Mídia impressa diz não à mobilidade social

Por Janine Justen

A doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação (PPGCOM) da UFRJ, Zilda Martins, apresentou, na sexta (13/05), sua dissertação de mestrado “Ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas”. Em simulação de coletiva de imprensa, realizada no Laboratório de Comunicação Crítica, a pesquisadora traçou um perfil do comportamento da mídia impressa e da construções de discursos.

Mesmo em um ano emblemático – eleições municipais, candidatura de Barack Obama, 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 20 anos da Constituição Cidadã e cinco anos da implantação de cotas na UERJ – os veículos adotaram postura ambígua, superficial, descontextualizada e, muitas vezes, incoerente. “Eles reconhecem injustiça social, mas negam dificuldades pela cor, defendendo políticas universais”, criticou a estudiosa.

Pautada nesta questão, Martins resgatou observações que vão desde o convívio familiar até seu ambiente de trabalho. Assim, investigou o discurso da mídia impressa, mais precisamente, dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e O Dia a respeito das políticas de ações afirmativas no ensino superior. “Como afirma Sodré, na contemporaneidade há pouco questionamento de causas sociais, valores éticos e tensões plurais. O que percebi é que, diante do tema cotas, predominou na mídia impressa uma ausência de debate”, ressaltou.

O foco da pesquisa se deu na construção do discurso midiático a partir de atores sociais, sejam eles jornalistas ou não, responsáveis pelas matérias dos cadernos de opinião dos veículos citados. Com recorte temporal de janeiro a dezembro de 2008, a pesquisadora optou pelo estudo de caso como metodologia, contando com o auxílio de um bolsista para o mapeamento de dados.

O resultado final das análises permitiu afirmar que o discurso midiático funciona como silêncio simbólico, praticando o que Muniz Sodré – orientador da dissertação, jornalista e sociólogo – chama de “cegueira cognitiva”. “A mídia mantém o estereótipo do negro ao dizer não à educação por meio de um não à mobilidade social, estabelecendo relações de poder”, concluiu.

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