Pesquisadora da UFRJ critica o tratamento midiático em relação às cotas

Por Breno Salvador

A pesquisadora em Comunicação Social, Zilda Martins, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em palestra com alunos da Escola de Comunicação, apresentou sua dissertação de mestrado, cujo tema central se baseia na abordagem da mídia em relação às ações afirmativas nas universidades. O evento, ocorrido na última sexta-feira, (13/05), na Central de Produção Multimídia, trouxe também debate sobre a importância de reformulação no ensino público no Brasil, medida paralela à implantação das cotas.

Por meio de análise contextualizada com as cotas raciais e sociais no Brasil e o tratamento midiático, Martins apresentou estatísticas sobre as políticas afirmativas na mídia impressa. Foram examinados os cadernos de opinião dos jornais O Globo, O Dia e A Folha de São Paulo. Constatou abordagem polêmicas quanto às cotas raciais e a linha editorial dos jornais foi debatida e criticada.

Foram questionadas as sucessivas atitudes repressivas que a população negra de baixa renda sofreu ao longo da formação dos estados da América. A pesquisadora conclui que somente a partir da segunda metade do século XX houve uma mudança neste panorama, através da consagração de movimentos sociais e políticos a favor da igualdade e da liberdade. Sobre a participação da imprensa, afirma que “a mídia gera tensão no debate racial”, por aparentemente defender a igualdade, mas desqualificar o debate favorável às políticas afirmativas raciais.

Martins ressaltou a importância da discussão sobre a validade das cotas. Citando situações por ela debatidas anteriormente, concluiu que o passo fundamental para a democratização do ensino público é uma verba maior que a atual destinada pelo governo à educação, bem como a adoção de políticas públicas de acesso às universidades.

“Cerca de 50% da população brasileira é negra. Por que os jovens negros não estão crescendo com os alunos daqui, em igual proporção? Porque a universidade atende a um sistema de ensino conservador”, criticou, fazendo menção também à atitude da grande mídia contrária à aplicação das cotas raciais e duvidosa quanto às sociais.

Orientação renomada

O projeto de mestrado de Zilda Martins foi orientado pelo professor da Escola de Comunicação da UFRJ, Muniz Sodré, jornalista e sociólogo que há mais de três décadas pesquisa e leciona, temas relacionados ao estudo da comunicação, sendo referência internacional na área. Ele é frequentemente citado na obra da pesquisadora, que elogia a simplicidade e a sabedoria do autor. Sodré é, aliás, orientador de Martins em seu projeto de doutorado, iniciado neste ano, sobre a mídia na modernidade que traça um paralelo entre o tratamento da grande mídia quanto às políticas raciais e a imprensa do século XIX na conjuntura do abolicionismo no Brasil.

Sobre Zilda Martins

Doutoranda e Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ, Zilda Martins é pesquisadora do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária – LECC/UFRJ e jornalista. Possui especialização em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes e experiência em projeto social (professora) e em jornalismo (repórter e redatora de rádio, jornal impresso e web).

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