Alunos de Comunicação Social participam de coletiva sobre funk

Por Juliana Palmeira Martins

Alunos da Escola de Comunicação da UFRJ receberam, na última sexta-feira (15/05) na Praia Vermelha, o doutorando Pablo Laignier para entrevista coletiva. O professor e pesquisador apresentou seu projeto de pesquisa “As muitas faces do funk carioca: música e letra no Rio de Janeiro contemporâneo”, ressaltando o caráter polêmico e impactante do gênero musical e as relações do mesmo com a realidade dos moradores das favelas.

Doutorando e Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Laignier respondeu à perguntas dos alunos sobre o funk carioca como elemento cultural do Rio de Janeiro contemporâneo. Os alunos demonstraram interesse em discutir principalmente sobre o funk como forma de manifestação e representação da realidade dos moradores das favelas cariocas e acerca da maneira como esse estilo se posiciona no mercado musical.

O pesquisador aponta o conteúdo das letras de funk como grandes manifestações sobre os problemas do Rio e dificuldades pelas quais passam a classe social menos favorecida, na maioria, moradores de favelas e subúrbios. Esse tipo de conteúdo, juntamente com o apelo pornográfico e de apologia ao uso de drogas e armas que carregam as músicas do gênero, provoca  impacto significativo na sociedade, chama a atenção dos cidadãos, principalmente dos jovens. “Como um grande apreciador das artes, nunca vi nada como a leitura que o funk faz sobre a realidade do Rio de Janeiro, nada que tenha o impacto que tem. O funk causa incômodo nas pessoas”, afirmou.

Outro assunto bastante discutido foi a questão do posicionamento do funk no mercado musical. Laignier resgata o passado ressaltando que nos anos 90 esse tipo de música não tinha pretensão, enquanto hoje nos deparamos com muitas pessoas querendo seguir carreira nesse meio. Ele salienta, no entanto, que as questões formais relacionadas ao mercado ainda são frequentemente deixadas de lado, como, por exemplo, a dos direitos autorais. A maioria dos empresários não está preocupada com os direitos autorais das músicas, embora atualmente haja um movimento crescente com relação a isso. “A maior parte dos profissionais do funk não está nem aí para direitos autorais, o que eles querem é ser celebridade no baile e ganhar dinheiro com isso”, diz.

O doutorando fala também sobre as novas músicas que o gênero musical tem inspirado. A atual onda de mixagem de axé com funk e do “funk do louvor” são os exemplos mais populares. Esse tipo de música com apelo religioso, principalmente, nos mostra a influência que o funk tem causado no meio social. O intuito de produzir letras nesse estilo relacionadas à religião tem como principal objetivo atingir o público jovem, usando a batida mais ouvida do momento para difundir a crença de um modo alternativo e interessante.

Anúncios
Etiquetado ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: