“Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar”

por Antonella Zugliani*

Foi nesse ponto que o Doutorando e Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pablo Laignier, tocou ao desenvolver a sua pesquisa. O estudioso esclareceu que o termo “funk carioca” é originário do senso comum. O certo seria “funk fluminense”, já que engloba diversos municípios da capital do carnaval brasileiro.

Laignier navegou pelo panorama geopolítico e social do Rio de Janeiro e, além de citar o famoso livro de Zuenir Ventura, “Cidade Partida”, cuja história traça uma perspectiva de que em nossa cidade se estabelece uma segregação, ratificou a diferenciação dos direitos da favela e do asfalto. Nesse contexto, é possível compreender as diversas letras do estilo musical que faz circular a voz da favela. O pesquisador alerta que o funk não é necessariamente politizado, podendo muitas vezes ter temas que envolvem a pornografia, religião ou mesmo a infância.

Após os anos 80, quando o funkeiro era visto como bandido, a posição na sociedade dos MCs se tornou mais valorizada e o funk carioca atingiu reconhecimento não só nacional como internacional. Dessa forma, houve grande movimentação de capital em torno dessa indústria. O estilo musical se divide em diversos tipos, dente eles, o funk neurótico ou proibido, cujo conteúdo se dá por apologia ao narcotráfico e uma supervalorização da pornografia.

Essa subdivisão e a relação do funk à atividades ilegais acabou por trazer ao gênero musical a fama de um produto cultural de baixo nível. No entanto, através de suas idas a comunidades e conversas com pessoas do ramo, Laignier garante que essa afirmação precisa ser desmistificada, definindo, assim, outras ramificações existentes. Ele cita o funk melody, que tem um teor romântico, mais conhecido após o sucesso da dupla Claudinho e Buchecha, expondo a “gatinha” como algo idealizado, intocável.

Há outros tipos de funk, dentre eles, o debochado ou irônico, que faz letras cômicas, como um que fala do cabelo arrumado das meninas e que se desfaz todo quando há chuva no baile. O pesquisador citou, ainda, outras três curiosas ramificações: o funk nonsense, que não quer dizer nada, não possui um sentido linear; o infantil, cujos artistas são crianças de cerca de cinco anos; o consciente, que fala de assuntos relevantes para a comunidade, normalmente com um teor político; e o evangélico, de louvor, que explora temas religiosos, a fé e Jesus Cristo.

Ao ser perguntado “Porque o funk como objeto de pesquisa?”, Laignier explicou que é um assunto que lhe interessa pelo fato de ter um impacto grande e uma leitura do tempo através das próprias composições do estilo. Por fim, deixou os alunos refletindo quando sugeriu que o funk é uma arte que incomoda e que é irresistível. Não há quem fique parado quando começa a batida do “tamborzão” vindo da “cidade paralela”, explicou o pesquisador.

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Um pensamento sobre ““Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar”

  1. eu gosto dessa musica tem no gta tropa de elite e eu sempre escuto

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