O multifacetado funk carioca: Pesquisador afirma a existência de 10 variações do gênero

por Thayná Rodrigues*

O Doutorando em Comunicação Social, Pablo Laignier, apresentou em entrevista coletiva, dia 15 de abril, um dos temas principais de sua pesquisa: o funk carioca. Ele garantiu a existência de aproximadamente 10 tipos do gênero musical e ressaltou ainda as suas variadas finalidades. Laignier trouxe à tona informações pouco conhecidas a respeito do funk e abordou assuntos polêmicos como direitos autorais, pornografia e criminalização.

O estilo musical, segundo o pesquisador, retrata a característica do momento urbano pós-moderno. A pouca elaboração das letras e o ritmo veloz traduzem a experiência cotidiana da cidade e a distração ao rebuscamento. “O funk é crônica social, em certa medida; a música mostra um pouco da desesperança”, afirmou. Para Laignier existe sim, no funk, manifestação político-social: “a política não acabou, existe uma falta de perspectiva manifestada nas letras”.

Como gênero musical, o ritmo do funk (a batida) é o que o caracteriza. Porém, de acordo com o pesquisador, existem notáveis diferenças entre um tipo e outro, principalmente no que se refere à temática. O  Funk Melody, por exemplo, apresenta letras românticas e sonoridade envolvente; o Debochado destaca-se pelas batidas aceleradas e temática cômica. Já o Proibido pode ainda ser subdivido em duas categorias – o Proibidão Pornográfico e o Proibidão relacionado ao narcotráfico.

Todos os itens desta tipologia abrangem um “público-alvo” definido ou têm destino certo. Como ressaltado pelo especialista, o funk pornográfico é música para adultos, assim como existem funks infantis, com letras leves e divertidas; alguns “proibidões” têm o objetivo de enviar recados a outras comunidades e os funks “debochados” visam proporcionar diversão.

Também foi abordada a estigmatização do funk pela imprensa hegemônica, ao ser retratado principalmente nas páginas policiais. Laignier ressaltou que o funk não deve ser generalizado como veiculador de violência e de conteúdos impróprios para menores e que a relação de alguns MC’s com o crime não deve prejudicar a imagem geral do gênero. A justificativa é que se trata de um elemento artístico-social e a maioria dos autores, segregados da sociedade e à margem da indústria musical, não está envolvida com o tráfico de drogas ou com ações ilegais.  Concluiu que falta ainda um amplo reconhecimento deste gênero como manifestação cultural das comunidades e como difusor de criatividade e inovação por parte de seus autores.

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