Os discursos recebem sua cota de esclarecimento

Por Arthur Rivelo

A doutoranda Zilda Martins realizou no dia 13 de maio encontro com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, no campus da Praia Vermelha. A conversa abordou principalmente sua pesquisa sobre os atores sociais por trás dos discursos midiáticos na área das ações afirmativas. Embasando os argumentos na teoria e na experiência empírica, inclusive sua própria história de vida, a pesquisadora foi capaz de construir um clima imparcial e despertou questionamentos contundentes entre os alunos.

Para realizar a pesquisa, todas as edições dos cadernos de opiniões dos jornais O Dia, O Globo e Folha de São Paulo, de janeiro a dezembro de 2008, foram analisadas. Considerando editoriais, colunas, artigos e cartas de leitores, a doutoranda constatou que o tema das cotas foi abordado em média entre 1% a 2%, em relação aos demais assuntos. Embora os posicionamentos sejam por vezes favoráveis, como no caso de artigos da Folha, ainda é visível que o tema não recebe a atenção devida por parte da mídia.

Por meio dessa metodologia, Martins foi capaz de trabalhar sua hipótese da “retórica do dissenso”, na qual defende que os grandes veículos de comunicação influenciam a opinião pública por meio de seu próprio silêncio, embora também sejam influenciadas. A importância atribuída a um tema reflete o interesse dos veículos na conscientização do público sobre ele. O país é dividido racialmente, mas a mídia não expõe isso. Em nosso passado, afirma, chegou a existir um número expressivo de negros abolicionistas que configuravam um grupo intelectual atuante. Mesmo durante o período da escravidão, essa população negra tinha acesso ao comando de jornais, salas de aula e outras posições de influência.

Um questionamento pontual é então proferido: “Onde estão os negros intelectuais do século 21?”. Os alunos buscaram respostas, mas o consenso do debate foi a escassez de referências no meio acadêmico de cidadãos negros. A curiosidade despertada por tal deficiência na sociedade acompanhou o desfecho da conversa, deixando a esperança de ver nos futuros profissionais e cidadãos a continuidade da luta pela igualdade de direitos.

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