista coletiva aos estudantes do “Laboratório de Comunicação Crítica: Técnica de Linguagem Jornalística Aplicada”, coordenado por Zilda Martins. O encontro ocorreu na última sexta-feira (17/06), quando o convidado discutiu “A Direção sociocultural do Teatro em Comunidades”, tema de artigo apresentado na Universidade Federal do Ceará.

O trabalho, orientado pela professora Raquel Paiva, é considerado uma novidade na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ). Para iniciar a conversa, Moraes definiu teatro em comunidades como interativo, com técnicas e linguagens diferenciadas. Além disso, é um teatro comunitário, que não dispõe de muitos recursos, mas é considerado um fator transformador.

O pesquisador apresentou as três vertentes desse tipo de artes cênicas. O teatro para a comunidade é externo a esta e aborda um tema de interesse do público local. O teatro com comunidade, que trabalha em oficinas, a fim de capacitar os moradores, com assuntos presentes no cotidiano daquele ambiente. E o teatro pela comunidade feito por líderes comunitários, após participarem das atividades das oficinas, com meios de produção para atuarem sozinhos, mas ainda sem patrocínios, com apoio dos centros culturais locais.

Moraes abordou ainda, ao longo da entrevista, os principais temas explorados nesse tipo de teatro. “Ele é bastante lúdico, mas abre para a comunicação de algo sério,” afirmou o mestrando. Abuso sexual, violência infantil, consciência crítica, conflitos da comunidade, comprometimento político e fortalecimento da identidade social e pessoal foram os temas mais citados ao longo da conversa.

Durante a pesquisa analítica, Moraes realizou duas experiências empíricas. A primeira delas com a ONG APPIA (Associação de Profissionais para Proteção da Infância e Adolescência), na qual acompanhou atividades, obteve fotos e materiais. Já a segunda foi com o Centro Cultural Roda Viva, na Chácara do Céu, que durou pouco tempo, visto que o Centro foi desativado. Através desses acompanhamentos, o pesquisador pôde notar que os principais resultados são a autodenominação da comunidade e a expansão do alcance de expressão e voz – ativa– das minorias.

Como referência, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foi bastante destacado, por apresentar diversas idéias e pelo envolvimento com o teatro do oprimido, de Augusto Boal. Além disso, foram citados o “Nós do Morro”, “Teatro Popular União e Olho Vivo” (TUOV), “Centro de Teatro do Oprimido” (CTO) e comunidades não midiáticas, como a Maré. “O teatro deixa de ser apenas um entretenimento e mostra a sua face comunicadora,” finalizou.

*Aluna do ciclo básico da ECO/UFRJ

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