A cidade e o funk são fontes de pesquisa

Por Luiza Miguez

A batida do funk carioca é pedida certa no MP3 de Pablo Laignier. É que o professor e pesquisador do LECC/ UFRJ escolheu o ritmo como objeto de estudo, em seu projeto de doutorado. No dia 15 de Abril, Laignier esteve com os alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da ECO/UFRJ, para apresentar o trabalho “As muitas faces do funk carioca: música e letra no Rio de Janeiro contemporâneo”. Baseado em observação das letras e dos eventos do gênero musical, conhecidos como “bailes”, ele explicou o universo funkeiro e como este se insere socialmente no contexto carioca.

A pesquisa do professor é uma iniciativas acadêmicas que se aprofunda no assunto. No entanto, a penetração do ritmo na cultura desde a década de 70 evidencia o quanto a batida dançante e as letras polêmicas consolidaram-se no gosto brasileiro. O próprio Laignier admite: frequentou bailes durante a juventude; ouviu, curtiu e gostou. Ele lembra ainda dos motivos que o fizeram se sentir atraído pelo assunto, cercado de proibições e desconhecimentos. A curiosidade do pesquisador o levou a se debruçar sobre as letras do gênero mais reprimido do funk, “o proibidão”.

Seus estudos revelaram serem os relatos chocantes das letras pornográficas e violentas reflexo do conflito social latente, predominante na periferia carioca. Sexo na adolescência, gravidez precoce, tráfico, falta de oportunidade, são fatos freqüentes no cotidiano do universo que abriga os bailes e de onde saem os MCs. Não por acaso os versos do funk trazem a intensidade desse contraste social, no qual o oficial e socialmente aceito disputam e interagem com o paralelo e o polêmico. Para o doutorando, é a particular disposição geopolítica do Rio de Janeiro que possibilita que o ritmo “faça circular a voz das favelas”, levando os mais controversos temas às pistas de dança do centro e da zona sul.

Pesquisas como a de Laignier contribuem para a desconstrução da visão negativa sobre o gênero. Estranhamento, incômodo e preconceito são alguns dos violões por trás do reconhecimento do funk como expressão cultural de uma realidade. Somente pelo conhecimento será possível trazer à luz esse que tem sobressaído como expoente cultural popular brasileiro.

Anúncios
Etiquetado ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: