Palestra promove conscientização de dentro para fora: Simulação de coletiva aborda a questão das cotas de maneira diferenciada

Por Daniela Cohen*

Os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica participaram de uma simulação de entrevista coletiva com a professora Zilda Martins, doutoranda e pesquisadora do LECC-UFRJ. O tema apresentado foi a sua pesquisa de mestrado, Ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas, e o objetivo era informar os alunos sobre o assunto e, ao mesmo tempo, proporcionar um ambiente parecido com o que provavelmente terão em experiências futuras.

Durante a primeira metade da simulação, Martins especificou seu objeto de estudo, a relação entre a mídia hegemônica no Brasil e as ações afirmativas. Sua pesquisa consistiu em analisar o caderno ‘Opinião’ de três grandes jornais, O Globo e O Dia e a Folha de São Paulo, em busca de palavras chave que representassem a problematização das cotas, um dos tipos de  ações afirmativas, obtendo assim um panorama de abordagem pelos veículos de comunicação. Este acompanhamento foi no ano de 2008, escolhido por concentrar algumas datas extremamente relevantes: o presidente Barack Obama foi eleito nos Estados Unidos, a UERJ completava cinco anos da implementação das cotas raciais e a Declaração de Direitos Humanos e a Constituição Cidadã completavam, respectivamente, 60 e 20 anos.

Mesmo com tantas oportunidades de se falar sobre a questão das ações afirmativas, a doutoranda não encontrou na mídia conteúdo relevante sobre o assunto, e o maior índice de abordagem encontrado foi de 2,22% do total dos editoriais publicados no jornal O Globo. Além disso, neste veículo, principalmente nos artigos, o tema muitas vezes foi abordado de maneira irônica ou depreciativa. “A mídia usa mal o potencial de promover um debate democrático,” concluiu Martins. A Mestre ainda reforça que não basta só implementar o sistema de cotas nas universidades, pois isso não resolveria o problema histórico do país. “O Governo tem que assumir politicamente o negro,” afirma a pesquisadora. Para Martins, medidas concretas de inclusão na área da educação podem reverter o quadro encontrado na pesquisa.

*Aluna do ciclo básico da ECO/UFRJ

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