O discurso das Ações Afirmativas na Mídia é tema de pesquisa

Por Thayná Rodrigues

A doutoranda em Comunicação Social, Zilda Martins, concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da UFRJ, na sexta-feira (13/05). Ela falou sobre a dissertação “ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas”. A pesquisa considerou o discurso dos jornais impressos O Globo, O Dia e Folha de São Paulo. Além da investigação empírica, Martins trabalhou conceitos teóricos de autores como Muniz Sodré, Todorov e Jodelet. O principal resultado destas análises foi a observação de como os atores sociais (jornalistas e não jornalistas) constroem o discurso das cotas, como produção e recepção de verdade.

Segundo a pesquisadora, as ações afirmativas foram motivadas pela luta do Movimento Negro, que na transição do século XX para o XXI, trouxe à tona um amplo discurso, denunciando o mito da democracia racial. O acontecimento mais marcante foi a Conferência Mundial de Combate ao Racismo, realizada pela ONU em 2001, ano em que o Brasil assumiu a existência do racismo e organizou políticas públicas a fim de combatê-lo. No ano seguinte, a Uerj Universidade do Estado do Rio de Janeiro, adotou as cotas, gerando grande repercussão.

O diferencial da pesquisa de Martins em relação a outros trabalhos de temática semelhante é que vai além do dualismo de “contra” ou “a favor” das cotas. O principal aspecto observado é a tensão que o tema promove e o discurso predominante nos veículos analisados. Segundo a jornalista, “a mídia polarizou muito mais o ‘contra’ e o ‘a favor’ do que aquilo que a cota representa”. Para a pesquisadora, existe uma enorme ausência de debate nos artigos e colunas publicados. “O que há é um discurso de verdade, com argumentos universalistas, a manutenção do racismo e a construção de relações de poder, disse.

Ao finalizar a entrevista, Martins concluiu que a postura da mídia aparece como um silêncio simbólico, traduz resistência à mudança, potencializa o discurso do “outro” e demoniza as cotas, excluindo seu caráter libertador. Para a jornalista, a mídia constrói um discurso de negação, pelo esquecimento, e mantém o estereótipo ao dizer “não” à educação por meio de um “não” à mobilidade social. “A discriminação racial é diferente de classe, embora o negro seja discriminado duplamente, porque é negro e porque é pobre. Enquanto o governo não assumir politicamente o negro, a desigualdade vai continuar a existir”, afirmou a pesquisadora.

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