Entrevista coletiva marca os 123 anos da Abolição da Escravatura

Por Elisa Ferreira

No dia em que o Brasil completou 123 anos da Abolição da Escravatura, o Laboratório de Comunicação Crítica, da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), convidou os alunos para uma entrevista coletiva com a doutoranda e Mestre em Comunicação, Zilda Martins. No evento, realizado na Central de Produção Multimídia (CPM), a palestrante apresentou a dissertação “Ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas”, mostrando as etapas do processo.

Antes da entrevista, Martins situou seu lugar de fala, colocando que o interesse pelo tema surgiu a partir de experiência pessoal. Explicou que as cotas são somente uma das modalidades das ações afirmativas e que os discursos midiáticos, geralmente, são divididos entre contrários e favoráveis, não havendo indecisões. O objetivo desse trabalho é apontar como a mídia impressa constrói esse discurso e por que o tema gera tensão.

Durante o processo de pesquisa, foram feitos mapeamento e levantamento de dados nos cadernos de opinião, editorias, colunas e cartas de leitores dos jornais O Globo, Folha da São Paulo e O Dia. As edições são de 2008, quando o Brasil estava em eleições municipais e os Estados Unidos em eleições presidenciais, que elegeram o primeiro presidente afro-descendente. Além disso, o Rio de Janeiro celebrava outra data comemorativa crucial para o tema abordado, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) atingia o marco de cinco anos de cotas.

A análise possibilitou fazer uma comparação entre resultados de todo o conteúdo dos cadernos de opinião. A partir daí, Martins pode constatar que, apesar de ser um ano com contexto histórico importante para o tema das cotas, a abordagem da mídia nos veículos impressos foi demasiadamente pequena. Além da análise quantitativa, foi apresentada a análise qualitativa,

A doutoranda e Mestre em comunicação da UFRJ defende as cotas raciais por um tempo necessário até que uma classe média negra, com melhores condições, seja formada. Entretanto, acredita que o papel da mídia é bastante influenciador por demonizar as cotas, invertendo o seu caráter libertador, ao colocar que elas humilhariam o sujeito. Afirma que “as cotas são como a inclusão social que os negros não tiveram historicamente, desde a abolição da escravatura. O negro não pode ser estereotipado”.

Ao final da entrevista, os estudantes do laboratório fizeram perguntas. Durante o debate, a pesquisadora apresentou uma questão recorrente, que será levada para o doutorado. “Onde estão os negros intelectuais do século XXI?”.

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