Criminalização do funk: é possível evitar este estigma?

por Breno Salvador*

O doutorando e pesquisador Pablo Laignier, em palestra com alunos da Escola de Comunicação da UFRJ, fez uma análise da história e as peculiaridades do funk carioca, criticando a criminalização provocada pela mídia e o poder público. O encontro aconteceu na última sexta-feira, dia 15, na Central de Produção Multimídia, e reuniu cerca de 20 alunos.

Laignier, cujo projeto de doutorado é baseado no retrato feito pela mídia sobre o funk do Rio, mencionou os diversos aspectos que marcam o gênero como um retrato da sociedade carioca. O doutorando defendeu o funk como forma legítima de cultura que acaba marginalizada por setores da sociedade e pela grande mídia. Criticou, por exemplo, o caráter policial aplicado pela imprensa na maioria das notícias.

Por meio da apresentação dos diferentes tipos de letras e ritmos do funk, o pesquisador mostrou a abrangência de conteúdos do gênero, que variam desde o amor até a apologia ao narcotráfico. Conclui que o funk é criminalizado porque mostra a realidade das favelas e que a discriminação é social. A proibição de bailes e o tratamento agressivo da polícia, para o pesquisador, são reflexos da rejeição da sociedade e dos governos às favelas. “O funk em si está inserido em uma indústria musical, e não exatamente periferizado pelas produtoras”, afirmou, citando nomes como o DJ Marlboro e a produtora Furacão 2000.

Da favela para o asfalto
As questões levantadas se encaixam no debate ainda pouco difundido na sociedade sobre o preconceito que esse gênero musical sofre. A generalização da ideia acerca do funk como mero instrumento de apoio ao crime, sem valor cultural é severamente criticada pelo pesquisador. Ele afirma que projetos sociais e culturais como a APAFunk (Associação dos Amigos e Profissionais do Funk) têm ajudado a mudar a aparência criminal do gênero.

O estigma sofrido, auxiliado por grandes jornais e emissoras, tem tendência a diminuir, segundo o Doutorando, em função da popularização do funk carioca nas classes sociais de maior renda. “Formas de cultura são determinadas pelo pensamento dominante, que parece cada vez mais aberto ao acréscimo cultural que pode ser proporcionado pelo funk”, observou. A partir da aprovação de lei na Assembleia Legislativa do Rio, em 2009, o funk passou a ser oficialmente reconhecido como movimento cultural, não mais podendo ser tratado como assunto de polícia.

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