Pesquisadora da ECO diz que grande mídia brasileira tem pensamento racial conservador

Por Renata Lima

A pesquisadora da (ECO), Escola de Comunicação da UFRJ, Zilda Martins, debateu nesta sexta-feira (13/5) a opinião da grande mídia impressa brasileira sobre a questão racial. Em entrevista coletiva, ela falou sobre “Ações afirmativas e cotas na mídia: construção de fronteiras simbólicas”, sua dissertação de mestrado, que traz análise de textos jornalísticos de três grandes jornais publicados no ano de 2008.

Nascida no Ceará e descendente de europeus, Martins sempre foi intrigada com o tratamento dado ao negro na cultura de sua cidade e na população brasileira. Suas experiências familiares de racismo serviram de base histórica-pessoal para se interessar pelo assunto. Por meio da pesquisa, “cheguei à conclusão de que, em geral, o pensamento midiático é idealizador, imediatista e conservador em relação às cotas raciais, apelando para discursos meritocráticos e esquecendo-se da questão histórica do negro no país”, diz.

A pesquisadora comparou mais de dez mil textos jornalísticos de cadernos de opinião dos jornais A Folha de São Paulo, O Globo e O Dia. Segundo ela, há sim preconceito e exclusão racial no Brasil. “Dados estatísticos do IPEA registram que cerca de 50 por cento da população brasileira se considera negra. Mas cadê os negros intelectuais do país?”, indaga. Martins compreende que as cotas são úteis para minimizar a exclusão do negro nas universidades. No entanto, o que se constata nas opiniões jornalísticas é que esses veículos são contrários às ações afirmativas.

Alguns discursos midiáticos são repletos de agressividade e ironia, como podem ser observados em artigos publicados no jornal O Globo, com expressões do tipo “arautos da doutrina racialista”, “cota da discórdia” e “tribuna racial”.  Outro ponto levantado é que o ano de 2008, escolhido para análise, poderia ter tido mais análise relacionada às cotas e a outros temas como eleições, datas comemorativas e de formação da primeira turma com cotistas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

“Estudos comprovam que se esperarmos pela melhoria da educação no Brasil, a igualdade racial só seria atingida após trinta anos”, diz Martins. “É claro que as cotas não devem ser implementadas como solução permanente para um problema, senão se tornariam um ciclo vicioso. Elas são paralelas à luta pelo investimento na educação pública”, conclui.

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