Um batidão de negócio

por Fernanda Oliveira*

O doutorando da ECO/UFRJ, Pablo Laignier, deu coletiva durante a aula do Laboratório de Comunicação Crítica: Técnica de Linguagem Jornalística Aplicada, na UFRJ. A tese de seu estudo, intitulado “As muitas faces do funk carioca: música e letra no Rio de Janeiro contemporâneo” foi o tema abordado. No encontro, dia 15 de abril, Laignier falou sobre as várias vertentes deste gênero, a questão mercadológica que o envolve, sua forma de interpretação social, os preconceitos que o rodeiam, além de ter tratado de outros aspectos que englobam este estilo de música.

O pesquisador fez questão de ressaltar a variedade de tipos de funk que existe e salientou que as letras das músicas não se limitam a pornografia e apologia ao narcotráfico. Sua preocupação foi expor o funk de modo mais social, como algo que abrange um número significativo de pessoas, capaz de satisfazer aos mais variados gostos. Laignier nomeou as diversas vertentes do funk como o melody, o religioso, o infantil, o debochado-irônico, o político, o nonsense, além do proibidão.

A questão das autorias foi um assunto tratado de maneira significativa durante a entrevista, com destaque para a problemática a respeito da perspectiva legal. Laignier revelou que muitos dos compositores não possuem direitos autorais e em diversos casos sequer recebem dinheiro pelas suas produções, independente do sucesso que possam fazer. Uma perspectiva de mudança para esse quadro, disse, é a ApaFunk, Associação dos Amigos e Profissionais do Funk. A organização é formada por pessoas envolvidas com este gênero musical, e se compromete a lutar pelo reconhecimento dos direitos dos funkeiros, defendendo ainda outras causas relacionadas ao tema.

A maneira como se comercializam as canções, também foi ressaltada por Laignier como um mercado ainda paralelo e sustentado basicamente por produções independentes ou inseridos no contexto da pirataria. Segundo o doutorando, são poucos os funkeiros que possuem espaço no negócio fonográfico e que são reconhecidos. Outra abordagem importante foi a de que um pequeno número de compositores ou intérpretes consegue viver apenas trabalhando nessa função artística. Eles, normalmente, se dedicam a outras atividades para conseguir se sustentar e manter suas famílias.

Os estudos de Laignier contribuem para perceber que a discriminação ainda é um obstáculo que impede o desenvolvimento econômico do funk. Ao mesmo tempo, a pesquisa revela um crescimento significativo desse gênero musical e mostra que este pode ser uma fonte promissora no mercado, futuramente. A gradativa inserção social do funk é um fator crucial para sua prosperidade no mercado, como aponta a análise do pesquisador.

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