Doutoranda fala sobre ações afirmativas em coletiva com alunos de Comunicação

Por Juliana

A doutoranda e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Zilda Martins, falou sobre “Ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas”, tema de sua dissertação. Em simulação de coletiva a alunos da Escola de Comunicação, a pesquisadora levantou discussão sobre a proposta de políticas públicas para as universidades e a reformulação do ensino público no Brasil.

A análise envolveu dados estatísticos referentes à freqüência de matérias publicadas sobre as políticas afirmativas nos jornais O Globo, O Dia e Folha de São Paulo. A pesquisadora apontou a presença de abordagens polêmicas a respeito da questão das cotas raciais e estabeleceu um debate crítico acerca de como esses atores sociais constroem o discurso e como a mídia potencializa a manifestação de reações às cotas.

Martins ressalta o contexto histórico, social e político do Brasil, chamando atenção para a história do negro na sociedade brasileira. Ela assinala o discurso dual da mídia impressa que, por um lado, considera a trajetória nacional de preconceito da população negra e, de outro, apaga essa memória. Questiona de que maneira as cotas podem contribuir para democratizar o país e como a mídia aborda a inclusão do negro na universidade pública.

A pesquisadora realizou estudo sobre a construção do discurso midiático a respeito do sistema de cotas, considerando editoriais, colunas, artigos e cartas de leitores. Observou um discurso reduzido a contrários e favoráveis e, ainda, permeado de negatividade ou culpa. Diz que a maior parte converge para o mesmo conteúdo, o “não às cotas raciais”, embora haja uma certa tolerância às cotas sociais.

A pesquisadora assinala que, na maioria das vezes, os veículos tentam desviar o debate para a melhoria do ensino público de base, assunto também discutido com os estudantes presentes. E completa: “A mídia impressa ao se referir a esse tema, potencializa o silenciamento do outro, do diferente do ‘eu’ e cria uma temporalidade histórica do negro, do não sujeito, ou do protagonista de uma ação moral inadequada socialmente”.

Em conclusão, Martins ressalta o trabalho da mídia com o “desejo de verdade”, imposto pela negação e pelo esquecimento, por meio de técnicas jornalísticas de objetividade. Atenta ao estabelecimento de um estereótipo e à construção do discurso verossímil, sem amparo em evidências. Por fim, nota que a mídia impressa utiliza de modo ineficaz o potencial de promover um debate consistente e democrático, demonizando as cotas e invertendo seu caráter libertador.

Anúncios
Etiquetado ,

Um pensamento sobre “Doutoranda fala sobre ações afirmativas em coletiva com alunos de Comunicação

  1. Essie disse:

    I was seorlusiy at DefCon 5 until I saw this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: